O mínimo sobre o ventríloquo (ou Ronald Robson e o analfabetismo funcional)

  • Rodolfo Melo
  • 29 abr 2024

É lamentável ter de começar esta quintuplica constando que Robson, aquele que deveria ser o melhor intelectual de nossa área, não entende o que lê. Contudo, como Carvalho lecionava (e, para desespero de Robson, aqui vai mais uma nota de rodapé), temos a “obrigação de dizer” o que estamos vendo, “doa a quem doer” (Carvalho, 2016, aula 365). [1] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 10 Dez. 2016, aula 365.  

 

1§ ROBSON SENTA À MESA AO LADO DE PAULO FREIRE: O MÍNIMO SOBRE O REAL TALENTO DO PERITO PIADISTA


Pois bem, se para Robson eu sou um “subletrado” que escreve “igual Paulo Freire” (vamos, por um breve momento, acreditar que ele realmente leu Paulo Freire e teve consciência suficiente para entender o objeto analisado pela pesquisa freiriana), é seguro dizer que Robson é um analfabeto funcional. De acordo com Castillo, o analfabeto funcional é uma pessoa que não é capaz de “processar uma informação (ou conhecimento em codificação alfabética)” e operacionalizá-la “da forma que a sociedade, na qual ele está inserido, espera” (Castillo, 2007, p.15-19). [2]CASTILLO, Juan Jiménez. La investigación sobre el analfabetismo funcional: estado actual del concepto. Revista electrónica de Educación y Formacion Continua de Personas Adultas, Salamanca, v. 1, … Continue reading Para Carvalho, o analfabeto funcional consegue “acompanhar as palavras, mas não é capaz de fazer uma leitura ativa”, ou seja, “entende o raciocínio, mas não as coisas raciocinadas” (Carvalho, 2016, aula 326). [3] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 02 Ago. 2016, aula 326.

Por conseguinte, na medida em que Robson alega que tenho “imperícia na língua, pensamento e humor”, o seu texto (“Rodolfo e o carvalho”) fornece uma clara demonstração do quanto ele se adequa a essas definições. No artigo “O mínimo sobre Ronald Robson e os “subletrados” da mera tradição revolucionária”, dedico (ao longo de dois tópicos) quatro parágrafos para explicar, a partir de lições dadas pelo próprio Olavo de Carvalho, que um estilo literário é uma obra de escolha, e que, por isso mesmo, uma linguagem literária e popular não é significativa para aqueles que não tentam ter a expressividade de um escritor, ou seja, para aqueles que buscam escrever, em termos de uma linguagem técnica, para um grupo de colegas nas ciências sociais ou filosofia. Ainda no artigo, destaquei o fato de que os textos do Jornal Cidadania são opostos ao estilo piadista, divertido, humorístico, ou mesmo da linguagem do público em geral, uma vez que tentam expor teorias, as quais tem o seu vocabulário direcionado para um público de estudiosos, isto é, um círculo fechado que já conhece a linguagem e está habilitado a entendê-la.

Ora, qualquer leitor, desde que não seja um analfabeto funcional, assimilaria que essa proposta textual é (como, aliás, eu reconheço no artigo) diametralmente incompatível com o estilo de escrita que agrada aos olhos de Robson. Acrescente-se que, no tópico “O mínimo sobre a benevolência de Robson para com o não iniciado”, emprego um parágrafo inteiro para destacar que, como Carvalho apontava, o público que não domina a linguagem do mundo da cultura não é capaz de julgar a linguagem  que expressa o estado de uma questão, além de não entender as nuances de sentido presentes nas várias situações. Dessa forma, deixei claro, para quem tenha capacidade cognitiva de processar o que lê, que os meus textos não tem a pretensão de ser cômicos, leves, ou mesmo de agradarem (emocionalmente, sonoramente e visualmente) quem quer que seja. Como Carvalho enfatizava, o mundo da cultura requer que o sujeito desapareça “por trás do assunto”, ao ponto de “só existir o objeto” do qual se está falando (Carvalho, 2020, aula 539). [4] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 2020, aula 539.

Nesse sentido, como assinala o pedagogo marxiano Dermeval Saviani, pesquisar não é “difundir conhecimentos empobrecidos, desvirtuados”, mas sim “elevar as camadas populares do senso comum à consciência filosófica”, o que significa, pois, “passar de uma concepção incoerente, desarticulada, mecânica, simplista e degradada a uma concepção unitária, coerente, articulada e cultivada” (Saviani, 1986, p.34-35). [5] SAVIANI, Dermeval. Ensino público e algumas falas sobre a universidade. 3. ed. São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1986. Como também ressalta o marxiano José Paulo Netto, os “discursos complexos” são, muitas das vezes, necessários para expressar a “complexidade da realidade como tal” (Netto, 2023). [6]NETTO, José Paulo. Lukács: o longo caminho até a Estética. In: A ATUALIDADE DE GYÖRGY LUKÁCS, 17 Out. 2023, São Paulo: USP. Disponível em: … Continue reading Por isso, os meus textos não buscam achatar ou reduzir a questão à linguagem ou estética que apraz o público, mas sim equacionar as dúvidas, incertezas e desconfortos que o próprio objeto suscita (tarefa que é, como Carvalho entendia, uma das bases da vocação intelectual).

Pois bem, Robson, ao discorrer que meus textos deixariam uma “trilha de oportunidades para troça”, exemplifica, de modo claro e cristalino, a minha pontuação de que as categorias sociológicas faorianas descrevem, de modo assertivo, a tipologia fenomenológica do debate brasileiro, quer dizer, a prática de centrar, por meio de piadas, chacotas ou descrédito do debatedor, a atenção do leitor para aspectos não elementares ou seminais, de modo a ofuscar, então, a visualização e articulação do assunto que está sendo posto ou apresentado. Portanto, a gravidade do analfabetismo funcional de Robson pode ser verificada quando ele acentua que o meu artigo teria feito solicitações para que desse “atenção somente a pessoas de real talento e efetivas realizações intelectuais”, e que, sendo assim, ele deveria me ignorar. Mais à frente, Robson chega a salientar que eu teria escrito “parágrafos e mais parágrafos”, assim como citado “aulas e mais aulas de Olavo de Carvalho”.

Ora, mediante essas duas contradições, estaríamos diante de duas alternativas excludentes: a) Robson não leu os dois tópicos ( “O mínimo sobre a linha de investigação carvalhiana segundo Robson” e “O mínimo sobre a benevolência de Robson para com o não iniciado”) que, segundo ele mesmo, citam, em parágrafos e mais parágrafos, as aulas e mais aulas de Carvalho, e, portanto, estaríamos diante de uma farsante; ou b) ele não consegue entender a argumentação presente no texto, e estaríamos, por sua vez, diante de um analfabeto funcional. Em vista disso, peço ao leitor um pouco de paciência, pois, para comprovar a alternativa b), terei de apontar, novamente, o que o meu artigo questiona. No tópico três (“O mínimo sobre a linha de investigação carvalhiana segundo Robson”) destaco, logo de início, que, segundo Carvalho, a função daquela geração de alunos seria criar, a partir da publicação de livros científicos, obras de peso e profundidade intelectual, intelectuais, os quais, por sua vez, atuariam entre outros intelectuais (ou contra outros intelectuais).

