Da miopia à antevisão do paraíso

  • Antonio Savio
  • 8 abr 2022

Como por aqui não deve ser novidade, uma boa parte dos chamados conservadores do país já atentaram para uma diversidade de falcatruas da esquerda, especialmente nas figuras mais divulgadas pela mídia, tendo em vista Lula, Dilma, José Dirceu, et caterva. Outra camada, digamos que mais informada, tem consciência do que seja o comunismo, socialismo, o tão conhecido “Declínio da Civilização Ocidental” – as falsas filosofias e outros meandros mais voltados para a vida intelectual, ou, pelo menos, quem tenta fazê-la. Esse processo de desenvolvimento intelectual teve um forte impacto na nossa sociedade através do trabalho do Olavo de Carvalho – que por anos a fio o fez humildemente e com poucos alunos – , como também a partir do advento da internet.

Já havia em muitas pessoas  o sentimento, e a percepção, de que as coisas não andavam bem, e que, incapazes de perceber as causas e as consequências das mudanças políticas, sociais e até na intimidade familiar, viram acertadamente na figura do Olavo, um tradutor verdadeiro – pois agora havia uma relação entre o que pensavam e o que liam verdadeiramente neste autor. É preciso dizer que boa parte da população brasileira, segundo as estatísticas a partir dos anos oitenta, havia tido um péssimo acesso à educação e cultura, o que nunca fora segredo para ninguém. A questão é que havia, para boa parte dessa população, um sentimento de dissonância quanto ao que estudava (quando estudava), e o que via na realidade – achando, na sua humildade, que suas percepções estavam enganadas, e que certo mesmo estavam os intelectuais, os quais, com seus gordos currículos bem como salários, ditavam a moda, o consumo, as ideias e, caso não a realidade por completo, pelo menos os óculos cujos quais você deveria vê-la distorcida.

Segundo os intelectuais, o homem comum, ao qual a muito custo vencerá na vida, não tinha nenhum mérito em seus esforços. O capitalismo o havia escolhido aleatoriamente, sem que ele mesmo o soubesse, e lhe dado facilidades – caramba, caso isso fosse facilidades, imagine o difícil, pensava aquela pobre alma – , tentando convencer a massa de proletários de que a riqueza através do trabalho fosse possível. Por mais que detestasse a análise, restava-lhe ficar quieto. A mesma incongruência perceptiva se dava ao visitar alguma exposição, onde o homem leigo, não estudado, identificava-se mais, por algum motivo que lhe era estranho, quando via alguma exposição de Leonardo Da Vinci, Raphael Sanzio, Caravaggio; ali, pela humanidade retratada pelos próprios artistas, identificava-se magicamente, e sendo assim, sua arte atingia um idioma universal.

O homem se via perfeitamente no camponês retratado, nas sombras dos personagens, nas unhas sujas perfeitamente pintadas, nas proporções dos desenhos, etc. A arte sempre teve esse poder mágico diante da plateia – onde o autor mostra que com sua percepção é capaz de retratar elementos que a maioria escapa, e toca a alma mais humilde que se vê diante de um espelho. Esse mesmo leigo tinha extrema dificuldade ao se deparar com um Kandisnky, Miró, Chagal, entre outros artistas modernos, pós-modernos e adeptos a horda dos diversos “ismos” que pululavam nas artes visuais no Séc. XX. Essas figuras de almas elevadíssimas, não davam chance ao homem comum percebê-las, restando-o ficar calado, fazer cara de entendedor e fingir entusiasmo, tendo em vista que proferir qualquer opinião contra atestaria não só sua ignorância sobre o assunto, como a ferocidade da comunidade culta,  a qual, dependendo de suas relações, poderiam caçar seu emprego, seus privilégios pequeno-burgueses, sua carteira dos clubes, do futebol das quartas, etc.

Nessa esteira, Manoel Bandeira, ao escrever “Os Sapos”, ironizando os parnasianos, mal sabia ele mesmo que abriria uma galeria de esgoto onde se transfiguraria da poesia à música popular, versos como “Segredos de liquidificador” (Cazuza), “Agora, pego um caminhão / Na lona, vou a nocaute outra vez / Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar. / Meus vinte anos de boy: That’s over, baby! / Freud explica” (Zé Ramalho), “É uma índia com colar / A tarde linda que não quer se pôr / Dançam as ilhas sobre o mar / Sua cartilha tem o A de que cor?” (Nando Reis), “Sala, sem ela, tem janela / Inclino, em cerca de atenção / Ela vem, e ninguém / Mas ela vem em minha direção” (Marisa Monte).

