Inspirando-se [1]N.E. O texto inicial deste artigo, que abrange os objetivos e a metodologia geral da série, foi padronizado como apresentação metodológica geral de todos os artigos que a compõem. Redigido por … Continue reading metaforicamente na ideia do filósofo Olavo de Carvalho (1947-2022) de traçar uma “fórmula de autodefinição ideológica” [2]CARVALHO, Olavo de. Fórmula da minha composição ideológica. O Globo, Rio de Janeiro, 23 dez. 1998. Disponível em: https://olavodecarvalho.org/formula-da-minha-composicao-ideologica/. Acesso … Continue reading, um “perfil ideológico” [3] CARVALHO, Olavo de. Fórmula da minha… Op.cit., p.1. , enquanto “auto-retrato de frente e de costas” [4] Ibidem. , esta série de artigos tem por objetivo mapear o horizonte do referencial-teórico [5]Esquema conceitual tomado do filósofo e epistemólogo Lorenz Bruno Puntel (1935-2024). Ver: PUNTEL, Lorenz Bruno. Estrutura e ser: um quadro referencial teórico para uma filosofia sistemática. … Continue reading pelo qual pode-se rastrear (tornar consciente) a origem dos processos históricos (bem como das tradições) de estudo sob os quais e a partir dos quais os colunistas do Jornal Cidadania Popular praticam suas próprias pesquisas.
Todavia, na medida em que esta série não pretende apresentar a “composição ideológica” dos colunistas (nem, muito menos, os ditames políticos que defendem ou nos quais acreditam), mas sim cartografar as influências intelectuais que, na própria prática de pesquisa, referenciam teoricamente a historicidade das questões dos pesquisadores do Jornal Cidadania Popular (sobretudo, os fixos e regulares), toma-se o artigo de Carvalho apenas como alusão heurística.
§ Metodologia
Como o próprio título desta série de artigos sugere, não é considerado como influência o intelectual que é meramente objeto de admiração ou respeito, mas sim o intelectual cuja influência referencia teoricamente a pesquisa do pesquisador, na prática (ato) do próprio processo de pesquisa. Sendo assim, tais referências-teóricas seguem a lógica histórica ou a imagem dinâmica [6]Esquema conceitual tomado do epistemólogo Thomas Samuel Kuhn (1922-1996). Ver: KUHN, Thomas Samuel. El camino desde la estructura: ensayos filosóficos (1970-1993). Barcelona: Paidós, 2002; KUHN, … Continue reading do percurso de pesquisa, isto é, podem ser revisadas, tensionadas, renovadas e transformadas com a (e na) própria pesquisa. Sendo um processo praticado sob e a partir de condições históricas, a hierarquia das referências-teóricas, bem como das áreas ou disciplinas, estão condicionadas ao posicionamento teórico-biográfico do pesquisador, e não da tradição, disciplina ou área em si.
Por exemplo, de acordo com o posicionamento teórico-biográfico do pesquisador X, a filosofia pode ser a área hierárquica máxima, abaixo da qual figuram todas as outras; por sua vez, para o posicionamento teórico-biográfico do pesquisador Y, a literatura seria a área que ocuparia tal espaço, sem que isso signifique (tanto em um caso, como no outro) que exista realmente esse nível hierárquico entre as disciplinas ou áreas, postulado metodológico que se aplica também ao nível hierárquico a partir do qual cada pesquisador escalona os autores ou tradições no interior de seu mapa referencial-teórico pessoal.
Por conseguinte, tal escalonamento segue o nível hierárquico que a influência têm, enquanto iminente referência, no ato (prática) da própria dinâmica ou processo histórico de pesquisa, e não segundo as importâncias afins ou derivadas que ela adquire ou pode adquirir em assuntos correlatos. Por exemplo, pode acontecer do pesquisador conceder um alto grau hierárquico de influência a um autor, mas a disciplina ou área, na qual ele está inserido, não fazer parte do processo de pesquisa que o pesquisador está praticando, não sendo incluída, portanto, no seu mapa referencial-teórico, ainda que ele repute uma importância correlata para o autor, a disciplina ou a área.
Nesse sentido, a metodologia desta série de artigos estipula os seguintes postulados:
(i) em cada disciplina ou área do mapa referencial-teórico do pesquisador, o escalonamento dos autores seguirá uma hierarquia descendente, quer dizer, o autor numerado I (N-I) terá nível hierárquico superior ao N-II, o qual, por sua vez, terá nível hierárquico superior ao N-III, e assim por diante;
(ii) no escalonamento, cada fila de numerados (Ns) pode conter autores cujo peso referencial-teórico não é superior nem inferior, mas igual. Nesse caso, os autores serão apresentados, no mesmo numerado (N), separados por ponto e vírgula (;), de modo que cada um deles comportará, dentro do respectivo N em que aparecerá, o mesmo peso referencial-teórico;
(iii) assim como nos Ns de autores, as disciplinas ou áreas receberão Ns descendentes (N-1; N-2…), seguindo também o que foi estipulado no postulado (i);
(iv) ao final dos Ns de cada disciplina ou área, será apresentado a posição do pesquisador no interior do mapa referencial-teórico, ou seja, a posição teórica-biográfica que o pesquisador, ao dialetizar criticamente os horizontes teóricos de cada tradição hierarquizada (a que pertencem cada um dos autores), sistematiza e assume como sua linha intencional-própria de pesquisa.