No parágrafo seguinte, explico que, devido a recusa de Robson em dar continuidade a linha de pesquisa carvalhiana, a sua obra (“Conhecimento por presença”) encontra-se na situação de uma tese que não formou intelectuais capacitados para conferir, através de uma análise estrutural de quais seriam as suas linhas de força, conceitos fundamentais e ordem interna, o que foi dito, de modo a aprofundar, corrigir, progredir e avançar aquele conhecimento. Nesse sentido, ainda aponto que a continuidade da linha de pesquisa carvalhiana é uma crítica que diz respeito a publicação de livros científicos de grande valor, que, ocupando espaço nas livrarias e no ensino universitário, formariam uma nova leva de intelectuais, os quais, dentro da universidade, condensariam uma discussão em torno da obra.

Decorrente disso, a crítica que fiz a Robson não dizia respeito a dar “atenção a pessoas de real talento e efetivas realizações intelectuais”, mas sim que, ao invés de publicar livros mais acessíveis para o não iniciado em filosofia, ele deveria dar continuidade aos temas do “Conhecimento por presença”, até o ponto de, estudando-os durante anos a fio, compor um novo livro sólido, um estudo científico que fornecesse a base para produzir uma nova geração intelectual, a qual, por conseguinte, estaria incumbida de criar uma conversação, uma troca de ideias (levantando, pois, a partir da intensidade e continuidade desse intercâmbio intelectual, uma massa crítica de significados, percepções e referências comuns), que se alastraria, em círculos concêntricos, por toda a cultura. Destarte, argumento, no tópico quatro (“O mínimo sobre a benevolência de Robson para com o não iniciado”), como a proposta cultural de Carvalho era que a geração atual de alunos, publicando livros de envergadura filosófica (tendo em vista que o intelectual não escreve um livro de filosofia senão para educar, criar e construir um filósofo), criasse a condição existencial que propiciaria uma nova camada, um novo círculo de intelectuais, responsáveis, por sua vez, por formar um panorama da cultura nacional, isto é, uma elite que, incorporando o intercâmbio das discussões, forneceria a sociedade um leque de escolhas e interpretações.

Pois bem, devo ainda dizer a Robson que não tenho, nem de longe, a pretensão de que ele me dê atenção ou mesmo que tome as minhas pesquisas por “realizações intelectuais efetivas”, uma vez que não tenho o menor desejo por reconhecimento ou prestígio. Contento-me, pois, em pesquisar, em equacionar problemas, examinar, na medida do que posso, a tensão da existência, e, em suma, tentar, com todas as minhas forças, dar continuidade ao legado filosófico carvalhiano. Essa é, como ensinava Carvalho, a “carreira de consagração” a vida intelectual (Carvalho, 2014, aula 06) [7] CARVALHO, Olavo de. Curso a crise da inteligência segundo Roger Scruton. 29 Nov. 2014, aula 06. , que vivencia, pois, a dúvida ou pergunta numa intensidade dolorosa (Carvalho, 2021, aula 02) [8] CARVALHO, Olavo de. Curso Ciência política: saber, prever e poder. Abr. 2021, aula 02. , ou seja, uma busca monástica da verdade (Carvalho, 2014, aula 06). Por conseguinte, em seu texto, Robson, na medida em que assinala que o meu artigo daria voltas e voltas para afirmar que Carvalho “considerava necessário formar uma nova elite intelectual”, proporciona mais uma fantástica demonstração de analfabetismo funcional.

Na verdade, o que indico nos tópicos é que, para Carvalho, um diálogo de alto nível, um círculo de estudantes preparados para discutir as obras num intercâmbio de experiências, seria condensado a partir dos produtos da alta cultura (portanto, das obras da geração intelectual de Robson), os quais conseguiriam abrir ou florescer uma formação filosófica (quer dizer, um conjunto de pessoas que, lendo os mesmos livros, compreendendo as mesmas palavras, conhecendo as mesmas correntes de ideias, canalizariam e traduziriam uma consciência filosófica para a sociedade). Isso significa, pois, que o meu artigo critica o fato de que o livro de Robson ( “O mínimo sobre Olavo de Carvalho”), ao não continuar a linha de pesquisa da sua máxima obra (“Conhecimento por presença”), no intuito de “não repelir o novato com menor treino filosófico”, não permite formar um grupo intelectual qualificado, isto é, pessoas que possam, durante longos anos de debate, esclarecer e diagnosticar um panorama ou horizonte de problemas. Pois bem, outro fato digno de nota é como Robson tenta ridicularizar um texto que trabalha com notas de rodapé e citações.

Ora, parece que a plataformização do ambiente intelectual de nossa época chegou a tal ponto de se considerar que um trabalho deva ser descreditado por buscar documentar fontes, embasar argumentações, ou mesmo referenciar a origem de determinada consideração. Assim, tudo leva a crer que, se o século XX foi marcado por correspondências e mais correspondências entre os grandes intelectuais da época, os quais debatiam e se enfrentavam a partir de extensa e profunda troca documental, o século XXI é marcado pelo debate que não debate, ou seja, por textos breves, alegres, recheados de piadas, de rápida e fácil leitura, ou mesmo que não exigem o menor domínio do status quaestionis. Dessa forma, o debate de nosso tempo, ao invés de buscar enfrentar questões, tende a se voltar para o ânimo das massas e, por consequência, para o que apraz o mercado. Nesse sentido, talvez Robson desconheça que as correspondências trocadas pelos filósofos Karl Jaspers e Hannah Arendt foram organizadas com 111 páginas de notas de rodapé [9] Ver: ARENDT, Hannah; JASPERS, Karl. Hannah Arendt [e] Karl Jaspers: correspondence (1926-1969). New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1992, p.689-800. , ou mesmo que abundam notas de rodapé na organização das correspondências entre Eric Voegelin e Leo Strauss [10] Ver: VOEGELIN, Eric; STRAUSS, Leo. Eric Voegelin – Leo Strauss: fe y filosofía (correspondencia 1934-1964). Madrid: Minima Trotta, 2009. , assim como no debate entre Sigmund Freud e Carl Gustav Jung. [11] Ver: MCGUIRE, William (org). Freud [e] Jung: correspondência completa. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994.

 

2§ A TIAZINHA DÁ UMA SURRA DE CHICOTE EM MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS: O MÍNIMO SOBRE A AVERIGUAÇÃO MÍSTICA DE ROBSON


Isto posto, segundo Robson, eu sofro de “elefantíase verbal”, já que sempre enxerto um “critério averiguatório da problemática”, e, por isso mesmo, domino a “arte de dizer quase nada falando muito”. Sendo assim, devo fazer um mea culpa e reconhecer que, de fato, cometi um equívoco. Como os artigos do Jornal Cidadania tem o objetivo de testar descrições, ou seja, delinear ou esboçar uma visão mais central de análise e explicação de questões, eles exigem que o leitor, para poder acompanhar e compreender a etapa ou estado da discussão apresentada, enriqueça-se de uma linguagem e abordagem própria e apropriada.

Por isso, sempre presumo que o meu interlocutor tem arcabouço cognitivo suficiente para, ao menos, tentar preencher esses requisitos e acompanhar o estágio filosófico, histórico, sociológico, crítico, ou epistemológico, apresentado. Da mesma forma, presumi que Robson teria estudado algo (quer dizer, ao menos o mínimo do mínimo, já que ele gosta tanto disso) da filosofia de Mário Ferreira dos Santos [12]Bem, suspeito que Robson não tenha muito apreço pela filosofia de Santos, tendo em vista que ela deve parecer, aos seus olhos, uma elefantíase verborrágica que, através do chicote da tiazinha, … Continue reading ou da filosofia da ciência de Thomas Kuhn. Pois bem, de acordo com Santos, critério vem grego kriterion, que significa pedra de toque, a qual, por consequência, vem de kreinein, que significa julgar ou examinar (Santos, 1958, p.245). [13] SANTOS, Mário Ferreira dos. Teoria do conhecimento. 3.ed. São Paulo: Logos, 1958.