As citações, sobre as obras sem fundamentos a pretexto de uma erudição calcada nos movimentos artísticos do século XX (vide dadaísmo & cia), estenderam-se sobre a cultura brasileira de modo irreparável. Assim, como muitos personagens retratados pela literatura mundial, ao se deparar com uma realidade dura, o desgosto feroz se apodera da alma do infeliz, e este, já sem forças, entrega-se a bebida, ao lupanar – onde a realidade se mistura com a embriaguez; vendo que esta lhe dá um alívio momentâneo, o infeliz abraça o vício diário, fugindo da realidade. O homem comum, para não cair nas raias de um viciado, acha por bem calar e fazer cara de bom entendedor. É evidente que rastrear as falsidades intelectuais, seja na filosofia, literatura, artes visuais ou qualquer ramo da cultura, hoje é não só possível, como relativamente fácil, considerando alguns aspectos.

Por outro lado, isso demanda um trabalho excessivo, ao qual o pai de família comum – aquele ao qual trabalha oito horas por dia, que perde quatro horas no deslocamento para o trabalho, que quando compra um tênis novo para o filho falta-lhe o bife do final de semana – certamente não tem esse tempo de investigação disponível, ou talvez, até mesmo, as ferramentas necessárias para fazer as conexões causais, as comparações históricas, e todo o arcabouço e erudição necessárias para fazer cair o véu da pseudo-intelectualidade dominante. O leitor merece saber que desde sempre houve na chamada “Elite Intelectual”, uma casta considerável, senão sua maioria, que por sérias falhas na sua formação, já pôs o mundo em péssimos lençóis – sempre em prol de causas nobilíssimas de forma apressada, onde suas obras eram por assim dizer, “máquinas de desentortar bananas”.

Por outro lado, tendo consciência da imperfectibilidade, da alma pecaminosa, dos hiatos históricos e de toda sorte de erros, intelectuais mais sérios, dispuseram-se a tentar entender o mundo de forma mais humilde, coletando fatos, dados, argumentos, comparando-os com tantos outros e, não raro, ao não chegar numa conclusão segura, sacrificando seu próprio nome ao anonimato, resolveram não publicar seus trabalhos. Outros, mostraram de forma segura como a realidade não se transforma conforme textos supostamente eruditos, que pintar uma garrafa como um elefante não tem o poder de transformar um no outro, e como as fantasias, utopias, planos de um mundo melhor, devem ser cuidadosamente analisados – conforme uma tradição ao qual elencou com perseverança erros e acertos ao longo do conhecimento da história humana.

Dostoievski já alertava em sua obra “Os Demônios” em 1872: “Eu já lhe disse: vamos penetrar no seio do próprio povo. Sabe que já agora somos terrivelmente fortes? Os nossos não são apenas aqueles que degolam e ateiam fogo, e ainda fazem disparos clássicos ou mordem. Gente assim só atrapalha. Não concebo nada sem disciplina. Ora, sou um vigarista e não um socialista, eh, eh! Ouça, tenho uma relação de todos eles: o professor de colégio que ri com as crianças do Deus delas e do berço delas, já é dos nossos. O advogado que defende o assassino culto que por essa condição já é mais evoluído do que suas vítimas e que, para conseguir dinheiro, não pode deixar de matar, já é dos nossos. Os colegiais que matam um mujique para experimentar a sensação, são dos nossos. Os jurados que absolvem criminosos a torto e a direito são dos nossos. O promotor que treme no tribunal por não ser suficientemente liberal é dos nossos. Os administradores, os escritores, oh, os nossos são muitos, um horror, e eles mesmos não sabem disso! Por outro lado, a obediência dos colegiais e dos imbecis chegou ao último limite; os preceptores andam cheios de bílis; em toda parte a vaidade atingiu dimensões incomensuráveis, há um apetite feroz, inaudito… Sabe você, sabe você de quantas ideias prontas lançamos mão? Quando saí daqui grassava a tese de Littré, segundo a qual o crime é uma loucura; quando voltei, o crime já não era uma loucura, mas justamente o bom senso, quase um dever — quando nada um protesto nobre. “Ora, como um assassino evoluído deixaria de matar se precisa de dinheiro!” Mas isso são apenas filigranas. O Deus russo já se rendeu à “vodca barata”. O povo está bêbado, as mães estão bêbadas, as crianças estão bêbadas, as igrejas estão vazias, e ouve-se nos tribunais: “um balde de vodca ou duzentas chibatadas” . Oh, deixem crescer a geração! Só lamento que não haja tempo para esperar, senão era só deixá-la ainda mais beberrona! Ah, que pena que não haja proletários! Mas haverá, haverá, para isso caminhamos“. [1] DOSTOIÉVSKI, F. Os Demônios. Editora 34, São Paulo. 2021. p 368

