Revolução sexual: o sexo como arma política – Parte IV

  • Jorge Teixeira
  • 18 out 2022

No último tópico deste artigo, será analisado não mais ferramentas para que, de fato, a Revolução Sexual possa acontecer, mas sim o desenrolar desta quando já conclusa – começando pela normalização da pedofilia, até a normalização do canibalismo. Porém, os ideais de Alfred Kinsey, assim como os de Marquês de Sade, foram, mesmo sendo a época da “liberdade sexual”, totalmente negados pelo seu tempo – embora, em 2004, eles tenham conseguido ganhar alguma atenção um tanto quanto estranha.

Em 2004, Bill Condon dirigiu e Liam Neeson protagonizou o filme biográfico que contou a história de Alfred Charles Kinsey. Valendo-se de todos os eufemismos possíveis, Hollywood consagrou Kinsey como um pesquisador revolucionário e preocupado com a liberdade sexual da sociedade americana. Antes que Witting elaborasse a proposta do ‘padrão lésbico’, Kinsey já havia criado a ‘escala gay’.  Duas obras – por ele produzidas – compõem o que chamamos de ‘Relatório Kinsey’: corpo robusto do movimento feminista: ‘ O comportamento sexual do macho humano’ – a primeira grande produção bibliográfica da famigerada revolução sexual -, e ‘O comportamento sexual da fêmea humana’”. [1]  Ana Campagnolo: Feminismo: Perversão e Subversão, página 248

Alfred Kinsey (1894- 1956) nasceu em Indiana-EUA. O pai de Kinsey era protestante e membro de uma Igreja Metodista local. Por ser religioso, ele proibia que, em sua casa, os membros bebessem álcool, danças pagãs e fumos em geral. Kinsey formou-se em zoologia por Bowdoin College e acabou especializando-se em vespas. Como colecionou entre um milhão de vespas do gênero Cynips, ganhou, por isso, respeito e admiração dos seus colegas – admiração essa que o levou a lecionar em Indiana, lá conhecendo Clara McMillen, com quem veio a se casar aos 25 anos.

Porém, foi na lua-de-mel que Kinsey deparou-se com seu primeiro problema: o ato sexual era muito dolorido para sua esposa e, por isso, Kinsey foi procurar ajuda – o que o levou a perceber que a sexualidade era um assunto um tanto quanto vago em termos intelectuais, levando-o a estudá-la com mais profundidade. Seus estudos com vespas o fez perceber que, mesmo em um grupo já definido, existem muitas indefinições, e estas acabam o levando até a relação humana, pois ele achava a separação entre “homo” e “hétero” binária demais. Para o sexólogo, qualquer relação pode ser válida e, ainda assim, continuar a ser moral.

Kinsey afirmava: “falando em termos biológicos, não existe, na minha opinião, nenhuma relação sexual que eu considere anormal. O problema é que a sociedade está condicionada por normas tradicionais para fazer crer que a atividade heterossexual dentro do casamento é a única correta e sã entre as expressões sexuais. Levar a cabo qualquer tipo de atividade sexual é libertar-se do condicionamento cultural que a sociedade impõe, e que leva a fazer distinção entre o que é o bem e o mal, entre o lícito e o ilícito, entre o normal e o anormal, entre o aceitável e o inaceitável na nossa sociedade”. [2] Kinsey fala de sexo

Se Kate Millett desenvolveu a tese que conecta o sexo a uma revolução, se Butler deu a ferramenta do “gênero”, se Wittig deu a ferramenta do “lesbianismo político”, se a ONU deu a ferramenta do Antinatalismo, se Margaret Sanger deu a ferramenta da pílula, Alfred Kinsey desfrutará de todas estas – para aplicá-las em teorias ainda mais bizarras. Kinsey é o primeiro capítulo da Revolução Sexual quando já ativa. Não há diferença entre um relacionamento de um homem e uma mulher e de um homem e uma criança, ou de uma mulher com um cachorro.

Este conteúdo está bloqueado

Assine agora ou faça login para desbloquear o conteúdo!

 

 

References

References
1   Ana Campagnolo: Feminismo: Perversão e Subversão, página 248
2 Kinsey fala de sexo
Jorge Teixeira

Jorge Teixeira nasceu em Guaratinguetá, SP, mora em Campinas. É aluno do COF desde 2020. Em setembro de 2021, tornou-se aluno da deputada estadual Ana Campagnolo. Protestante, nutre gosto por história e filosofia.

Assine nossa Newsletter!

Assine nossa newsletter por e-mail para receber artigos úteis e ofertas especiais.