Assim, para Santos, falar em critério é falar em criteriologia, isto é, a teoria que aprecia o valor de um conhecimento, ao enfrentar a verdade (lógica, ontológica, material ou formal) que ele assinala ou aponta (Santos, 1958, p.36-37). Decorrente disso, quando menciono, por exemplo, que “Antunes problematiza o critério averiguatório do mundo do trabalho”, significa, pois, dizer que ele examina e julga qual o valor da verdade averiguada por certo conhecimento (no caso em questão, pelo mundo do trabalho). No que diz respeito ao conceito de problema ou problematização, Kuhn e demais epistemólogos dedicam tomos e mais tomos para elaborá-lo como parte essencial da própria metodologia científica, de modo que, para explicá-lo, seria necessário adentrar nessa disciplina, situação que extrapolaria o escopo do debate. [14]Contudo, para uma melhor compreensão, deixo as seguintes indicações: BUNGE, Mario. Ciência e desenvolvimento. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, … Continue reading

Robson, recorrendo, mais uma vez, a evasivas argumentativas, declara que (mesmo que meu artigo tenha analisado e citado a proposta da obra “O mínimo sobre Olavo de Carvalho”, desde ela mesma) eu teria criticado o seu livro sem o ler, ao ponto de julgá-lo apenas pelo título. Robson ainda enfatiza que eu não teria apontado em qual aspecto a sua apresentação da filosofia de Carvalho se daria “de maneira errônea ou inadequada”. Pois bem, comecei este debate tentando indicar a sutil queda de consciência daquele que seria o melhor intelectual da segunda geração formada por Carvalho. Na ocasião, entendia que Robson era um proeminente intelectual superior, embora estivesse cedendo a sua consciência para uma plataforma de produtos, uma vez que ele parecia ter a convicção de que a sua máxima obra disse tudo o que tinha de dizer, e que a tarefa agora era achar, ao sabor das conveniências, um meio de amoldar a filosofia carvalhiana num produto degustável, palatável, acessível e atraente para o cidadão comum.

Dessa forma, a minha crítica a Robson jamais poderia atestar que a gravidade do problema era tão severa, ou seja, que, na realidade, o intelectual proeminente não estava somente tendo uma sutil queda de consciência, mas também que padecia de um sério analfabetismo funcional. Para explicar a seriedade do caso, tenho, pois, que retomar a origem deste debate. Escrevi o artigo “Disputatio crítica em torno do legado filosófico de Olavo de Carvalho” em razão de um debate que um colega levantara. Na ocasião, ele me questionava se não era um exagero considerar que a intelectualidade marxiana era, atualmente, superior a nossa intelectualidade pública (quer dizer, a atual geração de alunos formada por Carvalho), citando, pois, a competência intelectual de Robson. No artigo, respondo, então, que Robson é um dos principais alunos de Carvalho, mas que isso ainda não seria suficiente para derrotar, em um debate, os principais intelectuais do espectro marxiano.

Por isso, ao longo do texto, elenco os fatores que motivam tal visão, como, por exemplo, a questão das pesquisas marxianas não estarem voltadas para o grande público, mas sim para continuarem as linhas metodológicas que foram legadas pelos seus mestres, ao ponto delas formarem uma leva de pesquisadores. Em vista disso, um dos elementos de minha crítica a Robson estava alicerçada no fato dele não continuar as linhas de investigação de sua máxima obra (“Conhecimento por presença”), bem como da filosofia carvalhiana, de modo que ela se consolidasse como um pilar formador do estudioso. Assim, assinalo que, ao invés disso, Robson decide lançar obras de introdução à filosofia de Carvalho, no intuito de resumi-la para o grande público. Pois bem, em sua resposta (“Rodolfo em cima da obra”), Robson afirma que meu texto teria criticado a sua obra (“O mínimo sobre Olavo de Carvalho”) sem a ler. Consequentemente, pontuo (no artigo “O mínimo sobre Ronald Robson e os “subletrados” da mera tradição revolucionária”) que, para Robson, seria inconcebível um trabalho que criticasse radicalmente a lógica da plataforma de produtos, isto é, a comunicação horizontal dos intelectuais com a massa (e, portanto, a conclusão plausível era a de que eu não poderia ter lido o seu livro).

Nesse sentido, abro, logo em seguida, uma imensa nota de rodapé para explicar, a partir de um intelectual marxiano, o conceito da horizontalidade, ou seja, um paradigma de rede pelo qual o contato direto, disperso, descentralizado e anti-hierárquico organiza internamente as experiências e os atores de um movimento. Sendo assim, ficava evidente que a minha crítica a Robson refere-se não a erros ou inadequações que ele teria cometido, ao apresentar a filosofia de Carvalho, mas sim ao fato dele entender que uma obra intelectual deveria e poderia acessar diretamente a massa, sem qualquer hierarquia comunicativa, ou, dito de outro modo, sem um círculo concêntrico (em que, como dizia Carvalho, 10 intelectuais formariam 100, os quais, por sua vez, formariam mil, até atingirem a massa). Mais à frente, cito a proposta do livro (“O mínimo sobre Olavo de Carvalho”), a partir das palavras do próprio Robson, destacando que, como eu havia comentado na “disputatio”, essa obra não continuava a linha de investigação do “Conhecimento por presença” (ou, segundo Robson, que “tinha poucos pontos de contato”), tendo em vista que, “para não repelir o novato com menor treino filosófico”, seguia “outro trajeto interpretativo”.

Passando, pois, por cada capítulo da obra, enfatizo que Robson deixa claro que tinha apenas o intuito de “expor um pouco da filosofia” de Carvalho, e não de “fazê-la avançar”, como havia feito antes no “Conhecimento por presença”. Dessa forma, no sexto parágrafo do tópico 1, aponto que o motivo de minha crítica a Robson era o fato do seu livro não aprofundar qualquer investigação de sua pesquisa pregressa. Por sua vez, finalizo o tópico 4 explicando que, embora Robson seja um intelectual superior, ao renunciar a função de trabalhar a obra (“Conhecimento por presença”) como um eixo central pelo qual uma nova pesquisa é desenvolvida para formar pesquisadores (dentro da linha filosófica de Carvalho), ele não teria condições para debater com os grandes intelectuais marxianos. Por isso, assinalei que a contribuição de Robson não formou aquilo que Carvalho chamou de “elo numa corrente”, em que o estudante seguinte vai precisar do anterior, como numa sucessão ou escalada de descobertas, as quais, por sua vez, constituirão o patrimônio científico que será passado para a geração seguinte.

