Tratado expositivo da incompreensibilidade crítica-acadêmica a Olavo de Carvalho – Parte I

  • Rodolfo Melo
  • 24 jun 2023

O objetivo deste trabalho é atender um pedido – embora, é verdade, de maneira tardia – do Filósofo e Professor Olavo de Carvalho, qual seja: documentar a campanha de detração e difamação contra a sua pessoa e a sua obra. Por diversas vezes, Olavo suplicava aos seus alunos que o ajudassem a realizar esse trabalho – súplica que, infelizmente, nunca havia sido, até então, atendida. Sendo assim, vimos que era necessário darmos o ponto de partida numa pesquisa científica, que tem por objeto uma investigação-documental inicial.

Essas detrações não só desonram a grandiosidade do legado pedagógico-filosófico de Olavo, como falsificam a sua prática filosófica sob o seu filosofar – impossibilitando, assim, que sejam conhecidos os reais elementos que fazem de Olavo de Carvalho o maior Filósofo do século XXI. Isto posto, cabem aqui alguns esclarecimentos metodológicos.

 

I – Hipótese de pesquisa


Esta investigação parte de uma hipótese de trabalho, um tanto quanto, diversa da defendida pelo Olavo. A sua hipótese era a de documentar toda a campanha difamatória contra a sua vida, uma vez que, de acordo com Olavo, elas começariam nas milhares de comunidades do Orkut, as quais, somadas, dariam “mais de 100 mil páginas”. Olavo, então, ressaltava que, findado o Orkut, isso havia se “alastrado para o facebook e youtube”, e, posteriormente, para a grande mídia.

A hipótese defendida pelo Professor Olavo era catalogar e documentar as difamações para que se tivesse uma base documental probatória – a qual seria usada como instrumento de defesa jurídica-legal: “Alguma vez a polícia federal se interessou em investigar o que estava acontecendo comigo? Algum político? […] Por que a polícia federal não investiga isso se, notoriamente, pelo menos, dois dos meus atacantes têm ligações quase diretas com o governo russo? Por que não vai investigar isso aí? Isso não é uma intervenção estrangeira num assunto nacional? A polícia federal está interessada? Não está! […] Eu implorava para as pessoas: “olha, eu preciso formar um grupo de advogados para me defender”. Para me defender nessas coisas, eu preciso de uma equipe mínima de 10 advogados […] Antes de entrar algum advogado em cena, tem de ter a narrativa dos fatos. Eu preciso de alguém que conte a história, porque os processos são os efeitos dos fatos ocorridos”. [1]Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 457, 20 jan. 2019; Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 521, 06 jun. 2020; Carvalho, Olavo de. Vídeo “SEGUNDO APELO”, … Continue reading

Por conseguinte, a nossa hipótese é de que, embora o Orkut seja anterior, as detrações têm o seu início nas produções acadêmicas, a partir de um centro de referência, qual seja: o Mídia sem máscara. As detrações do Orkut, segundo a hipótese proposta, são difamações a-conceituais e a-teóricas, isto é: são adjetivações fragmentárias – sem um escopo teórico-científico que as sustentem -, feitas, em sua grande maioria, como meros xingamentos, no que poderíamos chamar de discussões caóticas e anárquicas do turbilhão das redes sociais.

Como destaca Lakatos, uma hipótese é um enunciado generalizante e interpretativo, que busca validar, significar e justificar, uma conclusão, ou solução, sobre os fatos e dados obtidos. [2] Lakatos, 2003, p.126-132 Já para o Filósofo Mário Ferreira dos Santos, a hipótese surge como uma procura para encher, completar e interrogar, a lacuna do saber, de a maneira a possibilitar esclarecer e aclarar o todo. Ela é, então, um “saber provisório, uma possibilidade”, permitindo, através dos fatos já experimentados, o progresso de descobertas racionais e de reflexões. [3] Santos, Mário Ferreira dos, 2018, p.88-89 Consequentemente, este trabalho tem por objetivo não só documentar as detrações, mas também, a partir das observações obtidas e generalizadas dos dados, comprovar a hipótese-investigativa – tendo em vista que, a verdadeira pesquisa científica, conforme Mário Ferreira dos Santos, verifica o grau de validez das hipóteses, controlando-as com os fatos. [4] Santos, Mário Ferreira dos, 1964, p.940

Portanto, para fundamentá-la, faremos uso de casos-coortes. Este tipo de estudo é muito usado em Epidemiologia [5] Sendo também, segundo Barretto e Filho (2012), adotado em pesquisas demográficas de contingentes populacionais, unificados pelo ano de nascimento. , e visa selecionar um grupo que, em sua composição, deverá ser o mais homogêneo possível, com fatores, características ou experiências, comuns, que os identifiquem em dado período de tempo definido. Utilizaremos aqui um coorte-retrospectivo: um estudo que, embora os seus elementos sejam selecionados, observados e classificados, no presente, o evento estudado iniciou-se, desenvolveu-se e finalizou-se, no passado, isto é, antes da realização da pesquisa. O coorte retrospectivo – ou, também chamado, histórico – busca seguir ou acompanhar o evento passado, em suas causas e efeitos, com o objetivo de identificar a experiência comum do grupo. [6] Barreto e Filho, 2012, p.170; “ESTUDOS DE COORTE”, p. 63-66, disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/59/o/Modulo4-Estudosdecoorte.pdf 

Assim, a nossa pesquisa divide-se em 5 casos-coortes:

A – Coorte 1 ( 2006-2009)

B – Coorte 2 ( 2010-2012)

C – Coorte 3 ( 2013-2015)

D – Coorte 4 ( 2016 -2017) 

E – Coorte 5 ( 2018-2022)

Nossa hipótese de pesquisa é que o coorte 1 é o centro fundamental de referência das demais detrações. Seu grupo compreende a primeira pesquisa acadêmica, de Luisa Roxo Barja, sobre o Mídia sem máscara – que se inicia nas eleições de 2006, e desenvolve-se até a publicação do trabalho em 2009 -, assim como da separação de ex-colunistas, como Janer Cristaldo e Anselmo Heidrich, que passam a elaborar detrações observacionais-discursivas do site e do Olavo, conjuntamente com blogs de jornalistas ligados a guerrilha, como Celso Lungaretti (blog Náufrago da Utopia), e ao PCdoB, como Altamiro Borges (blog Correio Cidadania e Editora Anita Garibaldi).

O trabalho de Barja foi a primeira pesquisa que buscou dar cientificidade às detrações, tendo por finalidade conceituar uma hipótese-interpretativa, e, a partir da análise-teórica do conteúdo discursivo – observado nos artigos que foram produzidos no ano das eleições de 2006 -, comprová-la e justificá-la. Conforme Barja, o artigo “é resultado do acompanhamento do site Mídia Sem Máscara durante as eleições presidenciais de 2006”, tendo como foco principal o fato do site “veicular artigos de forte cunho político”, assumindo uma “postura declaradamente direitista” – fator, então, que despertou o interesse no acompanhamento de sua produção no “cenário político da disputa presidencial de 2006, que culminou na reeleição de Lula”. Ela ainda salienta que o seu artigo faz um “registro” do Mídia Sem Máscara “neste período”, no qual o site estabeleceu-se como “contraponto ao discurso vitorioso”. [7] Ver: Barja, “A face obscura da política: governo e eleições no Mídia Sem Máscara”, 2009, p.153-154 (p.1-2)

O fato interessante é que, embora a pesquisa de Barja tenha sido realizada em 2006, a sua publicação só acontece 3 anos depois. Nossa teoria-investigativa é de que há uma confluência entre a produção conceitual de Barja, a provocação de Celso Lungaretti dirigida ao Olavo – exatamente um ano após o início da pesquisa -, e a saída dos ex-colunistas Anselmo Heidrich e Janer Cristaldo, em 2007 – que, já no início de 2008, começaram a elaborar um material conceitual detrator, ao qual não só serve de base para a análise-teórica de Barja, como validam a significação dada por sua hipótese.

