Jornal Cultural – o que é e o que queremos

  • Rodolfo Melo
  • 1 dez 2021

Visando mostrar ao leitor qual é o objetivo desta nossa iniciativa, acreditamos que este itinerário é a melhor forma de fazê-lo. Pois bem, primeiro é preciso que fique claro a distinção entre jornal de massa e jornal cultural. Nas palavras do Filósofo e Professor Olavo de Carvalho, o jornalismo cultural é: “ao mesmo tempo, um reflexo jornalístico da criação cultural e ele mesmo um tipo de criação cultural”. [1]https://olavodecarvalho.org/quatro-perguntas-para-olavo-de-carvalho-sobre-jornalismo-cultural/ Dito de outro modo: o jornalismo cultural atende as demandas da sociedade, pois – e esta sempre será a nossa visão – a cultura acontece na sociedade. A cultura não está nos grandes departamentos políticos ou universitários, nas elites sociais ou financeiras, mas sim na cidadania, no dia a dia popular, no mais simples do cidadão.

Por outro lado, o jornalismo cultural também cria uma nova perspectiva cultural. Este jornalismo apresenta ao cidadão uma maior compreensão da cultura, e do que se desenrola na sua sociedade. Portanto, a nossa proposta não é “espremer a cultura em um padrão jornalístico do noticiário geral”. [2]ibidem Não falaremos sobre a política banal do dia a dia – reportagens de duas ou três linhas, que não tem nada a acrescentar à vida do leitor, à ciência, ou à cultura cidadã.

Assim, o nosso jornal não terá pauta, mas sim “um grande corpo de colaboradores especializados, que acompanhem as novidades de seus próprios setores.” Cada colunista será livre para escolher temas, artigos, posições. Este jornal abrigará a todos que queiram desenvolver um método sólido de pesquisa intelectual. Será um espaço de debate sério e vivaz. Buscaremos sempre dar voz aqueles que nunca tiveram voz, seja na academia ou na sociedade. Nosso jornal é, ao mesmo tempo, um espaço de reunião, de encontro, entre aspirantes a intelectuais, e a busca para que estes divirjam, aperfeiçoem-se, contrariem-se, debatam, e desenvolvam-se. Desta forma, não queremos colunistas que já sejam intelectuais, mas queremos formar uma classe intelectual; queremos que esta classe brote do nosso jornal – de maneira a exercer, no futuro, um posto chave na cultura, na redescoberta cultural da sociedade brasileira.

Porém, como dissemos, a cultura é a cultura da sociedade popular. Não faria sentido que nosso jornal fosse apenas intelectual. Queremos mostrar ao cidadão que a prática e a teoria andam juntas, e, até mesmo, são fundamentos uma da outra. Assim, o nosso assinante também participará deste desenvolvimento cultural. O leitor estará, constantemente, em contato com o desenrolar deste debate. Cada colunista irá publicar artigos, que serão revisados por pares. Haverá réplicas entre estes, debates e discussões. O leitor não só acompanhará, vivamente, este processo, mas participará dele.

A nossa proposta é que o leitor também entenda a importância da Cultura, da Literatura, da Filosofia, do Direito, da Linguagem, de Filmes, Séries, Desenhos… E passe a ter uma visão mais ampla do contato que ele já tem (com tais temas) no seu dia a dia. Para tanto, toda coluna será pautada num método cultural, mas sempre numa linguagem mais simples, acessível, e de fácil compreensão. O objetivo é que tanto o colunista aspirante, como o leitor, estejam próximos, dialogando – buscando formar uma cultura para si mesmo, e para o cenário brasileiro. 

Entendido isto, apresentaremos alguns princípios fundamentais do nosso jornal. Queremos deixar claro que este jornal aceitará todas as linhas, perspectivas, teses, e posições, que queiram edificar a cultura brasileira. Somos favoráveis a divergência, a contradição de ideias, e o debate, pois só assim podemos saber se aquilo que defendemos é verdadeiro, seguro e sólido. Só assim podemos ter uma linguagem adequada, um entendimento do problema, e suas possíveis soluções. Este é, ao nosso ver, a melhor maneira de saber se o método de pesquisa, que acreditamos ser verdadeiro, é de fato científico – e em tempos onde os bárbaros vociferam “ciência”, sem nunca terem ouvido falar o que é a ciência, este princípio não pode ser considerado desimportante.