Robson ressalta, pois, que eu teria ficado sentido por ele ter feito alguns gracejos. Ora, devo dizer que não busquei esclarecer o significado de palavras (como, por exemplo, vanguarda) por ter “sentido” suas piadinhas e gracejos, mas sim para (como explico, aliás, no próprio artigo) reduzir a sua tentativa de, mediante assuntos periféricos ou acessórios, desfocalizar o objeto da discussão. Por consequência, segundo Robson, eu sou, por usar a conjugação carvalhiana, um “alienígena à língua portuguesa”. Bem, resta perguntar se o mestrado de Robson é válido, já que ele, obviamente, gazeou as aulas de pesquisa científica, pois a terminologia que conjuga uma corrente filosófica, cultural ou sociohistórica, diz respeito ao paradigma científico (na linguagem de Kuhn), e não as características estilísticas, sonoras, fonéticas e gramaticais da língua portuguesa. De acordo com Robson, eu teria ignorado o fato de que é comum, na língua portuguesa ou espanhola, falar-se em código manuelino, ou que, por sua vez, a obra de Gilberto Freyre seria “mais distinguida por gilbertiana”.

Pois bem, chamo a atenção do leitor para as palavras que Robson usa (isto é, comum falar-se e distinguida), uma vez que, ao esclarecer a terminologia carvalhiana, menciono que Robson “desconhece e despreza o padrão e rigor terminológico consagrado pela tradição acadêmica mundial”. Sendo assim, Robson confunde a repercussão social que uma terminologia adquire (ou seja, a relação socialmente identificável do autor com a sua respectiva corrente) com a designação científica pela qual os estudiosos de certo autor são coligados numa corrente de pensamento. [15] Ressalte-se que a diferença entre a história interna de uma ideia científica e a sua história social compõe um dos temas centrais da obra “A tensão essencial”, de Thomas Kuhn. Uma das preocupações da filosofia da ciência de Kuhn foi precisar a natureza epistemológica de uma revolução científica (Kuhn, 2011, p.33) [16] KUHN, Thomas S. A tensão essencial: estudos selecionados sobre tradição e mudança científica. São Paulo: Editora Unesp, 2011. , desvencilhando, pois, “a justaposição de concepções moldadas, com base na análise e confronto crítico, por outras” (história da ciência) do impacto provocado pelo ambiente social (história social).

De acordo com Kuhn, a ciência muda o significado vocabular, ou seja, a forma como as palavras e frases se conectam com a natureza, bem como com as situações referentes (Kuhn, 2002, p.41-42). [17] KUHN, Thomas S. El camino desde la estructura: ensayos filosóficos (1970-1993). Barcelona: Paidós: 2002. Em vista disso, ele destaca que a apresentação do vocabulário científico tem o objetivo de ensinar os novos iniciados a reconhecerem as semelhanças da linguagem com a natureza, ou seja, os elementos que são justapostos e agrupados como exemplos característicos da mesma coisa (Kuhn, 2002, p.44). Por isso, para Kuhn, uma das características essenciais da ciência é causar a modificação do léxico da linguagem, quer dizer, alterar a linguagem (seja ela cotidiana ou científica) pela qual a natureza é descrita ou generalizada (Kuhn, 2002, p.45). Por conseguinte, para compreender um conjunto de crenças científicas, o pesquisador deve, pois, adquirir um léxico sistematicamente diferente daquele que é corrente no seu próprio tempo (Kuhn, 2002, p.77).

Dessa forma, quando utilizo o termo carvalhiano, não tenho a finalidade de causar, ao contrário de Robson, uma sonoridade (que não “doa aos ouvidos”, como ele menciona), estética agradável e impacto emocional, ou muito menos de adequá-lo ao “tronco indo-europeu, de sub ramo latino” (Nougué, 2015, p.37) [18] NOUGUÉ, Carlos. Suma gramatical da língua portuguesa: gramática geral e avançada. São Paulo: É Realizações, 2015. , do qual deriva a língua portuguesa, mas sim de levantar um léxico capaz de designar cientificamente os estudiosos do filósofo Olavo de Carvalho, ao ponto de conjugá-los numa corrente cultural-filosófica. Pois bem, segundo Robson, o meu texto teria a pretensão de que o termo carvalhiano fosse o único correto. Ora, como o próprio Robson elenca, o meu artigo sugere dois tipos de conjugações (carvalhiano e pimenteliano), justificando-as pela concepção científica consolidada: conjugar o sobrenome do autor, admitindo-se, em certos casos, a conjugação do nome do meio. Consequentemente, Robson acentua que essa terminologia seria parecida com um “xingamento”, bem como que Olavo se envergonharia de “ver seus leitores e discípulos serem chamados de “carvalhianos”, esse aleijão norminal”.

Assim, é curioso como Robson usa convenientemente o que ele acredita ser Olavo de Carvalho (isto é, o seu jeito e comportamento), recusando, pois, a sua proposta cultural-pedagógica (como, por exemplo, a produção de trabalhos científicos que possam, incorporando-se na história das ideias brasileiras, e adentrando no ensino universitário, formar o horizonte de consciência dos melhores intelectuais), mas supondo, de modo conveniente (a partir da tentativa de macaqueação das piadas de Carvalho), o que agradaria ou não o seu jeito de ser. Ora, como Kuhn indica, o vocabulário que explica e descreve os fenômenos de dado campo científico “é um produto histórico, desenvolvido ao longo do tempo e repetidamente transmitido, em seu estágio atual, de uma geração à sua sucessora” (Kuhn, 2002, p. 85). Kuhn denomina, pois, esse vocabulário de “mundos possíveis” (Kuhn, 2002, p.84), ou seja, o acesso restrito de determinado léxico a um mundo de possibilidades, que, por sua vez, são estipuladas pelos participantes de determinada comunidade científica ou cultural, na qual o possível é descrito a partir daquela linguagem.

Por isso, qualquer pessoa que não tenha acesso ao léxico, pelo qual um fenômeno é descrito e estipulado como possível, não conseguirá compreender o que aquela linguagem tenta dizer, uma vez que não pode imaginar a que referente ela se conecta (Kuhn, 2002, p.107-108), o que significa, portanto, que, para haver uma comunicação tranquila entre a comunidade, a discussão em torno de certo tipo léxico deve estar disponível antes mesmo da descrição dos fenômenos (Kuhn, 2002, p.116). Dessa forma, como destaca Kuhn, o léxico se consolida, dentro da corrente ou comunidade, como um padrão pelo qual teorias podem ser formuladas, desenvolvidas, aceitas como verdadeiras ou rejeitadas como falsas (Kuhn, 2002, p.117). O léxico assume, então, a forma de um “esquema conceitual” (Kuhn, 2002, p.118), um “módulo mental que é o pré-requisito” (no sentido de um “modo particular de operar”) para a crença, a qual é, por sua vez, limitada ao conjunto do que é concebido como possível.

Nesse sentido, a conjugação do sobrenome ou do nome do meio é o esquema conceitual (quer dizer, o léxico) que foi cientificamente consolidado e estipulado como o padrão pelo qual as descrições dos elementos de um fenômeno podem ser formuladas, justapostas, desenvolvidas e aceitas numa corrente comunicativa (coligada, portanto) de estudos (sejam eles culturais, filosóficos ou sóciohistóricos). Por conseguinte, Robson acerta ao dizer que o sociólogo Gilberto Freyre é mais distinguido por gilbertiano, mas se equivoca ao concluir que, devido a isso, os estudos gilbertianos sobrepujam os freyrianos. Para constatar o equilíbrio existente no embate dos léxicos, bastaria Robson ter feito uma breve busca no banco de dados do Google Acadêmico (onde encontramos, por exemplo, a partir dos termos primários pensamento freyriano e pensamento gilbertiano, e sociologia freyriana e sociologia gilbertiana como secundários, 1.930 e 548 resultados, respectivamente). [19] Para fins de esclarecimento, foi considerado apenas os termos chaves mencionados, sem que se tenha feito o que a metodologia de revisão sistemática denomina de refinamento de busca.