É certo dizer que o homem comum, ainda que com pouca escolaridade, sempre esteve certo; pode-se dizer como a prudência, o recato, a oração, o estudo da realidade, sempre foram bons conselheiros, e,  por incrível que pareça, aquele homem jamais esteve errado, senão em detalhes da vida burguesa, ou em saber diferenciar um garfo de peixe e de salada, que, não é, para o bem da realidade, uma futilidade infantil. Não quero aqui dizer que o homem comum em sua vulgaridade não tem pecados, mas que, comparado à suposta educação das elites conscientes, seus pecados são bem menores. O que quero aqui deixar claro, não é que o cidadão ao qual se dedicou às letras, dedicou a sua vida em horas aos estudos, seja desprezado pelo homem comum, e que, este sim, merece todos os aplausos da sociedade.

Mas é honesto e preciso dizer que o século XX , através de leis em prol da educação e cultura, pôs o cidadão comum numa coleira a pagar altos impostos, em prol de experimentar todas as sandices que se pudesse imaginar – onde supostamente a sociedade se dividia em dois grupos: os que faziam parte da “intelectuária” as quais recebiam gordas verbas, e um segundo grupo de cidadãos comuns, mas que ansiava por fazer parte do primeiro. Poucos contavam que com o advento da internet, um grupo de renegados, de homens honrados que verdadeiramente merecem a alcunha de intelectuais – onde a maioria deles nunca recebeu bem por isso, como tampouco fizessem questão de assim serem denominados –  fizessem um largo registro, nos quais denunciam as improbidades intelectuais e artísticas não só do século XX.

No Brasil, Olavo de Carvalho não só denunciou este processo, como pagou um preço alto por isso – fazendo revelar ao público outros tantos nomes notáveis que, até então, eram desconhecidos do grande público. De Meira Penna a Mário Ferreira dos Santos, de José Ortega y Gasset, passando por Leo Strauss, Russell Kirk, entre uma infinidade de outros – aos quais darão caminho certo ao leitor que quiser entrar no mundo das letras sem antes ter um mapa seguro de onde seguir. Por outro lado, sem abandonar seus argumentos, a elite universitária recorre à frase clássica do Groucho Marx: “Em quem você vai acreditar?” Em mim ou em seus próprios olhos?”.

Portanto, ao leitor neófito, recomendo cuidado. O mundo das artes e letras não é, como dizem, um mundo mágico – ao qual o leitor, em tudo que lê, transforma-se numa pessoa nobre, de visão antecipada sobre os fatos. Este mundo pode ser um parque de diversões, ao qual, entre brinquedos novos e antigos, resta ao leitor, por conta própria, verificar os parafusos das máquinas, o valor dos ingressos, o tamanho das filas, e os riscos de cada brinquedo. Seria muito desagradável perceber que no alto da roda-gigante alguém esquecesse alguns parafusos soltos… Vale lembrar que, neste parque, não existem muitos médicos prontos a lhe atender, bolsas de sangue disponíveis ou desfibriladores – às vezes, perceber isso após uma vida de estudos, pode ser uma queda fatal.

O ingresso no mundo “das artes e entretenimentos”, assim como no mundo intelectual, às vezes pode ser bem caro – e não tão somente ao homem comum. Enfatizo aqui que nada, do qual acima fora escrito, já não tenha sido feito pelos autores citados e, certamente, por tantos outros, com uma competência e elegância bem maior. Por outro lado, quando o dever nos chama, não resta tempo para olhar quem tem ao seu lado a patente mais alta, ou a arma mais eficiente. Na hora do chamado só nos resta o atender.

References

References
1 DOSTOIÉVSKI, F. Os Demônios. Editora 34, São Paulo. 2021. p 368
Antonio Savio

Formado em Geografia pela Universidade Regional do Cariri desde 2009; escreve sobre política, filosofia, e história da arte desde 2005; atua na área de artes plásticas, especificamente pintura clássica e medieval, desenho e restauração.

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