1§ Filosofia geral
I – Martin Heidegger (1889–1976); Kitarō Nishida (1870–1945)
II – Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770–1831)
III – Nāgārjuna (c. 150–250)
IV – John Duns Scotus (c. 1266–1308); Meister Eckhart (c. 1260–1328)
V – György Lukács (1885–1971); István Mészáros (1930–2017)
VI – Platão (c. 427–347 a.C.); Aristóteles (384–322 a.C.); Damáscio (c. 458–538)
VII – Laozi (c. século VI a.C.); Sun Tzu (c. século V a.C.)
VIII – Olavo de Carvalho (1947–2022)
IX – Byung-Chul Han (1959–)
(*) Sistematização do posicionamento teórico-biográfico de pesquisa no interior do mapa referencial-teórico: Ontologia da negatividade e do lugar: investigação dos limites do fundamento, articulando metafísica clássica, dialética e filosofia do vazio.
2§ Economia política
I – Karl Marx (1818–1883)
II – Roman Rosdolsky (1898–1967); Isaak Illich Rubin (1886–1937)
III – Ruy Mauro Marini (1932–1997); Samir Amin (1931–2018)
IV – Caio Prado Jr. (1907–1990); Celso Furtado (1920–2004)
V – Florestan Fernandes (1920–1995); Nelson Werneck Sodré (1911–1999)
VI – Rosa Luxemburg (1871–1919); Vladimir Ilyich Lenin (1870–1924)
VII – David Harvey (1935–); Kohei Saito (1987–)
VIII – José Paulo Netto (1947–); Jorge Grespan (1956–)
(*) Sistematização do posicionamento teórico-biográfico de pesquisa no interior do mapa referencial-teórico: Crítica marxista da economia política da dependência, com ênfase na colonização extrativa e na financeirização periférica do capitalismo.
3§ Literatura
I – Fyodor Dostoevsky (1821–1881)
II – Marcel Proust (1871–1922)
III – Virginia Woolf (1882–1941)
IV – Graciliano Ramos (1892–1953); Machado de Assis (1839–1908)
V – Honoré de Balzac (1799–1850); Gustave Flaubert (1821–1880); Liev Tolstói (1828–1910)
VI – Nikolai Gogol (1809–1852); Henry James (1843–1916); Edgar Allan Poe (1809–1849)
VII – Katherine Mansfield (1888–1923); André Gide (1869–1951); Thomas Mann (1875–1955)
VIII – Albert Camus (1913–1960); Jean-Paul Sartre (1905–1980); Graham Greene (1904–1991)
IX – Lima Barreto (1881–1922); Eça de Queiroz (1845–1900); Monteiro Lobato (1882–1948)
X – José Geraldo Vieira (1897–1977); Octávio de Faria (1908–1980); Josué Montello (1917–2006); Marques Rebelo (1907–1973)
XI – Gustavo Corção (1896–1978); Emanuel Guimarães (1921–1995)
XII – Arthur Conan Doyle (1859–1930); Alexandre Dumas (1802–1870); Colette (1873–1954); Thomas Harris (1940–)
(*) Sistematização do posicionamento teórico-biográfico de pesquisa no interior do mapa referencial-teórico: A literatura como revelação estética da experiência histórica e da interioridade — especialmente do tempo, da memória e das formas culturais do subdesenvolvimento.
References
| ↑1 | N.E. O texto inicial deste artigo, que abrange os objetivos e a metodologia geral da série, foi padronizado como apresentação metodológica geral de todos os artigos que a compõem. Redigido por Rodolfo Melo, editor-chefe do Jornal Cidadania Popular, esse texto será reproduzido nos demais artigos da série. |
|---|---|
| ↑2 | CARVALHO, Olavo de. Fórmula da minha composição ideológica. O Globo, Rio de Janeiro, 23 dez. 1998. Disponível em: https://olavodecarvalho.org/formula-da-minha-composicao-ideologica/. Acesso em: 13 mar. 2026 [citado na p.1]. |
| ↑3 | CARVALHO, Olavo de. Fórmula da minha… Op.cit., p.1. |
| ↑4 | Ibidem. |
| ↑5 | Esquema conceitual tomado do filósofo e epistemólogo Lorenz Bruno Puntel (1935-2024). Ver: PUNTEL, Lorenz Bruno. Estrutura e ser: um quadro referencial teórico para uma filosofia sistemática. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2008. |
| ↑6 | Esquema conceitual tomado do epistemólogo Thomas Samuel Kuhn (1922-1996). Ver: KUHN, Thomas Samuel. El camino desde la estructura: ensayos filosóficos (1970-1993). Barcelona: Paidós, 2002; KUHN, Thomas Samuel. The last writings of Thomas S. Kuhn: incommensurability in science. Chicago: University Chicago Press, 2022. |