Pois bem, Celso Lungaretti, em 26/09/2007, escrevia uma artigo no Uol, intitulado “Goebbels inspira direita e esquerda na internet”, onde alega que “a extrema-direita, em sites como o Ternuma, Mídia sem máscara, Usina de letras e A verdade sufocada, prega ostensivamente um novo golpe militar, tentando reeditar, de forma mecânica, a receita que deu certo em 1964”, chegando, ademais, a compará-los ao “caldo cultural que gerou o nazismo e o fascismo”. Lungaretti salienta, então, que os “sites fascistas” alardeiam a “periculosidade do Foro de São Paulo”, no qual, dentre estes, estaria o site de Olavo de Carvalho – que, sendo um “misto de (péssimo) jornalista, (eficiente) propagandista e (pretenso) filósofo”, descreveria o Foro de São Paulo de forma “tão delirante” ao ponto de parecer a “Spectre numa novela de James Bond”. [8] Ver: Lungaretti, “Goebbels inspira direita e esquerda na internet”, 2007, disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/reportagem/goebbels-inspira-direita-e-esquerda-na-internet/ 

Interessante notar que as expressões destacadas em negrito [9] Todos os destaques são nossos. , assim como o tema do Foro de São Paulo, são conteúdos discursivos recorrentes na observação dada pela análise teórica de Barja. A nossa teoria-investigativa se acentua ainda mais, na medida em que, no embate entre Olavo e Lungaretti, este responde aquele com um artigo, intitulado de “O samba do Olavo doido”, de 30/10/2007, onde afirma que sua proposta era “reunir provas dos delitos que estão sendo cometidos”, tais como “exortação à rebelião contra os Poderes da Nação”, e “encaminhá-las às autoridades”, como medida contra “sites de extremistas de direita que estejam pregando a derrubada do governo constitucionalmente eleito”. [10]  Ver: Lungaretti, “O samba do Olavo doido”, 2007, disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/projeto-bula/reportagem/o-samba-do-olavo-doido/ 

Ressalte-se que, mais uma vez, as expressões destacadas referem-se ao governo Lula, que havia sido reeleito no ano de 2006. Destarte, quando Lungaretti fala em “reunir provas”, é fácil verificar uma espécie de abertura discursiva, a qual é formatada internamente para a militância. Lungaretti estava abrindo o campo discursivo para que houvesse a problematização, significação e conceitualização, dada por Barja. Esta hipótese-investigativa pode ser justificada, uma vez que Lungaretti, um ano após a publicação do artigo de Barja, retoma a polêmica que teve com o Olavo, publicando, em 26/06/2010, um artigo em que não só reproduz o debate, como também acrescenta uma conceitualização mais feroz e precisa.

Retomando o tema do Foro de São Paulo, ele inicia o artigo dizendo que hoje já estaria claro como o Foro “nunca foi uma ação concertada para comunizar o continente, como alardeava a extrema-direita”, e que a internet ajudaria a “extrema-direita a disseminar a sua propaganda enganosa sobre os acontecimentos históricos”. Ele, então, destaca que sites como o Mídia Sem Máscara são verdadeiras “fabricas de artigos falaciosos, geralmente recheados com informações sigilosas dos centros de tortura – material que os antigos torturadores surrupiaram dos arquivos oficiais antes que a legalidade fosse restabelecida no Brasil”. Nos dizeres de Lungaretti, Olavo de Carvalho é um dos “principais porta-vozes da extrema-direita”, e que era comum ele encontrar, na internet, comentários de “fascistinhas repetindo as afirmações de OC [Olavo de Carvalho]”. [11] Ver: Lungaretti, “Polêmica: Celso Lungaretti x Olavo de Carvalho”, 2010, disponível em: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/06/polemica-celso-lungaretti-x-olavo-de.html

No final desse mesmo artigo de Lungaretti, podemos observar, no comentário de um perfil chamado “JP”, como há a replicação discursiva da significação dada por Barja: “OC e sua turma cripto-fascista buscam, através da internet, atingir cada vez mais a população jovem do país. Trata-se do neo-conservadorismo responsável por criar e alimentar novamente suspeitas e ameaças que podem no futuro serem evocadas como justificativa em favor de um outro golpe”. [12] Op.cit

Por conseguinte, Janer Cristaldo e Anselmo Heidrich, entram na conjuntura, a partir de 2007, quando o ateísmo militante de ambos colide com a proposta editorial do Mídia Sem Máscara. Heidrich, em Janeiro de 2008, publica um artigo, intitulado “Mídia Com Dois Rostos”, onde expõe as razões pelas quais ele rompe com o site. Iniciando o artigo alegando que o Mídia Sem Máscara, seria um site que havia deixado os seus “propósitos iniciais para adotar mais uma máscara, a do fundamentalismo religioso”, Heidrich diz que Olavo havia abandonado o seu “estilo culto” para adotar um estilo ao gosto do “bando de fanáticos que o idolatram”. Assim, ele salienta que Olavo parecia deixar a “Religião se sobrepor a Razão”, de modo que tudo aquilo que se referisse ao Iluminismo fosse “alvo de uma crítica injusta e anacrônica”. [13] Ver: Heidrich, “Mídia Com Dois Rostos”, 2008, disponível em: https://anselmoheidrich.wordpress.com/2020/02/20/midia-com-dois-rostos/ 

Para Heidrich, Olavo é um “guru que se contradiz”, sendo também um “sofista que nivela por igual ateísmo e totalitarismo comunista”. Ainda de acordo com Heidrich, Olavo prefere optar por “criar uma dicotomia entre um Bem (supremo) e o Mal (mitificado, como além humano)” [14] Hipótese que é central na significação conceitual dada por Barja. , a qual, consequentemente, o levaria a “crítica ao ateísmo” e a “condenar a toda a Teoria da Evolução”, chegando a ,“insanamente”, criticar Darwin em suas influências religiosas – o que faria do Olavo um “mau-caráter, ou, pior, um fanatico”. Olavo seria, então, um “defensor do fundamentalismo cristão”, que “critica Darwin sem o ler” – e que, conforme Heidrich, agiria como se “algo de bom existisse na possibilidade de fundamentar a sociedade em uma religião”. Por isso, os “olavetes” não seriam tão “ruins quanto o próprio guru”, embora haveriam aqueles que se “esmeram em se equivaler ao mestre”.

Segundo Heidrich, um dos “gurus” de Olavo é o “paranóico chamado Jeffrey Nyquist”, o qual não partiria de uma “leitura liberal, mas de clichês anti-socialistas” – e, por isso, “vomita por aí, como fazem os olavetes, que democracia é coisa de socialista”. De acordo com Heidrich, o “Jardim das Aflições” deveria se chamar “Jardim das Alucinações”, posto que faz uma “defesa (minimizando a culpa) da Igreja Católica Apostólica Romana em suas atrocidades”. Ele, então, nos diz que o Mídia Sem Máscara é um “site que detém elementos claramente totalitários”. Portanto, Olavo não apresentaria um “sistema filosófico para caracterizá-lo como filósofo” – e, sendo assim, a única coisa que ele teria seria uma “série de excertos de pensamentos que visam, sobretudo, justificar uma visão gnóstica do mundo”, ao fundir vários “princípios religiosos” com “diversos fundamentalismos religiosos”.

O interessante de se observar é que, no mesmo artigo, Heidrich chega a citar uma suposta censura que o Janer Cristaldo, ao criticar a defesa da inquisição feita pelo Mídia Sem Máscara, teria sofrido. Consequentemente, isso comprova a nossa hipótese, uma vez que Cristaldo abre seu artigo mencionando a proposta do Heidrich de “desmistificar os engodos Mídia Sem Máscara e seu mentor, o sedizente filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho”. Ademais, Barja utiliza, no conteúdo discursivo de sua análise-teórica, as observações expostas por Cristaldo, citando-o nominalmente. Em seus dizeres, a produção do site sublinha a “conspiração comunista do Foro de São Paulo no Brasil”, onde “Janer Cristaldo, ex-colunista do Mídia Sem Máscara, chegou a classificar como obsessivo o interesse de Olavo de Carvalho sobre o assunto”.

