A lei da Tetractys e os 4 discursos: um paralelo entre Mário Ferreira e Olavo de Carvalho – parte II

  • Isaac Denyon Fonseca
  • 27 dez 2021

Agora que resumimos, em nossa parte I [1] https://jornalcidadaniapopular.com.br/a-lei-da-tetractys-e-os-4-discursos-um-paralelo-entre-mario-ferreira-e-olavo-de-carvalho-parte-i/ , as duas fontes que usaremos nessa fusão filosófica, temos de especificar a área de atuação dos quatro discursos. Portanto, haveria algo anterior a poética e posterior a lógica? Responder essa pergunta é essencial. Vamos então por partes. A poética é ato criativo próprio do ser humano; com ela, conseguimos criar conforme a andança; conseguimos ir a lugares onde apenas a mente pode vaguear. Mas, o que haveria antes da criação? Antes de imaginarmos?

Na Filosofia Concreta, Mário Ferreira deixa-nos claro que nada vem do Nada Absoluto, pois ele nada pode gerar. Ao mesmo tempo, no Ser Supremo encontram-se todas as possibilidades de que a existência dispõe, pois nele ente e essência coincidem. Podemos afirmar que o discurso poético não encontrou o Nada Absoluto anterior a ele mesmo,  mas uma aparência de nada – como se fosse uma parede branca. Por trás dessa parede achamos as possibilidades de toda a existência – e é dela que tiramos a nossa criatividade, em tudo que a poética é capaz de nos oferecer. O discurso poético é na verdade uma espécie de filtro por onde as possibilidades, da essência do Ser Supremo, podem ser compreendidas pelo homem.

Resolvido o primeiro problema, passemos ao próximo: o que se encontra após o discurso lógico? Façamos segundo o conselho do professor Olavo, e partamos da fonte mais alta. Qual a maior fonte lógica que o ser humano é capaz de projetar? Trata-se logicamente do método lógico-matemático. Dentro das fórmulas matemáticas há apenas a mais pura abstração, o separar da concretude em quase tudo – exceto por um aspecto: o número e a coerência. Ao dizermos que 1+1=2 não afirmamos o que seja esse 1, mas sabemos que, no mundo concreto, as coisas realmente dão-se desse modo.

Mas o que há para além da lógica? Caso essa conta matemática encerre dentro de si o mais puro abstracionismo, a resposta a essa pergunta estaria em elevarmos o nível de abstraimento a níveis cada vez maiores –  até que chegássemos ao resultado de  falarmos a respeito do “nada” – mas não do Nada Absoluto, pois ele não é – do nada relativo, a não presença de coisa alguma, apenas o vácuo, o que é nada. Logo entendemos porque Platão, para evitar de chegar a tal nível de abstração, usava o recurso de contar histórias como modo de ensino. Ao subirmos nos mais altos níveis de afastamento do mundo real, devemos, humildemente, a ele voltar –  pois só assim nos aproximaremos da fonte de todo o conhecimento.

 

       O Discurso Poético e a Lei do 1

Há histórias desde  que os homens andaram sobre a terra. Histórias podem ser tanto de reais como imaginárias, as chamadas ficções. Mas, o que as une? Qual o motivo delas serem chamadas pelo mesmo nome? Aquilo que une todos os discursos poéticos é apenas uma coisa: a criatividade humana. Assim como Aulë, que no Silmarillion cria os anões imitando seu pai, os homens fazem o mesmo imitando a Jeová. Como nós não podemos criar o universo, criamos nossos contos – sempre com o objetivo de criar nossa própria realidade, ainda que saibamos que jamais conseguiremos. 

 

      O Discurso Poético e a Lei do 2

Toda história, para cumprir bem o seu papel, precisa ser contada para outro, nem que esse outro seja a própria pessoa que está a contar. Logo, além dos próprios gêneros literários – que possuem uma variedade tão grande quanto o número de contadores – , há a necessidade da possibilidade do Ser, e de um ser que enxergue essa possibilidade e a conte. Em outras palavras, toda história precisa de um contador. A possibilidade dessa história ser imaginada, e contada, é o efeito da lei do 2 dentro do discurso poético.

 

      O Discurso Poético e a Lei do 3

A inteligência humana é o que nos permite enxergar a realidade tal como ela é. Podemos afirmar, apesar dos argumentos de muitos contra essa possibilidade, que o ser humano, no aspecto terreno, é o único ser que entende o que é a realidade – mesmo que nunca tenha pensado de forma tão profunda. Com a inteligência, transcendemos os aspectos imanentes da realidade, dando assim significado a coisas. Com a inteligência temos vantagens que de outra forma não teríamos. Logo, podemos dizer que o caminho que a poética cruza – das possibilidades do Ser até a fala humana – chama-se inteligência.

 

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1 https://jornalcidadaniapopular.com.br/a-lei-da-tetractys-e-os-4-discursos-um-paralelo-entre-mario-ferreira-e-olavo-de-carvalho-parte-i/
Isaac Denyon Fonseca

Isaac Denyon Fonseca, natural de Teresina, Piauí. Bacharel em Jornalismo e Licenciando em Língua Portuguesa/Inglesa. Estudante da obra de Mário Ferreira dos Santos e Louis Lavelle.

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