Vê-se, pois, que o caso de Freyre caracteriza aquilo que Kuhn considera como incomunicabilidade ou incomensurabilidade (Kuhn, 2002, p.116), ou seja, a divergência entre os léxicos linguísticos, a qual cria um fosso entre os membros da comunidade, tendo em vista que, construindo diferentes afirmações, um polo não se comunica com o outro que não partilha ou aceita aquele significado. Consequentemente, para dirimir o conflito, seria necessário um léxico que se sobrepusesse, mas partilhando também de um padrão já disponível (Kuhn, 2002, p.116). [20]Destaque-se que, neste artigo, busquei me deter apenas ao escopo que é pertinente ao debate. Para uma melhor compreensão da razão pela qual esse léxico se consolida como um padrão histórico, … Continue reading Nesse sentido, pode-se citar os casos do sociólogo Alberto Guerreiro Ramos, dos filósofos Vicente Ferreira da Silva, Mário Ferreira dos Santos, Henrique Cláudio de Lima Vaz, Raimundo de Farias Brito e os historiadores João Camilo de Oliveira Torres e Manuel de Oliveira Lima. No caso de Ramos até Brito, a corrente de estudiosos formula-se e comunica-se pelo léxico estipulado cientificamente (em que os 3 primeiros se agrupam pelo esquema conceitual do nome do meio, enquanto os dois últimos pelo sobrenome), sendo, pois, coligados como guerreirianos, ferreirianos, ferreirianos, vazianos e britianos, respectivamente. Todavia, os poucos estudos acadêmicos acerca da historiografia de Camilo decidiram formular um outro léxico, descrevendo o referente pelo segundo nome (camiliano).

Isso significa, portanto, que há uma grande chance de acontecer com a corrente historiográfica de Camilo a mesma divergência vocabular que existe na corrente sociológica de Freyre. Por fim, os estudos acadêmicos da historiografia de Lima não se detiveram em designar um léxico pelo qual o referente seria descrito e coligado numa corrente, o que permite dizer, então, que o historiador Manuel de Oliveira Lima não tem uma corrente de estudiosos. 

 

3§ A CRIATURA QUE QUERIA SER CRIADOR: O MÍNIMO SOBRE O VENTRÍLOQUO DE ROBSON (OU O BONECO DE MADEIRA QUE QUERIA CRIAR ALGO DE VERDADE)


Pois bem, Robson, provando aquilo a que minha crítica tinha, desde o começo (artigo “Disputatio”), por objeto, frisa que não quer ser “um boneco de ventríloquo” dele mesmo ou de “qualquer pensamento carvalhiano”, assim como que não tem “interesse” em se deter “mais que o necessário na obra deste ou daquele autor, neste ou naquele campo de pensamento”. Assim, Robson padece da exata questão que Carvalho definiu como o medo típico do brasileiro: “ser acusado de seguir alguém, como se isso fosse um grande pecado, como se você tivesse de ser o autor de todas as suas ideias” (Carvalho, 1993). [21] CARVALHO, Olavo de. Curso de Astrocaracterologia. Aulas de abr. 1993, bloco 7, fita 1. Nesse sentido, podemos concluir que, segundo Robson, Carvalho seria, ao lecionar que “Aristóteles ficou 20 anos na academia platônica” (Carvalho, 1993) para poder, então, produzir um resultado, o boneco de ventríloquo de Aristóteles, o qual, por sua vez, seria o de Platão.

Portanto, devo perguntar a Robson se ele não seria aquilo que Carvalho denominou de sujeitos “cretinos” (Carvalho, 2010, aula 82) [22] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 06 Nov. 2010, aula 82. , ou seja, “pessoas que não sabem o que é um discipulado filosófico, e acham possível assistir um curso durante um ou dois anos, formar uma opinião, e ir embora” (Carvalho, 2010, aula 82), dizendo, pois, que “seguirão sua própria cabeça”. Bem, para Robson, Carvalho não desejaria formar intelectuais, mas sim bonecos de ventríloquo, uma vez que afirmava que não existe, “antes de um aprendizado de vinte ou trinta anos” (Carvalho, 2010, aula 82), um sujeito que pensa pela própria cabeça, bem como que “acompanhar, durante vinte ou trinta anos, os ensinamentos do filósofo” seria o “número modelar mínimo” para conhecer “o que é uma filosofia” (Carvalho, 2010, aula 82).

Ao que parece, Robson também entenderia que Aristóteles, tendo permanecido “aluno da Academia por vinte anos” (Carvalho, 2010, aula 82), e continuado os estudos platônicos, seria um mero repetidor de platitudes. Por sua vez, o filósofo Julián Marías, que só teria revelado “a sua contribuição pessoal, a sua verdadeira personalidade filosófica” (Carvalho, 2010, aula 82), depois de conviver, “durante trinta anos”, com a filosofia de José Ortega y Gasset, não teria criado algo, senão platitudes. Ainda nesse sentido, pode-se dizer que, na visão de Robson, os alunos do filósofo Eric Voegelin, ao fundarem o The Eric Voegelin Institute, e continuarem, “por mais de vinte ou trinta anos, convivendo e dialogando com o filósofo”, ao ponto de só acrescentarem algo “depois de terem absorvido tudo aquilo” (Carvalho, 2010, aula 82), não foram nada mais do que bonecos de ventríloquo de seu mestre. Em contrapartida, para Carvalho, “uma produção cultural e filosófica maravilhosa” é algo que o “sujeito faz aos cinquenta, sessenta anos” (Carvalho, 2016, aula 325) [23] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 30 Jan. 2016, aula 325. , de modo que a “presunção de apresentar uma contribuição original ao desenvolvimento da filosofia” só surgirá “depois de toda uma carreira de professor e investigador” (Carvalho, 2016, aula 325).

Ainda conforme Carvalho, “o filósofo não cria as suas ideias de maneira totalmente livre, porque tem de lidar com os elementos que encontra no presente” (Carvalho, 2016, aula 325), bem como “na própria tradição filosófica”, a qual tenta incorporar. Em vista disso, Carvalho destacava o exemplo do “toque pessoal de Aristóteles”, o qual se tornava mais nítido à medida em que problematizava o “método implícito” de Sócrates e Platão, no sentido de discuti-lo como “um tema e um problema filosófico, coisa que os outros não faziam” (Carvalho, 2016, aula 325). Dessa forma, a “dúvida ou espanto inicial” que “coloca Aristóteles na direção da investigação filosófica” surge “no recinto fechado da Academia, no curso do aprendizado da própria doutrina platônica” (Carvalho, 2016, aula 325), a qual deixava patente “que algo estava faltando”, tornando-a, por sua vez, “um modelo irrealizável na prática, uma sucessão de saltos cognitivos mágicos em vez do desenvolvimento orgânico do conhecimento” (Carvalho, 2016, aula 325).

Consequentemente, Carvalho pontua que a “inspiração inicial de Aristóteles” foi, “até o fim de seus dias, resolver a dificuldade” deixada por Sócrates, nos Diálogos, em que, ao tentar retirar o círculo de atenção que ouvintes davam ao mundo sensível, e elevá-los até a visão do mundo das ideias e dos princípios, ele não ensinaria “como se faz” essa evolução ou “qual é o processo” (Carvalho, 2016, aula 325). Por isso, a filosofia de Aristóteles, ao contrário de ser um ventríloquo de Platão, tem de ser entendida “dentro da filosofia platônica”, na medida em que “toda a sua obra pessoal se destinava a integrar-se nos ensinamentos gerais da academia” (Carvalho, 2016, aula 325), o que significa, portanto, que “não existem duas escolas filosóficas”, mas sim a “escola platônica”, da qual a filosofia de Aristóteles (ao tentar “calçar a construção com elementos de método que a solidifique, de alguma maneira” ) faz parte (Carvalho, 2016, aula 325).