Barja, então, continua: “Em artigo para a revista virtual Baguete, onde explicita a diferença que vai culminar no seu desligamento do Mídia Sem Máscara, Cristaldo coloca que “a influência decisiva do Foro de São Paulo – bem como a de Gramsci – na luta pela comunização do continente se tornaram dogmas para Olavo de Carvalho e seus discípulos. Ora, eu não acredito nem em Deus, nem no Espírito Santo, nem na Santíssima Trindade, nem na importância conferida a Gramsci ou ao Foro de São Paulo. Pelo jeito, sou cinco vezes ateu””. [15] Ver: Barja, “A face obscura da política: governo e eleições no Mídia Sem Máscara”, 2009, p.159  (p.7)

Para Barja, a oscilação entre liberalismo e conservadorismo foi o que levou Cristaldo a romper com o Mídia Sem Máscara, posto que “o articulista, desde o ínicio do site, destacou-se por ter opiniões bastante divergentes dos demais”, as quais não seriam “do ponto de vista da inclinação política, mas da liberdade individual”. Ela nos diz, então, que, dado a Cristaldo não se limitar a ideia de um Estado menor, mas defender o “direito ao aborto e uma não-ingerencia religiosa”, haveria uma “coerência” em seu liberalismo. De acordo com Barja, “questões de ordem moral e de seu ateísmo” passaram a incomodar os outros articulistas do site – o que, “ironicamente, levou ao Mídia Sem Máscara a se tornar vítima do seu próprio discurso”, ou seja: a sua “teoria da conspiração passou de recurso apelativo a ideologia do medo que reforça então o moralismo”. [16] Ver: Barja, Op.cit, p.163-164 (p.11-12)

Por sua vez, Cristaldo salienta que o “Jardim das Aflições” não seria um tratado de filosofia, mas sim uma irritação do Olavo com a filosofia de Epicuro, posto que, para este, era necessário eliminar o temor dos deuses e se desprender do temor da morte – e isso seria uma coisa que Olavo não suportaria, pois “este tipo de filosofia não poderia servir a um astrólogo”, ao qual teria por objetivo “manipular a superstição e exercer poder sobre seus semelhantes”. Decorrente disso, “quem não teme a morte não teme deuses nem astros”. Cristaldo aponta que a vocação de Olavo estaria mais “para garçom do que para ensaísta”, porque, a todo tempo, ele “mistura filosofia e teologia”, chegando, até mesmo, a “proferir este despautério: o sábio deve obediência ao Deus verdadeiro”. [17] Ver: Cristaldo, “Quem financia o astrólogo?”, 2008, disponível em: http://cristaldo.blogspot.com/2008/01/quem-financia-o-astrlogo-anselmo.html 

Ele, então, pergunta: “Teria lido o pretenso teólogo algum dia a Bíblia? Que Deus verdadeiro?”. Para Cristaldo, “até Jeová acreditava em outros deuses”, e, por isso mesmo, “os jeovistas contemporâneos são mais jeovistas que Jeová, acham que deus é um só”. Sendo assim, Olavo seria um “astrólogo que usa de um gambito muito safado”, qual seja: professaria a sua fé no “tal de Altíssimo”, sem jamais dizer a que fé pertence, já que, nos dizeres de Cristaldo, “ninguém pode ser Católico tendo tido três mulheres. Muito menos ser astrólogo e católico ao mesmo tempo”. Ele, então, ressalta que “nós, ateus, podemos ter uma, dez ou vinte mulheres. Católico só pode ter uma só”. Conforme Cristaldo, Olavo, de “textos lúcidos contra a esquerda, teria descambado para “aiatolices”, ou seja: “empulhações de mãe virgem, de deus-três-em–um, de Cristo que ressuscitou, de vinho que vira sangue, de pão que vira carne” – e, consequentemente, criado “uma seita”.

Em vista disso, ele pergunta: “quem financia o Mídia Sem Máscara?”, acrescentando que “quando tivermos esta resposta, saberemos a quem serve Olavo de Carvalho e seus acólitos”, pois “alguém realmente acredita que leitores financiaram um guru nos States? Guru brasileiro?”. Para Cristaldo, seria, então, preciso “manipular altos níveis de vigarice, oriundos de países que têm prestígio mistico”, como, por exemplo, “Bento XVI”. Desta forma, ele encerra seu artigo citando uma passagem do artigo de Heidrich, no qual Olavo teria dois rostos: “um anticomunista e outro tão totalitario quanto o comunismo, o do fundamentalismo religioso em campanha contra o estado laico e a pluralidade de opiniões intriseca a democracia” – que, ademais, seriam parte da “chamada filosofia de Olavo de Carvalho”.

Frise-se que a pergunta levantada pelo Cristaldo é uma das problemáticas basilares abordadas na pesquisa do Lucas Patschiki, a qual, segundo nossa hipótese-investigativa, é a referência seminal de significação-interpretante das demais produções acadêmicas – tendo sido citada em quase todos os artigos difamatórios. Ora, uma vez que a pergunta provocada, já em 2008, pelo Cristaldo – que é, então, citado nominalmente na análise de Barja, em 2009, reaparecendo como problemática validante da pesquisa de Patschiki -, parece-nos que a comprovação da hipótese apresentada fica clara, qual seja: a confluência do coorte 1.

Pois bem, Altamiro Borges entra na conjuntura dois meses após os artigos de Heidrich e Cristaldo, e 6 meses depois da provocação de Lungaretti. No dia 05/03/2008, Borges escreve um artigo, intitulado “Fascista sem máscara na internet”, no blog Correio Cidadania. [18] Onde, diga-se de passagem, Frei Betto é um de seus colunistas. Destaque-se: no artigo de Borges, é perceptível como as observações, elaboradas pelos demais detratores, ganham uma maior conceitualização discursiva. Segundo Borges, o Mídia Sem Máscara é uma “página de ultradireita”, com “teses ultra-reacionárias, editadas pelo “filósofo” Olavo de Carvalho”, ao qual, seria um “fascistóide”, que, já na “apresentação da página, escancara sua esquizofrenia”. Ele acentua, assim, que Olavo “gostaria que estes veículos pregassem abertamente um novo golpe militar, novas prisões e torturas, e brandassem “Hel, Hitler!””. [19] Ver: Borges, “Fascista sem máscara na internet”, 2008, disponível em: https://www.correiocidadania.com.br/politica/1507-05-03-2008-fascista-sem-mascara-na-internet

De acordo com Borges, Olavo é um “fundamentalista, egocêntrico e se acha um enviado de Deus no combate às ideias “diabólicas” da esquerda”, e, uma vez que Olavo “critica a democracia liberal”, assim como o esvaziamento relativista de todos os valores, “prega abertamente a ditadura fascista”. Por isso, o Mídia Sem Máscara seria uma forma “grotesca do pensamento reacionário e doentio”, ao qual “ataca tudo o que há de progressista de país”, fazendo com que sua “ira contra os movimentos sociais” chegasse a ser um “atentado à democracia”. No fim do artigo, pode-se ver mais um comentário, no perfil chamado “João Carlos Bezerra de Melo”, replicador do discurso, que será, mais à frente, significado por Barja: “[…] A discussão se deve orientar por parâmetros de moralismo, que revelaM atraso e preconceitos pequeno-burgueses […]”.

Por conseguinte, resta-nos validar a conclusão da hipótese acima. Para Barja, Olavo seria uma importante “referência para os ideólogos da direita do país”, onde o Mídia Sem Máscara traria “artigos de caráter revisionista sobre a história brasileira recente e sobre os regimes comunistas”. Barja parte da hipótese-interpretante para caracterizar e generalizar o conteúdo discursivo, e, posteriormente – a partir da análise conceitual teorizada -, os observar individualmente. Consequentemente, haveria uma “coesão ideológica no site”, a qual seria uma “verve denúncia a tudo que considera politicamente danoso a sociedade”, que poderia ser colocada em uma palavra,“à esquerda”. Segundo Barga, isso permitiria que se identificasse o Mídia Sem Máscara como “conservador de direita, dentro de uma perspectiva avaliativa moral”. [20] Ver: Barja, Op.cit, p. 153-157 (p.1-5)

Ela salienta, assim, que “o temor excessivo dos articulistas diante da ameaça comunista” beiraria, nos dias de hoje, “um terrorismo e anacronismo”, além de um “esforço revisionista” sobre a URSS. Decorrente disso, seus textos seriam “bastante depreciativos, como se poderia esperar do perfil ideológico dos autores”, como também seriam centrados nos “valores morais que o Mídia Sem Máscara julga louváveis ou reprováveis“, dirigindo, assim, uma “crítica generalizada à classe política que é identificada como desprovida de ética enquanto ideal moral” – e de acordo com Barja, isso acarretaria numa “confusão de conceitos”, isto é: tomar a ética pelo seu próprio ideal moral. [21] Ver: Barja, Op.cit, p. 159-160 (p.7-8)

Destarte, Barja destaca que os articulistas “proclamam suas certezas como verdades absolutas”, dedicando-se, assim, “tão somente à fundamentação dessas verdades e à defesa de seus valores”. O site teria, portanto, um “discurso liberal que privilegia o indivíduo”, demonstrando um “preconceito contra o ativismo”, embora a sua própria existência já seja “uma forma de ativismo”. Conforme Barja, os seus articulistas “não abrem mão da defesa de sua moral”, a qual seria “sempre melhor do que a do outro”, tendo, por consequência, uma “postura moralista diante da homossexualidade” – constituindo, assim, o “contra-senso” do site, a saber: “defender, por um lado, o individualismo, e, por outro, querer impor sua moral”. [22] Ver: Barja, Op.cit, p.163 (p.11)