Na verdade, estamos apenas seguindo o princípio do maior Filósofo do Brasil. E aqui citamos suas palavras: A Opinião Pública” será a tribuna do povo de Pelotas. Não temos princípios políticos e sim sociais. Defendemos os interesses de todas as classes, e, sobretudo, os daquelles que mais precisam de auxílio da imprensa, as classes populares. Opinião Pública não é a opinião isolada de um jornalista que inculca interprete da opinião geral, mas opinião pública é a opinião do mais humilde ao mais illustre, que é systhematisada e exposta como individualidade homogênea. Assim, julgando, criticaremos com critério e, combatendo, doutrinaremos para collaborar e derruiremos para construir. A situação actual exige constructores. Construamos”. [3] Nunes Galvão e Lhullier dos Santos, 2001, P.5 – Monografia sobre Mário Ferreira dos Santos.

Quando afirmamos que este é um jornal cultural, estamos também seguindo outro princípio do Mário Ferreira dos Santos: “A fim de explicar as finalidades da Livraria e Editora Logos declarou: “Em oposição às outras editoras, que visualizam apenas o aspecto comercial, que visam apenas ganhar dinheiro, a Logos tem um programa cultural e realiza, dentro de suas forças, o que outros já deveriam ter feito: publicar apenas obras culturais. Tudo o que temos editado são clássicos e obras de filosofia. Nesse programa, estamos realizando o que o Brasil mais precisa, cultura e apenas cultura. Nosso programa é apenas cultural.” [4] Nunes Galvão e Lhullier dos Santos, 2001, P.14 – Monografia sobre Mário Ferreira dos Santos.

Numa época onde os bárbaros dominam a sociedade, em que a ciência já não é mais ciência, mas sim censura – onde a sociedade popular encontra-se desesperançosa, empobrecida, sendo oprimida por uma elite burguesa-política – , seguimos, com muito gosto, mais um dos princípios do Mário: ”Nós precisamos também estimular o nosso povo a ter fé em si mesmo e confiança de poder fazer alguma coisa de grande” [5] Nunes Galvão e Lhullier dos Santos, 2001, P.20 – Monografia sobre Mário Ferreira dos Santos. , assim como: Precisamos criar elites de espírito brasileiro, preocupadas com problemas brasileiros, porque as elites no Brasil é que sempre dirigiram a nossa história. Se não formarmos novas elites, não criaremos uma outra mentalidade, não criaremos a confiança em nós mesmos, não seremos capazes de elevar este país para o destino que merece. Há muita gente capaz neste país, mas muitas vezes não podem fazer nada porque estão coartadas pela ação de grupos e de outros elementos que ocupam, às vezes, cargos de mando. Vamos fazer uma nova elite no Brasil.” [6]Ibidem  

Outro princípio que seguiremos é que jamais tripudiaremos de nossos rivais e adversários. Jamais trataremos temas sociais com piadas, memes, chacotas, desvalorizando, ou subestimando nossos oponentes. Justificaremos nossas ideias, apresentaremos, seriamente, as ideias de nossos oponentes, apontando seus erros, seus acertos, discutindo seus pontos positivos e suas deformações. Derivamos esses princípios da Revista Brasileira de Filosofia, fundada em 1951 pelo nosso grande Miguel Reale. Nas palavras deste: “O IBF inicia a publicação dessa Revista, cuja finalidade primordial é reunir,em uma obra impessoal e objetiva, os esforços criadores de quantos, em nossa terra, se dedicam aos problemas da Filosofia. Nestas páginas encontrarão acolhida todas as tendências do pensamento contemporâneo […] Anima-nos, no entanto, uma robusta confiança em nossa capacidade de pensar ou de repensar criadoramente os grande problemas, sem nos atribuirmos a tarefa inglória de receber, da Europa ou da América do Norte, a Filosofia como pensamento pronto… Cultores da Filosofia e da Filosofia do Direito e da Sociedade encontrarão nestas páginas uma fonte de referência e contraponto“. [7] Disponível em: http://www.eeh2018.anpuh-rs.org.br/resources/anais/8/1529600910_ARQUIVO_MIGUELREALEEOINSTITUTOBRASILEIRODEFILOSOFIATextoANPUH-RS2018.pdf  