Pode-se concluir que Robson, passando de assunto em assunto (ou, como ele mesmo diz, da criação da Revista Nabuco, que foi encerrada devido “ter mais o que fazer”, como “estudar matemática e lógica”, passando pela conclusão do “Conhecimento por presença”, que também foi deixado de lado para se “dedicar a uma série de ensaios literários”, até o lançamento do “Convivium”), sem se ater a qualquer preocupação com a continuidade da pesquisa, não somente não conseguiu estudar a filosofia de Mário Ferreira do Santos, como também a de Eric Voegelin (os quais, são, por sinal, algumas das referências integradoras da prática filosófica de Carvalho), já que, como Voegelin pontua, “a Academia era uma instituição para a transmissão de conhecimentos”, a qual tinha “em seu centro um grupo de estudiosos extremamente ativos preocupados com o desenvolvimento de problemas” (Voegelin, 2015, p.330) [24] VOEGELIN, Eric. Ordem e História – v. III: Platão e Aristóteles. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2015. , de tal forma que “podia-se examinar o método que havia levado à construção dos termos, sua coerência sistemática”, bem como “testar o seu valor com instrumentos de ciência empírica” (Voegelin, 2015, p.330).

Assim, caso Robson lê-se Voegelin, sobretudo quando ele discorre que “Aristóteles, por vinte anos, foi membro desse grupo, e as respostas de sua obra tardia, embora diferissem amplamente das de Platão, eram respostas a problemas do círculo platônico” (Voegelin, 2015, p.330), enxergaria Aristóteles como um ventríloquo. Parece, pois, que Robson, assim como um certo boneco de madeira, de uma certa fábula famosa, anseia desesperadamente por ser de verdade, o que explica, portanto, a aflição da qual padece: criar algo. Ora, sendo o “exercício fundamental da filosofia” (Carvalho, 2016, aula 325) recompor a prática filosófica, desde os elementos fornecidos pelo filósofo, os quais, muitas das vezes, não são explicados, mas sim praticados na sua frente, o filosofar do discípulo é, pois, uma busca para aperfeiçoar os problemas da experiência filosófica passada. Sendo assim, ao contrário do que Robson entende, dizer que escrevo “platitudes” não é, de maneira alguma, um desmerecimento ou insulto, mas sim o reconhecimento que a minha atividade intelectual, sendo formada pela prática filosófica de Olavo de Carvalho, destina-se a continuar, aprofundar e aprimorar as problemáticas de seu método.

Por sua vez, ao dizer que não está preocupado em continuar as linhas carvalhianas “por considerar que são naturalmente várias as frentes de ação para o indivíduo que realmente introjetou o pensamento” de Carvalho, Robson atesta (de modo apodítico) o seu analfabetismo funcional, tendo em vista que o meu artigo enfatiza apenas que a sua função seria trabalhar o Conhecimento por presença como um eixo central pelo qual uma pesquisa é desenvolvida para formar pesquisadores. Assim, a minha crítica não exorta Robson a continuar essas “várias frentes de ação”, mas sim a liderar a vanguarda carvalhiana, ou seja, continuar a linha de investigação carvalhiana para, a partir de um novo estudo filosófico, formar estudiosos, os quais, por sua vez, abarcariam outro repertório de problemas (cito, aliás, o exemplo de Diego Gracia, aluno direto do filósofo Xavier Zubiri, e um dos líderes da Fundación Zubiri).

Voltando, mais uma vez, a sua atenção para a terminologia “carvalhiano”, Robson alega que a minha preocupação com o termo é uma “prática pseudoacadêmica” desesperadora. Pois bem, é salutar que, mesmo tendo passado pelos trâmites formais da academia, Robson não entende o que é uma prática acadêmica, fornecendo, por conseguinte, um belo mostruário daquilo que a proposta do Jornal Cidadania busca ressaltar: é crucial que o nosso espectro estude as metodologias e pesquisas acadêmicas, levando-as, pois, para fora dos muros universitários. Em contrapartida, Robson é aquele tipo de intelectual que entra na academia para obter um diploma, um título e ascensão técnica no mercado, sem, contudo, aprender um único elemento de pesquisa. Como o único aluno de Olavo de Carvalho que, a partir de uma metodologia científica, buscou documentar e expor as detrações cometidas contra sua pessoa e obra, posso afirmar que os léxicos “bolsolavismo”, “olavismo”, “olavistas” e “olaviano(a)[25]Este léxico, em particular, está presente nas detrações de Nilson Dias de Assis Neto (“Extrema derecha en Brasil: análisis de sus ideas y de sus partidarios tras la dictadura militar”) e de … Continue reading são esquemas conceituais que estipularam o padrão comunicativo formulado pelas detrações.

Nesse sentido, além da problemática que pontuei no segundo tópico deste artigo, destaco que conjugar os estudiosos de Carvalho como olavianos é, pois, partir de um léxico linguístico que já estipulou um módulo mental do referente (Olavo de Carvalho), quer dizer, descrições que, desenvolvendo uma imagem possível do fenômeno, agruparam-se como característica aceita de sua natureza. Isso significa, portanto, que estaríamos utilizando esquemas conceituais que pré-operam, negativamente, as possíveis concepções acerca de Olavo de Carvalho. Portanto, ao defender o léxico carvalhiano, estou buscando aumentar a contradição e divergência entre os esquemas conceituais, de tal forma que eles não possam se comunicar, ocasionando, por sua vez, uma ruptura na conectividade do módulo mental detrator com o referente (Olavo de Carvalho).

Robson, fornecendo doses cavalares de analfabetismo funcional, informa que eu teria dito que os carvalhianos são mais sérios do que a “conduta típica dos olavianos”, quando, na verdade, eu apenas assinalo que ele declara conhecer o ambiente acadêmico, para, logo em seguida, fazer chacota do padrão e rigor terminológico da academia. Fica, pois, evidente que o texto questiona não a “conduta dos olavianos”, mas sim a contradição de Robson, no sentido de se declarar um conhecedor da academia, ao mesmo tempo em que, por mero ranço estético, despreza e desconhece a terminologia.

 

4§ O CHICOTE DA TIAZINHA DANÇA COM VIRGÍNIA FONTES EM PLENO FORROBODÓ: O MÍNIMO SOBRE O CURIOSO FETICHE SEXUAL DE ROBSON


É inegável que a nossa época floresce os desejos sexuais mais bizarros que a humanidade poderia imaginar ou conceber (desde o sadomasoquismo de um “cinquenta tons de cinza”, até zoofilia, necrofilia, etc). Todavia, em seu texto, Robson confessa ter fetiches sexuais ainda mais esquisitos e férteis, nos quais o chicote da tiazinha, em pleno surrubão (chamado forrobodó), confunde Virgínia Fontes com uma professora de graduação, e a obriga descer na boquinha da garrafa. Bem, devo dizer que o fetiche de Robson é tão mirabolante que nem mesmo George R. R. Martin ou E.L. James conseguiriam escrever as cenas e personagens de tal enredo. Ora, se Robson teve de voltar a década de 90 para dar vasão aos seus esquisitos fetiches, tenho, pois, de voltar a descrição que Carvalho (no livro “O imbecil coletivo”) fornece acerca de uma das reações a sua obra, uma vez que Robson, “não gostando deste” artigo, “inventou outro e escreveu sobre ele” (Carvalho, 2018, p.23). [26] CARVALHO, Olavo de. O imbecil coletivo: atualidades inculturais brasileiras. Rio de Janeiro: Record, 2018.