Feito o desenvolvimento da hipótese-interpretante, ela parte, então, para a análise-observacional individual dos artigos. Segundo Barja, no que se referiria ao PT, os artigos apontariam para osperigos de sua cartilha moral”, a qual “pretende  a criminalização de condutas homofobicas”, assim como a “descriminalização do aborto” – sendo o PT, em vista disso, “sistematicamente associado a falta de ética”, onde o foco dos articulistas estaria numconstrangimento de ordem moral”, das “disparidades dos valores”. Barja cita, assim, o exemplo de uma “injúria” cometida contra Lula, na qual ele é apresentado como “uma versão do inferno, satã, o pai da mentira”. [23] Ver: Barja, Op.cit, p.165-168 (p.13-16)

Neste sentido, ela destaca que essas “ofensas” estariam ligadas  ao “desprezo do site pelo politicamente correto”, onde haveria umsentimento de superioridade”, o qual se traduziria na “apelação para desmoralização pura e simples do inimigo”. De acordo com Barja, Olavo não só “critica a indulgência do PSDB”, como “radicaliza a perspectiva ideológica do site”, uma vez que ele “sugere que há um acordo político entre PT e PSDB”, e isso, por sua vez, “reforça o terrorismo de suas previsões futuras” – tais como afirmar que “o Brasil está sendo governado diretamente pelo Foro de São Paulo”, e que o “direito da esquerda ao crime e á mentira será consagrado como clausula pétrea da moral política nacional”. [24] Ver: Barja, Op.cit, p.169-176 (p.17-24)

Isto posto, acreditamos ter comprovado suficientemente, na medida em que nos cabe, a hipótese de que a detração ao Professor Olavo, inicia-se em 2006, a partir da conceitualização interpretante da pesquisa de Barja, e de sua confluência com os demais elementos do coorte 1. Sendo assim, trabalharemos com este coorte como sendo o centro fundante das detrações. Passemos, então, para a classificação dos demais casos-coortes.

No caso-coorte 2, a investigação mostrou que o seu grupo diz respeito à primeira elaboração postem-conceito do coorte 1. Nossa hipótese é de que o coorte 2 agrupa a conjuntura de detratores sob a característica comum do advento do True Outspeak – que tem o seu início no final de 2006 -, do estabelecimento social do Youtube – que, embora tenha sido inaugurado no Brasil a partir de junho de 2007, começa a ter popularidade em meados de 2008-2009 -, e, por fim, da estreia do Facebook – a qual, embora também tenha sido realizada no ano de 2007, foi apenas no ano de 2010-2012 que a rede se populariza. Por conseguinte, o coorte 2 é o começo das detrações de vídeos soltos sobre “Newton”, dos áudios cortados sobre “terra plana”, “fetos na pepsi”, e demais temáticas – que, ademais, fazem uso do fundo significante-conceitual já dado pelo coorte 1.

Investigando o acervo de notícias, matérias, manchetes, sobre o Olavo – após o período do coorte 1 -, encontramos uma matéria datada de 13/11/2011, intitulada “Olavão foge do hospício e aparece na Folha”, de autoria do jornalista Miguel do Rosário, no blog “O cafezinho”. Segundo Rosário, as ideias de Olavo são “positivamente fascistas, além de esquizofrênicas“, uma vez que, sendo “presidente do Inter-American Institute for Philosophy, Government and Social Thought”, comandaria uma “associação dos fascistas brasileiros doentes mentais que vivem de esmola do Tea Party”. É interessante destacar a série de comentários que rodeiam o artigo, onde o próprio Rosário nos diz o seguinte: “Olavo de Carvalho afirma que o Conselho Mundial das igrejas pertence a KGB. Ele é muito mais doente do que até eu imaginava. Coitado”, e, logo após, anexa o link de vídeo do youtube, onde mostraria o corte correspondente a fala do Olavo. [25] Ver: Rosário, “Olavão foge do hospício e aparece na Folha”, 2011, disponível em: https://www.ocafezinho.com/2011/11/13/olavao-foge-do-hospicio-e-aparece-na-folha/

Um pouco antes, um perfil, de nome “Olavete Doente Mental”, diz: “[…] Enrrolavo já desmontou a Inércia de Newton ( que era burro, segundo Enrrolavo). Já provou que a Teoria da Evolução das Espécies é impossível, pois ele leu outro livro  de 100 páginas escrito por um médico hindu! Enrrolavo […] não se furta em dizer que a Teoria da Relatividade, formulada por Einstein, lhe parece uma empulhação elegante. Beato de Carvalho concorda que a Física Quântica é uma grande descoberta da Ciência, porém não se animem! A descoberta pertence a “Santo” Tomás de Aquino. Sim, o Doutor da Igreja já conhecia a dualidade da onda-partícula, a burrice ocidental pós-moderna é que impediu que Heisenberg e Plank dentre outros, tivessem percebido isto antes […]”.

A matéria seguinte é de autoria do historiador Gustavo Moreira, datada de 25/04/2012, intitulada “Balelas de Olavo de Carvalho: árabes, africanos e europeus”, no Blog “História e Política”. [26]Não documentaremos, neste trabalho, todas as matérias difamatórias do Gustavo, que serão expostas em outra parte, mas sim as apresentaremos como justificação probante da experiência comum … Continue reading Em seus dizeres, Olavo é um “filósofo e jornalista sem diploma” e uma das “maiores celebridades conservadoras da internet”, ao qual “produz teorias da conspiração em dose generosa” – sendo, por sua vez, um “guru exotico” que profere “absurdos”. Conforme Moreira, Olavo, quando “desconhece um determinado assunto”, “fábrica aleatoriamente dados”, como, por exemplo, o de que os mercadores árabes teriam vendido 3 vezes mais escravos do que os mercadores europeus. [27]Ver: Moreira, “Balelas de Olavo de Carvalho: árabes, africanos e europeus”, no Blog “História e Política”, 2012, disponível em: … Continue reading

Já no dia seguinte, 26/04/2012, Moreira escreve uma matéria, intitulada “Balelas sortidas de Olavo de Carvalho”, ressaltando que “um único post” de Olavo [28] E aqui, refere-se, portanto, a um post de Facebook. seria “insuficiente para dimensionar” a sua “tão longa carreira de manipulação ideológica em favor das velhas e novas oligarquias”. Ainda segundo Moreira, Olavo é um “filósofo sem diploma”, num “macarthismo tardio”, que pensa que o “Ibope é uma instituição comprada pelos comunistas”. Decorrente disso, Olavo seria um “malabarista nato” que buscaria fazer algo “pela memória do franquismo”. [29] Ver: Moreira, “Balelas sortidas de Olavo de Carvalho”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/04/balelas-sortidas-de-olavo-de-carvalho.html

Essa matéria também é significativa para a comprovação do fator compartilhado do coorte 2 , visto que podemos observar um comentário de um perfil, de nome “Carlos”, no qual afirma: “Sobre versões bizarras [do Olavo] a respeito de Haiti e Revolução Haitiana, veja este link: http://www.youtube.com/watch?v=tnCZXp1vW_k&feature=player_embedded […] acrescento que não é apenas a versão da ultradireita da Revolução Haitiana, e sim uma mini-enciclopédia de bizarrices, com temas que vão da biografia de Toussaint L’Ouverture ao folclore tradicional brasileiro, passando pela teodicéia”.

Prosseguindo na ordem cronológica, tem-se a matéria da jornalista Míriam Martinho, datada de 02/07/2012 [30] Três meses após a publicação da pesquisa do Lucas Patschiki. , intitulada “Guru ultraconservador, Olavo de Carvalho afirma que “homossexualismo” não é doença nem antinatural”, no Blog “Um outro olhar”. Para Martinho, Olavo é o “guru dos ultraconservadores”, o qual havia, no “programa semanal True OutSpeak, de 27 de junho”, decepcionado “seus discípulos”, ao afirmar que o homossexualismo não é doença – o que, consequentemente, seria uma “aparente virada humanista do guru dos medievais brasileiros”. [31] Martinho, “Guru ultraconservador, Olavo de Carvalho afirma que “homossexualismo”, 2012, disponível em: https://www.umoutroolhar.com.br/2012/07/guru-ultraconservador-olavo-de-carvalho.html?m=1

É também considerável notar um comentário, feito por um perfil de nome “Anônimo”: “Em varios artigos e videos publicados na internet, o pseudo duble de filosofo e vigarista Olasno de Carvalho(Olasno=Olavo+Asno) defeca pela boca […] Olasno proclama aos 4 ventos que ninguém pode acreditar na Teoria da Evolucao e que nao ha evidencias que possam comprova-la. Nao bastasse isso o vigarista contumaz afirma que a Teoria da Relatividade, as Leis de Sir Isaac Newton e outras ideias e trabalhos brilhantes de espetaculares mentes humanas nao sao validas. Vigarista mentiroso. A humanidade so alcancou o atual estagio devido ao esforco de cientistas inteligentissimos que precisaram conviver e vencer ideias retrogadas e falsas, a maioria delas embasadas em puro fanatismo religioso […] As “Olasnetes” podem ficar tranquilas pois o Guru e chefe da Seita Olasniana ja deixou ate um trabalho postumo feito em vida […]”.

