A Pentadialética e a Decadialética: uma análise da potência única dos quatro discursos – Parte I

  • Isaac Denyon Fonseca
  • 6 out 2022

Caro leitor, os nossos dois maiores autores brasileiros, Mário Ferreira dos Santos e Olavo de Carvalho, nos legaram duas obras de extremo valor: A Sabedoria das Leis Eternas e a Teoria dos Quatro Discursos. Como já dito, em outros artigos, quem quer que as tenha lido, poderá perceber que, entre ambas, há uma espécie de tangente. O que os logoi teriam a ver com os Discurso? Haveria algum traço em comum entre a Decadialética e os Quatro Discursos?

Pensando em dar o que, possivelmente, seja o início dessa resposta, resolvemos, então, reavaliar os métodos que tínhamos, em vista de apresentar as 10 leis do discurso humano, como as 40 leis somadas das suas potências, sendo: 10 da poética, 10 da retórica, 10 da dialética e 10 da lógica.  Continuaremos com tal planejamento, porém, após novos estudos sobre a metafísica ferreirana, vimos que o projeto estaria incompleto.

Assim sendo, decidimos acrescentar às análises, os métodos criados pelo próprio Mário Ferreira. Desse modo, assim se dará o novo roteiro:

I – Potência do Discurso: 10 Leis, Analise Pentadialética, Análise Decadialética.

II – Discurso Poético: 10 Leis, Analise Pentadialética, Análise Decadialética.

III – Discurso Retórico: 10 Leis, Analise Pentadialética, Análise Decadialética.

IV – Discurso Dialético: 10 Leis, Analise Pentadialética, Análise Decadialética.

V – Discurso Lógico: 10 Leis, Analise Pentadialética, Análise Decadialética.

 

Trataremos ainda de realizar os dois métodos restantes: a Dialética Concreta e a Dialética Ontológica. Com isso, temos por hipótese ser possível realizar o desenvolvimento de uma Filosofia Concreta baseada na Teoria dos Quatro Discurso – onde seremos capazes de extrair o máximo dela. Nosso desejo é de, muito mais do que expor tais métodos, usá-los em algo prático – oferecendo, assim, ao nosso leitor, a observação do salto do ato de mostrar ao da demonstração. 

 

1§ Análise Pentadialética do Discurso Humano


1) Como Unidade: O tema da unidade discursiva, segundo Aristóteles.

2) Como Totalidade: É uma temática que está subjacente na filosofia aristotélica, percebida apenas por Tomás de Aquino e Avicena – e foi explanada por Olavo de Carvalho.

3) Como série: Estruturado no pensamento teórico grego.

4) Como sistema: Estruturado no ciclo cultural grego.

5) Como universalidade:  Estruturado na conjuntura geral da cultura humana da era pré-cristã.

 

Partindo da reciprocidade, à qual pode ser constatada partindo das análises dos planos expostos, observamos como determinadas facetas da filosofia aristotélica não podem ser totalmente compreendidas sem que se considere as suas estruturas e influências que delimitam, explicam e o caracterizam. Para que uma colocação Pentadialética possa ser escrita, não podemos ignorar a cultura na qual essa temática foi desenvolvida e gestada – ou deixar de considerar o importante papel que a vida da sociedade grega teve.

A segunda providência, que já fora realizada em outros artigos, é precisar em que consiste a questão da potência única discursiva, a qual dará origem aos quatro discursos. Para tanto, usamos as leis eternas, nomeadas logoi pelo próprio Mário Ferreira, onde descrevemos esse objeto de estudo nas suas dez leis. A terceira providência consiste em apresentarmos dialeticamente o pensamento que será analisado. Temos, então: 

Tese — todo discurso é um movimento de uma proposição a outra, produzido por um emissor, com intenção de modificar um receptor.

Antítese — é necessário que o receptor aceite, ou seja, deposite credibilidade em alguma medida, a movimentação entre proposições do emissor e as suas conclusões.

Há, nesses conceitos de base dados por Carvalho, uma relação antitética, que fundamentará a existência do discurso em sua definição: a motivação da modificação do emissor e a credibilidade por parte do receptor. Todo discurso, tem por finalidade atingir a verdade, ou seja: em si mesmo todo discurso é verdadeiro, pois, caso se desse o oposto, seria impossível de o pronunciar – já que, sendo falso, até para si mesmo, ele negaria a sua existência. Logo, podemos afirmar que, gnosiologicamente, no momento em que se dá o movimento, na ligação entre proposições é estabelecida alguma categoria de credibilidade no discurso. 

Síntese –  tomado as proposições que fundamentam o discurso como sendo verdadeiras, ou seja, quando o receptor cede o mínimo de credibilidade a tentativa de provocar alguma modificação tornando-as premissas, as conclusões serão tomadas como aquilo que é acreditável. Seguindo essa ordenação, temos o trânsito do acreditado ao acreditável, que terá a sua harmonia ditada por um encadeamento de nexos, e isso formatará a definição da Unidade do Discurso – a qual todos os outros discursos pendem e dependem para poderem existir e serem produzidos.

Podemos seguir, agora, para a quarta providência. Nela, podemos analisar pentadialeticamente o pensamento aristotélico sobre o discurso – nos termos carvalhianos, sobre a potência única discursiva.

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Isaac Denyon Fonseca

Isaac Denyon Fonseca, natural de Teresina, Piauí. Bacharel em Jornalismo e Licenciando em Língua Portuguesa/Inglesa. Estudante da obra de Mário Ferreira dos Santos e Louis Lavelle.

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