Quando afirmamos que este Jornal aceitará todas as perspectivas, teses, ou posições, que queiram edificar a Cultura brasileira – e o resgate da Alta Cultura -, não estamos afirmando senão o que nos foi legado pelo Miguel Reale: “Graças a esta metodologia [elaborada por Reale ] foi possível, aos pesquisadores do IBF e aos alunos dos Cursos de Pós-graduação em Filosofia Brasileira que funcionaram entre 1979 e 1996, estudar um número bastante representativo de pensadores brasileiros, pertencentes a correntes doutrinárias as mais variadas, sem preconceitos de credo religioso ou ideologia política. É esta, sem lugar a dúvidas, a mais importante contribuição que, do ângulo metodológico, fez o Instituto Brasileiro de Filosofia, no contexto latino-americano. À luz dessa metodologia formaram-se, ao longo dos últimos quarenta anos, várias gerações de estudiosos da Filosofia Brasileira, bem como das demais filosofias presentes na América Latina“. [8] Disponível em: http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/estudosfilosoficos/article/download/2383/1655  

Por fim, vamos então passar para a apresentação das nossas colunas. Cada coluna tem um grau de hierarquia, representada pelas cores e números no diagrama (fixado abaixo).  Nas colunas com cores vermelhas falaremos de Filosofia, Sociologia, Psicologia, História, Metalinguagem da Imprensa, Meta- Análise dos artigos adversários, etc. Por isto, são as colunas de maior complexidade, onde exigirá do leitor um certo nível de estudos. Sua linguagem será um pouco mais abstrata, mais rigorosa, e metodológica. Porém, pedimos ao leitor que não se assuste com esta informação. A proposta é que as colunas sejam como degraus de uma escada, onde o leitor vai galgando, ao longo do tempo, batente por batente. Já as colunas com cores amarelas são uma transição entre as vermelhas e as verdes. São colunas onde a linguagem será acessível, simples, tratando de temas recorrentes na sociedade, mas sempre remetendo-se a análises e reflexões.

Por último, mas não menos importante, as colunas com cores verdes são o ponto de partida para o assinante que entra em contato, pela primeira vez, com a vida de estudos. São temas de cultura social-geral: temas explicativos de assuntos da constituição brasileira, coleta, e exposição, de documentos aprovados como teses universitárias, e resenhas literárias de filmes, séries, músicas, jogos, desenhos – a cultura pop em geral. Talvez o leitor mais experiente entenda o porque esse diagrama é dividido em 10 colunas hierarquizadas. Para o leitor iniciante, ao longo do tempo, isso ficará claro.

Cabe ainda algumas observações: Essa divisão do diagrama tem por objetivo atingir 3 públicos, a saber: aquele que já está em um estágio mais avançado de suas pesquisas intelectuais-culturais, aquele que descobriu há pouco tempo o seu campo de pesquisa, e aquele que nunca entrou em contato com estudos ou vida cultural. Levar a cultura, a cultura que é senão popular, ao cidadão brasileiro. Essa é a nossa meta.

 

References

References
1 https://olavodecarvalho.org/quatro-perguntas-para-olavo-de-carvalho-sobre-jornalismo-cultural/
2 ibidem
3 Nunes Galvão e Lhullier dos Santos, 2001, P.5 – Monografia sobre Mário Ferreira dos Santos.
4 Nunes Galvão e Lhullier dos Santos, 2001, P.14 – Monografia sobre Mário Ferreira dos Santos.
5 Nunes Galvão e Lhullier dos Santos, 2001, P.20 – Monografia sobre Mário Ferreira dos Santos.
6 Ibidem
7 Disponível em: http://www.eeh2018.anpuh-rs.org.br/resources/anais/8/1529600910_ARQUIVO_MIGUELREALEEOINSTITUTOBRASILEIRODEFILOSOFIATextoANPUH-RS2018.pdf
8 Disponível em: http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/estudosfilosoficos/article/download/2383/1655
Rodolfo Melo

Rodolfo Melo nasceu em João Pessoa – PB; é Presidente e Editor Chefe do Jornal Cidadania Popular; aluno do COF desde 2016, tendo feito também o curso “PSICOLOGÍA DE LA TEMPLANZA”, com o Psicólogo Tomista Martin Echavarría.

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