Por conseguinte, Moreira, em matéria datada de 06/07/2012, retoma as suas detrações ao Olavo, desta vez intituladas de “Imposturas de Olavo de Carvalho”. De acordo com Moreira, a direita conservadora, no Brasil e em outros países, “vem se empenhando  no combate a movimentos negros”, contestando, “de maneira cinica”, os “mais evidentes episodios de discriminação racial”. Ele, então, diz que havia encontrado um “video no Youtube, Mandela, genocidio, racismo”, que havia sido “produzido por Olavo de Carvalho”, e publicado “em fins de 2010”. Moreira destaca que Olavo é o “decano do site Mídia Sem Máscara”, posto que “constrói uma tosca mistura de acusações estapafúrdias, generalizações grosseiras, distorções factuais e improperios”. [32] Ver: Moreira, “Imposturas de Olavo de Carvalho”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/07/imposturas-de-olavo-de-carvalho.html

Em vista disso, “maliciosamente”, Olavo “superistima o número de negros islamizados que tomaram parte nos ataques dirigidos pelo Islã á Europa na Alta Idade Média”. Para Moreira, essa discussão, levantada pelo Olavo, tentaria “incutir no público a ideia de que muitos negros pretendem se vingar de todos os brancos”, ou que, talvez, pretendem “exigir do Estado indenizações pecuniarias que jamais poderão ser pagas”. Sendo assim, Olavo seria um “grosseiro etnocêntrico” que promoveria a “manipulação ideológica e a imprecisão dos dados”. Antes de passarmos para os comentários, é significativo acentuar que a temática, levantada por Moreira – isto é: a de que Olavo pretenderia deslegitimar uma reparação histórica das “discriminações raciais” -, é também a problematização que a pesquisa difamatória-acadêmica de Danner, objetiva e analisa. [33] Caso em que corrobora com a nossa hipótese-investigativa de que são as detrações-acadêmicas que fornecem a conceitualização-significante do conteúdo levantado e observado.

Enfatize-se que, nesta mesma matéria, o próprio Professor Olavo faz um comentário, o qual consideramos, para a hipótese do coorte 2, expressivo: “O autor deste artigo desconhece TODA a bibliografia sobre o assunto, e nem procurou atualizar-se a respeito. Tudo o que faz é repetir lugares-comuns consagrados do discurso comunista […] No meu próximo programa True Outspeak, 25 de julho de 2012, darei algumas informações que ele não deseja receber de maneira alguma”. Ademais, podemos também, no perfil de nome “Josué”, notar um comentário relevante: “Cheguei a esse blog através de um post que o próprio Olavo colocou no facebook […]”.

Pois bem, em matéria intitulada “Tréplica ao True Outspeak de 25 de julho de 2012”,  datada de 25/07/2012, Moreira ressalta que Olavo é um “homem que nunca conseguiu se firmar profissionalmente em seu próprio país”, sendo também um “doutrinador assumido”, e que, por isso, precisaria se “posar de perseguido político”. Nos dizeres de Moreira, Olavo é um “guru etnocêntrico“, um “falso erudito”, uma vez que “fabrica disparates”. [34] Ver: Moreira, “Tréplica ao True Outspeak de 25 de julho de 2012”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/07/treplica-ao-true-outspeak-de-25-de.html

Desta forma, acreditamos, para comprovação do coorte 2, ser de grande valia mencionarmos a matéria intitulada “Sobre os meus escassos minutos de fama: mais atos falhos de Olavo de Carvalho”, datada de 31/07/2012, onde, segundo Moreira, Olavo seria um dos adeptos das “variadas teorias da conspiração”, assim como um pretenso “guru no campo da História” – uma vez que “já decretou que Isaac Newton era uma besta”. Olavo, então, por ter fundado uma espécie de seita”, não conseguiria “perceber sua total irrelevância fora da Internet”, mas que, por sua vez, tendocentenas de conservadores fanáticos“, sabe poder proferir afirmativas que “não carregam compromisso com a verdade” – já que seus seguidores “crêem nele como se fosse o mais infalível dos profetas”. Ademais, na matéria, o próprio Moreira faz questão de destacar que ele era um dos membros da comunidade difamatória do orkut, “Olavo de Carvalho nos Odeia”. [35]Ver: Moreira, “Sobre os meus escassos minutos de fama: mais atos falhos de Olavo de Carvalho”, 2012, disponível em: … Continue reading

Destarte, o comentário de um perfil, de nome “Anônimo”, nos diz: “É lindo recordar o banho que o Dr Orlando Fedeli, ex-presidente da Associação Cultural Montfort, deu nesse pseudo-católico gnostizante e perenialista (“tradicionalista”) de merda. Outro banho foi do biólogo Pirulla sobre os adoçantes da PEPSI “produzidos com fetos abortados”. hahahaha! Parabéns Prof. Gustavo!”.

Posto isto, no caso do coorte 3, a nossa investigação mostrou que a experiência comum pela qual o grupo se identifica, dar-se-á postem-publicação do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, datada de 13/08/2013. Devemos lembrar que as características dos coortes anteriores não só são válidas para as conjunturas dos coortes seguintes, como também neles se interpenetram e registram-se como dado observacional – acrescendo-se à sua análise conceitual-discursiva. Ademais, como já mencionamos, a tese de mestrado de Lucas Patschiki é a referência seminal de significação-interpretante. Assim, o caso coorte 3 agrupa-se a partir das conclusões analíticas-observacionais e históricas, validadas pela significação de Patschiki – na medida em que elas vão constituir uma conceitualização sobre o Olavo.

Soma-se ao grupo, o fator Carlos Velasco – empresário, e autoproclamado “ex-aluno” -, que, a partir de 2014, começa a publicar, em seu Blog “Prometheo Liberto”, uma série de matérias detratoras. Nesse caso-coorte, há uma eclosão maior de matérias difamatórias, posto que, neste período, com a publicação do livro “O mínimo”, Olavo começa a ter uma maior penetração nas massas populares – sobretudo nas redes sociais, sendo este, aliás, um dos motivos da análise abordada pela pesquisa de Patschiki. Sobre a conjuntura deste coorte, a nossa hipótese-investigativa é ratificada pelos pareceres que são dados nas detrações-acadêmicas de Silva, Alencar, Alves, e Paiva. [36]E isso é de fundamental importância, uma vez que permite-nos compreender como os detratores partem das observações dos dados contextuais-discursivos, para, através de seu entendimento, … Continue reading

Segundo Alencar, o “alcance político da influência intelectual” de Olavo, deu-se a partir do “fenômeno que ocupou as ruas do país a partir de junho de 2013”, que “desaguou na revolta contra o resultado das eleições de 2014 e no processo de impeachment da presidente reeleita em 2015”, chegando, por sua vez, a se repercutir, nas ruas, a “frase lapidar dessa influência: Olavo tem razão”, que seria “o grito dos que faziam questão de levantar seu exemplar de O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota (2013)”. [37] Ver: Alencar, 2021, p.843-844 (p.3-4); In: Síntese, v. 48, n°152, p.841-872, Set/Dez, 2021. Neste sentido, Alves salienta que Olavo, “apesar de publicar seus textos de forma formal, encontrou na internet a forma de capitalizar e colocar em debate público de forma mais enfática as suas ideias”. [38] Ver: Alves, 2022, p.139 (p.4); In: Faces da História, v. 9, n°2, p.136-163. jul-dez, 2022.

Já para Paiva, em 2013, “surgiram grandes manifestações contra o status quo e contra o nosso sistema político”, dado que “diante de vários escândalos de corrupção”, a “confiança nas nas instituições estava abalada”. Consequentemente, Olavo, como escritor, “aumenta a sua popularidade com essa crise”, uma vez que, “como faz parte da crise”, também seria um “ente social que ajuda o desenvolvimento dela” – como, por exemplo, “no Facebook, em seus livros, em seus vídeos no Youtube e nas ruas”. [39] Ver: Paiva, 2020, p.3-4; In: Leviathan|Cadernos de Pesquisa Política, n°19, pp.1-20, 2020. Paiva indica, então, que a “ascensão de um contra-público radicalizado de direita”, deu-se pela “rapida difusão por meio da internet de pautas, ideias e argumentos […] vinculados a leitura do escritor Olavo de Carvalho”, concomitantemente com a “janela de oportunidades representada pela efervescencia social de 2013”, que foi “devidamente aproveitada pelos novos grupos de direita” – tendo emOlavo de Carvalho o seu maior expoente”. [40] Ver: Paiva, 2020, p.4; In: Revista Brasileira de Ciências Sociais – vol. 36, n°107|2021, p.1-19.