De acordo com Robson, o que o fez se distanciar da esquerda teria sido “a burrice de esquerdistas como Virgínia Fontes”, a qual ele “via refletido em cada professor e colega iletrado” da graduação. Pois bem, o quinto tópico do meu artigo (O mínimo que você precisa saber sobre os subletrados da mera tradição revolucionária) tem dezoito parágrafos, em que apenas o primeiro deles menciona a marxiana Virgínia Fontes, no intuito de explicar a razão pela qual a continuidade e transmissão das linhas de sua ciência social não seriam expostas. Por isso, já que o meu artigo não expõe o seu método históricosocial, é notável que Robson tenha, sem estudar as linhas de pesquisa levantadas por Fontes (quais memórias sociais teriam transmitido, que pesquisadores teriam formado, ou mesmo qual a metodologia que elas buscariam continuar), conseguido concluir que Fontes refletiria a burrice que, supostamente, ele teria encontrado numa professora de graduação.

Parece, pois, que a aflição de Robson (“criar algo”) o pressionou tanto que o seu único escape foi fetichizar uma imagem obsessiva de Fontes, uma vez que o meu artigo buscou, (como deixei nítido, aliás) expor como Décio Saes transmite para Ricardo Antunes uma metodologia sociológica (pela qual a modernização e organização do Estado brasileiro é configurada pelo mercado assalariado de serviços) para que ele possa não só dar continuidade a problemática do método saesiano, como também formar um novo método sociológico (o qual, por sua vez, forma um outro quadro de estudiosos e de linhas de pesquisa). Por conseguinte, se as categorias sociológicas faorianas dão conta de descrever o fenômeno tipológico do debate brasileiro, a crítica cultural ferreiriana explica, de maneira assertiva, o fenômeno mental do intelectual direitista. Como Silva aponta, “o homem de direita tende a fixar o dominio” do “já feito” como a “essencia coagulada” de sua “forma mentis” (Silva, 2010, p.658) [27] SILVA, Vicente Ferreira da. Transcendência do mundo: obras completas. São Paulo: É Realizações, 2010. , o que o torna, por sua vez, incapaz de “superar o que quer que seja”.

Ainda de acordo com Silva, para esse intelectual, “o que existe e na forma em que existe é santo” (Silva, 2010, p.660), ou seja, uma “sacralidade” que “nega toda forma de alteração” (Silva, 2010, p.659), na medida em que “a ordem, a segurança do comprovado pelo tempo é o índice do verdadeiro”. O postulado fundamental do intelectual direitista é, pois, a defesa do clássico e a negação de qualquer força subversiva que ameace desmantelá-lo, ao ponto de se escandalizar com qualquer valor que seja novo ou com “novos modos de pensar”, ainda que “apresentem sinais de veracidade” (Silva, 2010, p.660-661). Por sua vez, o seu esquema intelectual é “fechado, já vivido” e de “sensibilidade obliterada” (Silva, 2010, p.661). Portanto, a forma mentis de Robson, assim como de todo o ambiente intelectual plataformizado, fossiliza a imagem de que só os autores do espectro “direitista” podem ser lidos, enquanto produções intelectuais consideráveis, já que o campo de esquerda não tem contribuição intelectual a dar.

Esse postulado intelectual de Robson desconsidera que a tese de Carvalho de que não existiria, no Brasil, uma luta de classes entre proletários e burgueses, mas sim entre Estado e povo (sendo, pois, necessário instaurar o que ele denominou de “revolução brasileira”), provém de Raymundo Faoro [28]Ver: CARVALHO, Olavo de. Diário – v.1 [recurso eletrônico]. Campinas: Vide Editorial, 2021, p.505.; CARVALHO, Olavo de. A Revolução brasileira e o Estamento burocrático, 01 Out. 2018, … Continue reading, o qual, embora tenha sido um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), Carvalho considerava um cientista político “indispensável” (Carvalho, 2009, aula 15). [29] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 18 Jul. 2009, aula 15. Nesse sentido, talvez o esquematismo “direitista” de Robson esqueça que Carvalho admirou o historiador marxiano, e dirigente comunista, Jacob Gorender, chegando a afirmar que a obra “Escravismo colonial” é uma “análise maravilhosa da economia brasileira”, bem como o “melhor livro sobre a escravidão” (Carvalho, 2013, aula 224). [30] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 19 Out. 2013, aula 224. Contudo, o esquematismo fixo de Robson o leva não somente a negar e desprezar qualquer visão ou contribuição do outro lado sociopolítico, como também a entender que quando um sujeito lê um autor adversário ou uma linha de pesquisa divergente, encontrando, pois, questões pertinentes para análises, ele está compactuando com a posição política deste autor (ou, como diz Robson, com a sua “boçalidade”).

Ora, se é verdade que Robson (como ele mesmo diz) formou-se “ideologicamente lendo autores como Antonio Negri, Guy Debord e Giorgio Agamben”, devo perguntá-lo se o intelectual que, ao invés de negar essa filosofia e sociologia marxiana, conseguisse extrair considerações e questões de suas obras, ramificando-as (a partir de seus pontos cegos) numa outra linha de interpretação, seria de esquerda. O que Ronald confessa (ao reduzir a transmissão metodológica da memória social marxiana a um “lenga lenga vulgarmente anticapitalista”) é que, assim como o estudante iniciante, ele não tem a capacidade para absorver o método das ciências sociais de Carvalho, isto é, ler o que o adversário escreve, tentando “entender aquilo nos termos do próprio personagem” (Carvalho, 2013, aula 207) [31] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 15 Jun. 2013, aula 207. , aceitando-os “como se fossem verdades” (Carvalho, 2017, aula 406) [32] CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 04 Nov. 2017, aula 406. , de modo a, “circunscrevendo o seu horizonte de consciência”, “abranger aquilo que ele não enxerga”, mas “que você enxerga” (Carvalho, 2013, aula 207). Dessa forma, a prática de Robson lembra a fase que todo estudante passa quando inicia uma trajetória intelectual: o medo de se contaminar com um objeto do qual não se tem uma proteção prévia. Destaco que (ao contrário do que Robson entende) jamais afirmei que os marxianos Ricardo Antunes e Virgínia Fontes seriam os “ombros de gigantes” nos quais teríamos de subir, mas sim que, devido a transmissão e continuidade das suas metodologias de pesquisa, Robson não conseguiria debater com esses intelectuais.

Como o leitor pode facilmente constatar, o meu artigo não fez, em momento algum, afirmações de que Décio Saes, Ricardo Antunes ou os seus orientandos (Ricardo Festi, Maria Aparecida e Henrique Amorim) estariam certos ou errados em suas investigações e conclusões, uma vez que me detive em expor apenas as razões pelas quais eles não seriam “subletrados”. Finalizando seu texto, como todo “grande intelectual” direitista  (que “refuta” Marx falando dos seus furúnculos ou da pobreza em que ele deixou seus filhos, “bate” em Paulo Freire, ao chamá-lo de analfabeto, e que “trucida” Foucault, ao narrar suas passagens pelo clube de sadomasoquismo), Robson não confronta uma linha sequer da exposição, ou, muito menos, discute se a linha tríade da investigação que forma a sociologia de Antunes seria uma continuidade metodológica, mas resume-se a jargões, piadas, e descrédito prévio dos intelectuais adversários.