    Tags populares

    #4discursos#8m#actante#Adolescente#AlainPeyrefitte#AlfredKinsey#Alienação#AltaCultura#Amadeus#AmãodeDeus#Amlet#AnaCampagnolo#Analiseliteraria#Anime#AntonioGramsci#AntonioMazzeo#Antoniorago#Antropologia#aparelhosprivadosdehegemonia#Aristoteles#Arte#artedopossivel#Artes#Artesacra#Autoridade#Beleza#biografia#Blackclover#Bleach#Boecio#Boitempo#Bokunohero#BradPitt#Brasil#Brasilparalelo#burguesia#burke#CapitalIntelectual#CapitalSocial#Caridade#CarlJung#Celsofrederico#Certeza#Chesterton#cidadania#circulodelatencia#COF#comunismo#Confiança#consciência#consciente#conservador#conservadorismo#convicção#CornelioFabro#Cornu#Cosmologia#Cosmos#Cratologia#Crianças#cristianismo#Cristo#Critica#cultura#CulturaOriental#CulturaPop#cursoonlinedefilosofia#Dalila#Deathnote#decadialetica#DecioSaes#democraciaracial#Depressão#Desenvolvimentosocioeconômico#Deus#dialetica#Dialeticasimbolica#DiaM#Dianabarros#Direita#discursivo#discurso#Divorcio#Dostoievski#Drama#EdgarAllanPoe#Edithstein#edmundhusserlcontraopsicologismo#Educação#Educaçãodomiciliar#ego#Epistemologia#epistemologiafilosofica#eraumavez#Ericvoegelin#escoladefrankfurt#Escolastica#Espírito#esquerda#Estado#Eternidade#Etzel#Evidência#Existencialismo#extremadireita#fantastico#Fariasbrito#fascismo#FaustoZamboni#Fé#feminismo#Filmes#Filosofia#FilosofiadoDireito#FilosofiadoValor#Filosofiapolítica#Filosofiatransconsciêncial#FrançoisLecoutre#FriedrichEngels#Frodo#Gênero#GeorgeOrwell#Gilbertofreyre#GordonAllport#Gramsci#Greimas#GyörgyLukács#HannahArendt#HansKelsen#Hegel#Heidegger#Histericos#Homem#Homemcomum#Homeschooler#ideologia#Igreja#Iluminismo#Império#inconsciente#Índice#IndústriaCultural#integralismo#intelectualidade#Inteligência#Inteligenciaemocional#inteligenciaeverdade#introduçãoaolavodecarvalho#Intuição#IstvánMészáros#ItaloMarsili#IvanIllich#Jakobwassermann#Japão#Jardimdasaflições#Jaspers#Jeancalvez#JeanJacquesRousseau#Joãocamilo#jornalcultural#josepaulonetto#JrrTolkien#JuanCruzCruz#JudithButler#JulianMarias#jusnaturalismo#juspositivismo#Kant#KarlMarx#KateMillett#Kierkegaard#kirk#Kollontai#korsch#Lavelle#Leiseternas#leisontologicas#LeonardoDicaprio#LeszekKolakowski#Libidodominandi#linguagem#Literatura#logoi#Logoterapia#LouisLavelle#Lukács#Luke#Mangá#Maquiavel#MargaretSanger#MaríliaMoschkovich#Marioferreira#Marlyviana#Marx#marxianos#marxismo#marxistas#marxologos#maturidade#Maurizius#Mentalidaderevolucionaria#Meszaros#Metafisica#metafisicacarvalhiana#midcult#Mídia#Midiasemmascara#Mídiassociais#Milosforman#Mito#Mozart#Mundo#NancyFraser#Nãoolheparacima#narrativo#Naruto#Natal#Naturezahumana#negacionista#neocon#neofascismo#Netflix#Nietzsche#Niilismo#Ocorvo#Ódio#Ogatopreto#ohobbit#Ohomemdonorte#Olavodecarvalho#OliveiraViana#OminimosobreOlavodeCarvalho#Ontologia#ONU#OrtegayGasset#ortodoxia#osenhordosaneis#OSilmarillion#Oswaldspengler#Otaku#Pais#pandemia#PaoloSorrentino#Pascoa#passado#Patronato#PedroLombardo#Peirce#pentadialetica#perelman#Personalidade#perspectivarotatoria#Poder#Podermoderador#Pólis#Ponerologia#popular#Portugal#práxis#presençadoser#Programanarrativo#Prudencia#Psicologia#Raskólnikov#Raymondaron#reacionarismo#realidade#realidadebrasileira#ReneGuenon#República#RevistaVeja#Revoluçãosexual#RicardoAntunes#RobertdeNiro#RobertEggers#RonaldRobson#Rosaluxemburgo#Rosenstock#Rubel#sabedoriadasleiseternas#Sacerdotes#Sade#Sansão#SantoTomásdeAquino#Semantica#SeminariodeFilosofia#Semiótica#sensocomum#SentidodaVida#Ser#Sereconhecer#Simba#Simbolo#SimonedeBeauvoir#sinceridade#Sleepers#soberba#sociedade#Sociologiadotrabalho#Stalin#Susannelanger#Tarantino#Temperamentos#TeoriadasDozeCamadas#texto#The WalkingDead#TheodoreDalrymple#tiagoamorim#TimLahaye#TokyoGodfathers#Tolkien#Tradição#Transcendente#TratadodosValores#travesti#Tribos#Triplaintuição#Trivium#Tzvetantodorov#Umanel#Unamuno#universidade#utilitarismo#Valor#Verdade#Vida#VidaIntelectual#Videeditorial#Vieira#ViktorFrankl#VirgíniaFontes#Vontadeintelectual#weilAndrewLobaczewskiAxiologiaCruzPadreBobbySimbolismoVIsalãodolivropolítico