Por conseguinte, resta-nos mostrar como a pesquisa de Patschiki dá a validade-significante seminal não só da conjuntura do coorte 3, mas de todos os demais coortes. Acrescente-se que a sua dissertação de mestrado foi orientada pelo historiador Gilberto Calil, ao qual elabora, anos depois, uma das detrações-acadêmicas mais influentes, no que diz respeito a conclusão-interpretante. Vale também dizer que Calil, no seu artigo-detração ao Olavo, usa da própria dissertação de Patschiki.

Pois bem, Patschiki divide-se a sua dissertação em 3 partes, onde a primeira pretende “produzir uma explicação científica para a existência do Mídia Sem Máscara”, de maneira a situar o “suporte” que, para a sua “luta política”, foi “instrumentalizado” pelo site, a “internet”, “relacionando-a com os desenvolvimentos do capitalismo no século XX”. Já a segunda parte, denominada “MSM como partido”, apresenta os “preceitos teóricos e metodológicos que permitem investigar o MSM em sua atuação partidária” – como “sua peculiaridade discursiva, forma de propaganda e de organização”. Por fim, a sua terceira parte, denominada “MSM e o fascismo”, situa, “teórica e historicamente”, os “movimentos fascistas do século XX e XXI, apresentando as transformações e continuidades de sua origem e ideologia”. [41] Ver: Patschiki, “Os litores da nossa burguesia: o Mídia sem Máscara em atuação partidária (2002-2011)”, 2012, p.31-36

Ora, isso demonstra que Patschiki parte da hipótese-interpretante dada por Barja [42] Frise-se que o próprio Calil, em seu artigo-detração, faz menção ao artigo de Barja, citando-a como fonte. , mas a desenvolve e amplia, uma vez que elabora uma generalização observacional-histórica do capitalismo, e, ao longo do conteúdo do MSM, analisa a sua presença conceitual-discursiva, formulando, assim, uma hipótese-interpretante do fascismo como terceira onda expansiva do capitalismo – comprovando, então, um conceito verificante-significante, a saber: O Mídia Sem Máscara como partidários de um projeto político-fascista da classe reacionária dominante. Em vista disso, para Patschiki, o MSM seria, ao mesmo tempo, “economicamente alinhado ao capital-imperialismo” e contrário aoliberalismo moral”, que se exprimiria nanecessidade de eliminação da esquerda”, e, por sua vez, na necessidade de um “Estado” que possa dar o “funcionamento” e a “implementação deste projeto”. [43] Ver: Patschiki, Op.cit – p.19

Ainda de acordo com Patschiki, o MSM militaria por uma “contra-reforma moral do homem”, a qual estaria “enraizada na vivência social” dos seus “estratos”, aos quais são apresentados como estando em “profunda crise”, uma vez que isso permitiria que a sua açãoconstruísse uma lógica moral, civilizacional ou cultural”, que pudesse explicar ascrises do capitalismocomo sendo culpa de uma “suposta atuação global de esquerda”, na qual se “visaria destruir as bases morais do capitalismo”. Portanto, a problemática que delineia  a investigação havia sido a de “compreender a atuação partidária do Mídia Sem Máscara”, na hipótese de que as suas “formulações políticas articulam-se a um projeto de sociedade mais amplo, dependente de um Estado maior”, com a “função primal” de buscar por um “consenso mínimo entre grupos reacionários e fascistas existentes na sociedade”. [44] Ver: Patschiki, Op.cit – p.18-20

Por conseguinte, a primeira matéria difamatória deste coorte é datada de 06/07/2013, do jornalista Cristiano Alves, intitulada “BRASIL: Olavo de Carvalho, um filósofo para racistas e idiotas”, no Blog “A Página Vermelha”. [45]Com a exceção dos dois primeiros parágrafos desta matéria, ela reaparece, em sua literalidade, no Blog “Anarquista.Net”, datado de 22/12/2013, intitulada “[Olavo de Carvalho] Um … Continue reading Segundo Alves, Olavo teria “ideias análogas as do terrorista conservador Anders Breivk”, e estaria utilizando-se do “Youtube e redes sociais para disseminar mensagens de ódio”. Assim, Olavo seria um “charlatão que considera falsa a Teoria da Relatividade, de Einstein”, “defendendo” também a “cientificidade da dança do sol”, a “pena de morte para comunistas”, além de “chamar vítimas de massacres de boiolas e maricas”. Conforme Alves, Olavo é uma “leitura obrigatória em todos os círculos neonazistas tupiniquins”. Ele, então, ressalta que Olavo é o “principal representante da extrema-direita no Brasil”, de “abordagem tacanha e reducionista”, que vem “condenando tudo o que entende como esquerdismo”. [46] Ver: Alves, “BRASIL: Olavo de Carvalho, um filósofo para racistas e idiotas”, 2013, disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com/2013/07/brasil-olavo-de-carvalho-um-filosofo.html 

De acordo com Alves, Olavo, sendo “incapaz de conviver com ideias diferentes na academia brasileira”, tem uma “intolerância profunda a qualquer pensamento divergente do seu”. Dono do site Mídia Sem Máscara, Olavo seria detentor de “todo tipo de pensamento preconceituoso”, e de uma “obsessiva ridicularização” de “qualquer coisa que não se enquadre em seu ideário de mundo fascista”, no qual é formado por “visões e dogmas da escolástica medieval”. Consequentemente, Alves acentua que os “admiradores” de Olavo, “não são leitores de filosofia”, mas antes “jovens carentes de um pai, de um líder, de um guia, de um füher”, o que, por sua vez, faria dele não só o “ogro militante da extrema-direita”, como também um “teórico da conspiração”.

Já na matéria intitulada “Política: Direitismo, baixaria e coprolalia, o fascismo cultural de Olavo de Carvalho”, datada de 22/11/2013, Alves destaca que Olavo é um “pensador de direita que quer os holofotes”, “defendendo”, para isso, “o odio, a intolerancia”, e semeando a “sua paranoia”. Acentue-se que é significativo notar a imagem que abre a matéria. Um ano após a pesquisa do Patschiki ter fornecido, aos detratores do Olavo, um conceito-significante, a matéria de Alves retrata-o com uma faixa nazista no braço, uma insignia da TFP, empurrando uma insignia do Mcdonald’s e Monopoly – simbolo que visa, claramente, mostrar o Olavo como um representante da base de classe capitalista -, uma revista Veja –  local onde não só Olavo escrevia, mas que também era retratada como um projeto no qual visava garantir o funcionamento da base dominante -, e uma Bíblia, no cérebro de um “seguidor”, que era, por sua vez, acorrentado a coleira de ferro, a qual estava na mão do Olavo.

Ainda na imagem, este ‘seguidor acorrentado’ teria a função de repetir supostas falas do Olavo, tais como: “Eu odeio esquerdistas, eles não sabem o valor da família! São apenas vagabundos que só sabem reclamar! […] são financiados por Cuba e pela KGB para implantar uma ditadura gayzista no Brasil! […]”. [47]Ver: Alves, “Política: Direitismo, baixaria e coprolalia, o fascismo cultural de Olavo de Carvalho”, 2013, disponível em: … Continue reading

 

 

Para Alves, o trabalho intelectual de Olavo é uma “salada ideológica”, na qual se conglomera o “seu fundamentalismo medieval católico doentio”, que o leva a “rejeitar qualquer pensador de fora da sua igreja”, que “carrega nas costas a mácula das cruzadas e da inquisição”. Por isso, Olavo, em seu curso de filosofia, “não forma alunos, forma fascistas”, uma vez que seria “possível encontrar no site neonazista Stormfront inúmeras referências positivas a Olavo de Carvalho”. Alves, então, destaca que Olavo é um “mistificador fascista”, onde o seu “típico seguidor” é o “jovem que nunca leu um livro de economia em sua vida e quer salvar o Brasil do comunismo-gayzismo”.