Pode-se, pois, dizer que Robson é uma caricatura envelhecida do personagem Peter Parker, que, percebendo possuir uma grande força, olha tanto para si que não somente fecha-se ao legado transmitido (representado pela famosa frase do tio Ben: “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”), como também renega as inexoráveis responsabilidades que o acompanham. Pois bem, que Robson pule, como bom analfabeto funcional, de mínimos a mínimos, de um fetiche sexual bizarro para outro ainda mais esquisito. Enquanto isso, o Jornal Cidadania continuará a sua proposta de “ventríloquo”: honrar o legado pedagógico de Olavo de Carvalho, o maior filósofo deste século, cuja prática filosófica superou, até mesmo, a contribuição de seus maiores concorrentes (como, por exemplo, Giovanni Reale, Roger Scruton, Enrico Berti, Padre Álvaro Calderón, Carlos Augusto Casanova, Edward Feser, Thomas Alexander Szlezák, Charles Kahn, Ignacio Andereggen, etc). 

References

References
1 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 10 Dez. 2016, aula 365.
2 CASTILLO, Juan Jiménez. La investigación sobre el analfabetismo funcional: estado actual del concepto. Revista electrónica de Educación y Formacion Continua de Personas Adultas, Salamanca, v. 1, n. 1, p.3-23, 2007.
3 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 02 Ago. 2016, aula 326.
4 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 2020, aula 539.
5 SAVIANI, Dermeval. Ensino público e algumas falas sobre a universidade. 3. ed. São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1986.
6 NETTO, José Paulo. Lukács: o longo caminho até a Estética. In: A ATUALIDADE DE GYÖRGY LUKÁCS, 17 Out. 2023, São Paulo: USP. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=wh4vuMZny3k&t=10133s.
7 CARVALHO, Olavo de. Curso a crise da inteligência segundo Roger Scruton. 29 Nov. 2014, aula 06.
8 CARVALHO, Olavo de. Curso Ciência política: saber, prever e poder. Abr. 2021, aula 02.
9 Ver: ARENDT, Hannah; JASPERS, Karl. Hannah Arendt [e] Karl Jaspers: correspondence (1926-1969). New York: Harcourt Brace Jovanovich, 1992, p.689-800.
10 Ver: VOEGELIN, Eric; STRAUSS, Leo. Eric Voegelin – Leo Strauss: fe y filosofía (correspondencia 1934-1964). Madrid: Minima Trotta, 2009.
11 Ver: MCGUIRE, William (org). Freud [e] Jung: correspondência completa. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994.
12 Bem, suspeito que Robson não tenha muito apreço pela filosofia de Santos, tendo em vista que ela deve parecer, aos seus olhos, uma elefantíase verborrágica que, através do chicote da tiazinha, faz tremer a língua portuguesa.
13 SANTOS, Mário Ferreira dos. Teoria do conhecimento. 3.ed. São Paulo: Logos, 1958.
14 Contudo, para uma melhor compreensão, deixo as seguintes indicações: BUNGE, Mario. Ciência e desenvolvimento. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1980.; OTERO, Alicia Rivera. La solución de problemas en el processo de enseñanza-aprendizaje de las Ciencias Sociales. 1994. 521f. Tese (Doutorado em Psicologia da Educação) – Facultad de Psicologia, Universidad Complutense de Madrid, Madrid. 1994.;  KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 1998.; BUNGE, Mario. Epistemología: curso de actualización. 3. ed. Coyoacán: Siglo XXI Editores, 2002.; MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2003.; POPPER, Karl. A lógica da pesquisa científica. 2. ed. São Paulo: Editora Pensamento-Cultrix, 2005.;  KUHN, Thomas S. A tensão essencial: estudos selecionados sobre tradição e mudança científica. São Paulo: Editora Unesp, 2011.
15 Ressalte-se que a diferença entre a história interna de uma ideia científica e a sua história social compõe um dos temas centrais da obra “A tensão essencial”, de Thomas Kuhn.
16 KUHN, Thomas S. A tensão essencial: estudos selecionados sobre tradição e mudança científica. São Paulo: Editora Unesp, 2011.
17 KUHN, Thomas S. El camino desde la estructura: ensayos filosóficos (1970-1993). Barcelona: Paidós: 2002.
18 NOUGUÉ, Carlos. Suma gramatical da língua portuguesa: gramática geral e avançada. São Paulo: É Realizações, 2015.
19 Para fins de esclarecimento, foi considerado apenas os termos chaves mencionados, sem que se tenha feito o que a metodologia de revisão sistemática denomina de refinamento de busca.
20 Destaque-se que, neste artigo, busquei me deter apenas ao escopo que é pertinente ao debate. Para uma melhor compreensão da razão pela qual esse léxico se consolida como um padrão histórico, peço ao leitor que aguarde o meu artigo “Manifesto em defesa da conjugação carvalhiana” (ainda no prelo).
21 CARVALHO, Olavo de. Curso de Astrocaracterologia. Aulas de abr. 1993, bloco 7, fita 1.
22 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 06 Nov. 2010, aula 82.
23 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 30 Jan. 2016, aula 325.
24 VOEGELIN, Eric. Ordem e História – v. III: Platão e Aristóteles. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2015.
25 Este léxico, em particular, está presente nas detrações de Nilson Dias de Assis Neto (“Extrema derecha en Brasil: análisis de sus ideas y de sus partidarios tras la dictadura militar”) e de Cesar Mathias de Alencar (a qual está devidamente documentada no capítulo IV do artigo “Tratado expositivo da incompreensibilidade crítica-acadêmica a Olavo de Carvalho”. Ver: MEDEIROS, Rodolfo Melo de. Tratado expositivo da incompreensibilidade crítica-acadêmica a Olavo de Carvalho – Parte II. Jornal Cidadania Popular, João Pessoa, 19 Out. 2023. Disponível em: https://jornalcidadaniapopular.com.br/tratado-expositivo-da-incompreensibilidade-critica-academica-a-olavo-de-carvalho-parte-ii/  ).
26 CARVALHO, Olavo de. O imbecil coletivo: atualidades inculturais brasileiras. Rio de Janeiro: Record, 2018.
27 SILVA, Vicente Ferreira da. Transcendência do mundo: obras completas. São Paulo: É Realizações, 2010.
28 Ver: CARVALHO, Olavo de. Diário – v.1 [recurso eletrônico]. Campinas: Vide Editorial, 2021, p.505.; CARVALHO, Olavo de. A Revolução brasileira e o Estamento burocrático, 01 Out. 2018, Maranhão: UFMA,. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=H38NissxuAQ.
29 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 18 Jul. 2009, aula 15.
30 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 19 Out. 2013, aula 224.
31 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 15 Jun. 2013, aula 207.
32 CARVALHO, Olavo de. Curso online de filosofia. 04 Nov. 2017, aula 406.
Rodolfo Melo

Rodolfo Melo nasceu em João Pessoa – PB; é Presidente e Editor Chefe do Jornal Cidadania Popular; aluno do COF desde 2016, tendo feito também o curso “PSICOLOGÍA DE LA TEMPLANZA”, com o Psicólogo Tomista Martin Echavarría.

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