Os Fundamentos da Cultura Brasileira ou a origem da nossa mentalidade – Parte 1

  • Isaac Denyon Fonseca
  • 20 dez 2021

Durante a sua história, o Brasil passou por diversos e inumeráveis problemas, mas, por mais diversos que sejam, a origem deles é una. O livro em questão mostra relatos de pessoas públicas que explanaram a nossa nação – cada um a seu modo, apesar das diferentes palavras e pontos de vista que foram enfocados. Camilo seleciona os relatos do senador de São Paulo, Vergueiro, que em 1841 disse que era de conhecimento geral que todas as agitações daquela época eram advindas da antecipação da criação do sistema político ao sistema social. Alceu Amoroso Lima, que em 1922 antecipou uma série de acontecimentos sobre o Estado brasileiro, cita o fato do Brasil ter criado uma série de meios antes de haver pessoas que as usufruíssem – como bancos, governos, escolas, chegando até mesmo a ter vontade de ser uma potência mundial, tudo isso sem pessoas ou condições internas. Camilo complementa a fala de Amoroso com a ideia de que até mesmo a legislação trabalhista foi criada antes do país ter um proletariado.

João Camilo, através dessa pequena complementação, mostra-nos que o problema está no Estado sempre tomar medidas sem que haja povo para aproveitá-las. Podemos, apenas para ilustrar, usar o caso dos sindicatos no Brasil:  “O sindicato, no Brasil, não surge da livre iniciativa dos associados – a sua organização é regulamentada por lei, e só é sindicato a entidade devidamente aprovada pelo Ministério do Trabalho, que exerce uma suprema inspeção sobre a vida sindical. Ora, esta organização é bem aceita e os grupos interessados, geralmente, resistem às tentativas de modificá-la, seja em que sentido for, tentativas sempre levantadas por pessoas fora dos meios sindicais e operários.”  [1] João Camilo de Oliveira Torres. Interpretação da Realidade Brasileira. 2017. Pág 44

Uma situação que também chama muita atenção é na questão econômica, mais especificamente nas relações entre empresas privadas e o Estado. Camilo, que veio a estudar de forma bastante aprofundada o pensamento do economista austríaco Ludwig von Mises, vê com bastante interesse essa questão. Ele nos informa que enquanto em outros lugares buscar-se-iam meios mais óbvios para lidar com problemas econômicos, o Brasil busca meios que em outras partes do mundo seriam considerados como suicídios de interesses. A chamada “classe patronal”, normalmente, preza muito a sua liberdade, que é usada das formas mais eficazes para maximizar os lucros do seu empreendimento.

Entretanto, em nosso país: “…Em plena belle époque, os produtores de café se organizaram e conseguiram do governo a montagem de um mecanismo destinado a manter os preços, artificialmente, no mercado internacional, jogando pela janela os princípios do livre-cambismo, da divisão do trabalho no campo internacional, da economia de mercado e da lei da oferta e da procura. O Convênio de Taubaté significa, no Brasil, o repúdio mais formal aos princípios manchesterianos, não em nome de operários, mas de patrões”. [2]Ibidem 

Camilo nos dá a justificação, a partir do Conselheiro Afonso Pena. Resumindo a sua longa explicação – que no livro chega a dar aproximadamente 3 páginas – ele diz que há um problema de demanda e consumo sobre a lavoura cafeeira, e que cabe ao Estado dar um jeito de o corrigir. Algo que chama atenção é que, no seu texto, vemos uma parte à qual Afonso diz que tal correção não vai contra os bons métodos econômicos, e que o Brasil é uma exceção na economia internacional – pois ele ocupava, na época, uma posição de monopólio dentro do mercado cafeeiro internacional.

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References

References
1 João Camilo de Oliveira Torres. Interpretação da Realidade Brasileira. 2017. Pág 44
2 Ibidem
Isaac Denyon Fonseca

Isaac Denyon Fonseca, natural de Teresina, Piauí. Bacharel em Jornalismo e Licenciando em Língua Portuguesa/Inglesa. Estudante da obra de Mário Ferreira dos Santos e Louis Lavelle.

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