Destarte, em matéria intitulada “TEORIA: Como refutar Olavo de Carvalho e seus asseclas”, datada de 26/11/2013, Alves enfatiza que Olavo é um “mistificador barato, formador de fascistas”, posto que organizaria uma “seita política-intelectual”, empregando um “método macarthista”. Segundo Alves, Olavo, com a intenção de “agir em nome do cristianismo”, “evoca mitos sobrenaturais, como o de Fátima”. Ele, então, afirmando ser Stalin pior do que Hitler, “promove o neonazismo”, pois isto seria dizer que “o líder que combateu o racismo é pior do que aquele que promoveu o racismo”. Consequentemente, Olavo “desumaniza o oponente”, na medida em que os “chama de homossexuais pervertidos e depravados”. Assim, conforme Alves, Olavo “não é filósofo nem jornalista”, mas sim um “fascista, guru da direita”, no qual se “apoia” num “fascismo cultural predominante na sociedade brasileira” – fazendo, então, uso do “macarthismo americano” e da “histeria totalitária coletiva”, em vista de implementar um “golpe fascista”. [48] Ver: Alves,“TEORIA: Como refutar Olavo de Carvalho e seus asseclas”, 2013, disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com/2013/11/teoria-como-refutar-olavo-de-carvalho-e.html 

Isto posto, no que diz respeito às detrações do autoproclamado ex-aluno, algumas observações fazem-se necessárias. Datada de 21/02/2014, Velasco pública, no Blog “Prometheo Liberto” a sua primeira matéria, intitulada de “Olavo de Carvalho, o grande palhaço do Brasil (Quem ri por último, ri melhor) – parte 1”, difamando o Olavo. As difamações fundamentam-se sob a perspectiva de que Olavo seria um sionista, que estaria encampando uma guerra em defesa dos interesses da elite financeira judaica-americana, tendo Olavo, até mesmo, sido membro da maçonaria. Algo considerável de se notar é que o anti-semitismo de Velasco, está atrelado a uma suposta defesa da unidade nacional-integralista contra um imperialismo internacional-financeiro judaico, e uma admiração a Alexander Dugin. [49]Admiração que facilmente pode ser percebida em sua matéria no “Diário do Centro do Mundo”, onde Velasco chega a chamar Dugin de “professor Dugin”, além de descrevê-lo como um … Continue reading

Pois bem, qualquer pessoa que tenha lido o debate de Dugin com Olavo sabe, mais ou menos, o que – no que relaciona aos EUA, o comunismo soviético, e qual seria a missão da Rússia – aquele defende. Ora, não seria de se estranhar que Alves, em matéria intitulada “QUESTÕES IDEOLÓGICAS: Quem é Alexander Duguin e o que é sua “Quarta Teoria Política”, datada de 24/09/2014, embora fazendo certas ‘críticas’ ao Dugin, tenha o chamado de “filósofo e professor”? Parece-nos, então, que há uma clara confluência na conjuntura do grupo do coorte 3, isto é: há uma confluência e uma interpenetração de elementos que são comuns a páginas detratoras de esquerda e ao blog de Velasco, tendo por intermédio certas características observacionais-discursivas sobre o comunismo, liberalismo e Rússia.

Neste sentido, Alves chega a destacar, inclusive, que “muitos marxistas-leninistas” chegaram a “saudar”o “professor russo de forma entusiástica”, uma vez que, “Duguin é sem dúvidas” um “progressista quando se trata de expor o processo de dominação cultural e militar ao qual o ocidente tem tentado submeter a Rússia”. Segundo Alves, Duguin chega, até mesmo, a superar muitos comunistas, posto que “denuncia”, “de forma exemplar”, o “flagelo conhecido por liberalismo, digno da mais profunda repulsa por qualquer pessoa que se diz comunista”. Em vista disso, ele conclui que Duguin “merece grande respeito enquanto oponente do imperialismo ocidental e do liberalismo” – oponencia sem a qual ele “ele não teria nenhuma popularidade” -, assim como enquanto pesquisador que “ajudou a desmistificar as mentiras sobre a história da União Soviética fabricadas pela indústria anticomunista da Glasnost”, chegando, então, a demonstrar “o mito das milhões de vítimas do comunismo”. [50]Ver: Alves, “QUESTÕES IDEOLÓGICAS: Quem é Alexander Duguin e o que é sua “Quarta Teoria Política”, 2014, disponível em: … Continue reading

Consequentemente, Velasco destaca que “Quem acompanha o blogue sabe o que penso a respeito da direitinha liberalóide entendeu o seu papel no jogo dialéctico que está conduzindo o Brasil para uma primavera e uma possível guerra civil […] A mensagem da direitinha liberal jamais conquistará o povo mais humilde, cujos problemas actuais são o resultado de mais de um século de experimentos socialistas e liberais. Essa fracção da população brasileira […] está condenada à proletarização, à fragmentação familiar, à educação deficiente e ao estigma de não pertencer ao grupo social que tem acesso aos bons empregos, reservado aos de “boa aparência”, que estudaram em “bons” colégios e têm boas conexões familiares […] Quanto ao Banco Central, ninguém toca nele. Quem manda ali são os interesses estrangeiros, seja num governo de direita, seja num governo de esquerda […] Ambas facções, esquerda e direita, estão ao serviço dos mesmos agentes, aos quais interessa um Brasil dividido em grupos irreconciliáveis prontos a guerrear […] em favor dos abutres internacionalistas […] A Venezuela é vítima de uma campanha de desestabilização, assim como o México e outras nações latino-americanas, ao ponto da actual administração americana já preparar uma intervenção contra Caracas”. [51] Ver: Velasco, “Respondendo em definitivo às calúnias do difamador – Parte 1”, 2014, disponível em: http://libertoprometheo.blogspot.com/2014/02/respondendo-em-definitivo-as-calunias.html

Em outra matéria, datada de 09/03/2014, Velasco afirma: “Hoje, na Ucrânia, o apoio aos nazis só repete o que aconteceu nos anos de Hitler, ou seja, a instrumentalização do anti-semitismo pela máfia sionista. Não é por mero caso que o agente menos discreto dos Rothschild, o Sr. George Soros, antigo financiador da OLP do maçom Arafat, mantém elos com os nazis das ex-repúblicas soviéticas e ainda por cima começou a sua carreira trabalhando como encarregado de inventariar os bens dos judeus de Budapeste para os seus patrões nazis”. [52] Ver: Velasco, “Fechando o caso Olavogate e passando adiante”, 2014, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2014/03/fechando-o-caso-olavogate-e-passando.html 

Ora, onde foi mesmo que, recentemente, este mesmo tipo de argumento foi proferido? Para entendermos melhor essa confluência, basta nos remetermos a matéria da revista socialista Jacobin, datada de 17/01/2022, que nos diz: “O governo dos EUA tem um histórico bem documentado de apoio a grupos extremistas como parte de uma panóplia de desventuras na política externa, que inevitavelmente acabam voltando e explodindo na cara do público norte-americano […] a CIA treina secretamente forças na Ucrânia para servir como “líderes insurgentes”, nas palavras de um ex-oficial de inteligência, caso a Rússia acabe invadindo o país […] O ano em que o programa começou, 2015, também foi o mesmo ano em que o Congresso aprovou uma lei de gastos que incluía centenas de milhões de dólares em apoio econômico e militar à Ucrânia, que foi expressamente modificado para permitir que esse apoio fluísse para milícias neonazista no país”. [53] Ver: MARCETIC, “A CIA está municiando o terror neonazista na Ucrânia”, 2022, disponível em: https://jacobin.com.br/2022/01/a-cia-esta-municiando-o-terror-neonazista-na-ucrania/ 

Por conseguinte, acreditamos não ser necessário apresentar, neste trabalho, uma maior exposição das difamações de Velasco. Nossa proposta é apenas situar onde ele teria confluência na conjuntura do coorte 3, deixando eventuais discursos-observacionais para trabalhos subsequentes – ou, até mesmo, para eventuais estudos de outros alunos e pesquisadores. Por fim, sobre Velasco, frise-se que em matéria intitulada “Globalismo: a cartada sionista”, datada de 03/01/2014, ele assinala que as “elites globalistas desejam destruir a Rússia”, que, por sua vez, “deixada sem nenhuma opção diante da agressividade do Ocidente”, teria de “atacar o Ocidente”. [54] Ver: Velasco, “Globalismo: a cartada sionista”, 2014, disponível em: http://libertoprometheo.blogspot.com/2014/01/globalismo-cartada-sionista.html 

Isto posto, sobre a conjuntura do coorte 4, a nossa hipótese é que ela se dá postem-manifestações pró-impeachment, que resulta na derrubada da ex-presidente Dilma e na ascensão dos movimentos da “nova direita – indo até a publicação, em 2017, do filme sobre Olavo, “O Jardim das Aflições”, de Josias Teófilo. É especificamente a partir desse caso-coorte que eclodem inúmeras matérias difamatórias contra Olavo – sobretudo após a publicação da carta de sua filha, Heloisa de Carvalho, em 17/07/ 2017, no Blog “Prometheo Liberto”, de Velasco.

Ora, o ano de 2016 foi marcado como o ano da ascensão de um novo movimento de direita no país – basta lembrar que, fora a conquista do impeachment nas ruas, os movimentos de direita marcam uma enorme presença na luta pela hegemonia cultural, surgindo, inclusive iniciativas como a Brasil Paralelo e a consolidação do MBL, como um movimento opositor do PT – além de permitir o apontamento do então deputado federal, Jair Bolsonaro, como candidato ao cargo da presidencia da Republica, nas eleições de 2018. Nossa investigação apresenta, então, o ano do coorte 4 como o período em que o Filósofo Olavo de Carvalho acende uma luz de alerta, para além dos seus detratores anteriores, isto é: para ideias que vão além do Mídia Sem Máscara, True Outspeak, redes sociais e vídeos-cortes, os quais o tratavam como um “personagem cômico”.

A partir de então, a pesquisa aberta por Barja, e amplificada por Patschiki, enquanto interpretante-significante do Olavo, passa a fazer mais e mais sentido. Agora, Olavo não era somente uma espécie de “polemista louco”, mas um homem “perigoso”, uma vez que havia criado um levante da direita, vista como “fascista”. Sendo assim, Fellet, em matéria intitulada “Olavo de Carvalho, o ‘parteiro’ da nova direita que diz ter dado à luz flores e lacraias”, datada de 15/12/2016, no site da BBC, parece ter sido um dos primeiros a ter tido uma melhor compreensão disso. Em seus dizeres, Olavo “trava os embates que o tornaram uma das figuras mais conhecidas e controversas da corrente que vem sendo chamada de nova direita brasileira”. [55] Ver: Fellet, “Olavo de Carvalho, o ‘parteiro’ da nova direita que diz ter dado à luz flores e lacraias”, 2016, disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-38282897 

Conforme Fellet, o discurso que “identifica o PT com o comunismo se espalhou”, fazendo com que, até mesmo, num protesto contra Dilma, em Abril de 2015, “64,1% dos presentes” concordassem com a afirmação de que o “PT quer implantar um regime comunista no Brasil”. Ainda segundo Fellet, “naquele dia e em outros protestos, manifestantes portavam cartazes com a expressão “Olavo tem razão”, difundida por fãs do escritor nas redes sociais”. Acentue-se que Julio Severo, antigo colaborador do Mídia Sem Máscara, em matéria intitulada “Olavo de Carvalho na BBC é destacado como “adepto da teoria de que ‘a entidade chamada Inquisição é uma invenção ficcional de protestantes”, datada de 16/12/2016, no Blog JulioSevero, utiliza das observações de Fellet como referencial pelo qual constitui a análise discursiva de Olavo. Nas palavras do próprio Severo, a sua desavença com Olavo teria ocorrido “por causa da inquisição”, a partir do ano de 2015. Adentrando um pouco mais na investigação, podemos constatar que, na bem verdade, Severo parte apenas da inquisição como forma de reforçar as observações-discursivas que foram construídas pela análise de Velasco. Dito de outro modo: Severo, implicitamente, construirá uma observação de Olavo como um neoconservador, anti-Rússia, de um esoterismo neonazista.

Segundo Severo, Olavo, dado o seu “revisionismo”, estaria se consagrando como o “filósofo da inquisição”, o que o colocaria em “pé de igualdade com os revisionistas do holocausto” – na medida em que “os judeus foram vítimas preferenciais tanto da Inquisição quanto do Holocausto”. Mais à frente, Severo fará uma observação que, discursivamente, irá se repetir ao longo de todas as suas detrações. Apontando, então, que “espiritualismo e ocultismo não são parceiros estranhos de cama do direitismo” – já que o “bruxo islâmico René Guénon, admirado por Olavo, foi fundador da Escola Tradicionalista, que era antimarxista” -, ele dirá que “Adolf Hitler”, por sua vez, enquanto um “católico ocultista pretensamente tradicionalista”, também teria “atacado abundantemente o marxismo”. [56]Ver: Severo, 2016,  “Olavo de Carvalho na BBC é destacado como “adepto da teoria de que ‘a entidade chamada Inquisição é uma invenção ficcional de protestantes”, disponível em: … Continue reading

Podemos notar essa repetição em outra matéria, intitulada “O que atrai Olavo de Carvalho aos Estados Unidos?”, e datada de 08/06/2017, onde Severo assinala que Olavo, “muito antes de se envolver com discurso antimarxista”, já “estava envolvido com a escola Tradicionalista, que mistura esoterismo com discurso antimarxista” – a qual teria sido, então, “fundada por Guénon para promover um conservadorismo esotérico contra o marxismo”. Em vista disso, o antimarxismo de Olavo teria a “escola esotérica como base”. Severo, assim, constrói uma visão discursiva de Olavo, através de uma análise que o observa como um neoconservador anti-Rússia, e, consequentemente, neonazista. [57] Ver: Severo, 2017, “O que atrai Olavo de Carvalho aos Estados Unidos?”, disponível em: https://juliosevero.wordpress.com/2017/06/08/o-que-atrai-olavo-de-carvalho-aos-estados-unidos/

Em matéria intitulada “Um neocon brasileiro?”, datada de 15/09/2016, Severo pontua que os “neocons fazem muito dinheiro em cima de conflitos militares”, criando, assim, uma “situação política que eles consigam fazer crescer até virar guerra” – para, por fim, “lucrarem enormes quantias de dinheiro”. De acordo com Severo, a Rússia atual é mais amistosa aos valores tradicionais”, uma vez que “vem lutando batalhas conservadoras na ONU” – e, decorrente disso, não haveria problema nenhum em Trump ser “pró-Rússia, numa época em que a Rússia defende o conservadorismo”. Sendo assim, Severo enfatiza que Trevor Loudon seria, ao estar “descontente com Trump e suas ligações russas”, um neocon “esoterico anticomunista”, que teria louvado Olavo em varios posts – na medida em que “Olavo é ativista anti-Rússia”, e teria, portanto, “qualidades espirituais que nunca desapontaram um esotérico como Loudon”. [58] Ver: Severo, 2016, “Um neocon brasileiro?”, disponível em: http://juliosevero.blogspot.com/2016/09/um-neocon-brasileiro.html?zx=aeaf8da310b31b12

Conforme Severo, Olavo é conhecido por uma “visão geopolítica estridentemente anti-russa”, que faria qualquer conservador o reconhecer como “neocon”, de maneira que o seu “esoterismo” se torna um “ativismo antimarxista” – além de “anti-russo, como são todos os neocons”. Ele, então, destaca que “se o discurso antimarxista fosse sinônimo de conservadorismo, Hitler, que era católico esotérico, teria sido um dos maiores conservadores do mundo” – posto que “tinha um discurso antimarxista incrível”. Já em matéria, intitulada “Olavo de Carvalho, capitalismo, conservadorismo e protestantismo”, datada de 30/04/2017, Severo pontua que o “esoterismo do astrólogo não é menos nocivo do que o esquerdismo”, onde Hitler, aliás, teria tido um “discurso estridentemente antimarxista” – além de ser um “católico nominal e esotérico”, mas num “falso cristianismo e uma falsa bíblia cristã feitos à imagem e semelhança de suas confusões esotéricas”. Por isso, segundo Severo, “se ativismo antimarxista fosse marca de Cristianismo e conservadorismo, o católico esotérico Hitler seria o maior cristão e conservador da história”. [59]Ver: Severo, 2017 – Op.cit; Severo, 2017, “Olavo de Carvalho, capitalismo, conservadorismo e protestantismo”, disponível em: … Continue reading

Pois bem, argumentação que subjaz o discurso observacional de Severo sobre Olavo, pode ser encontrada quando se investiga a matéria intitulada “Perdedora Marisa Lobo adula Olavo de Carvalho enquanto Silas Malafaia denuncia o extremismo do astrólogo”, datada de 11/12/2020, onde ele constrói um discurso de que Sara Winter usaria a “forma portuguesa de Sarah Winter, uma apoiadora nazista britânica e membro da União Britânica de Fascistas”, e, tendo recebido “treinamento na Ucrânia”, desejaria “ucranizar o Brasil” – a pedido de Olavo, “que é o guru dela”. Nos dizeres de Severo, a revolução ucrânia teria sido “financiada por George Soros, o governo de Obama e os neocons”. Assim, o movimento 300 de Sara não só teria sido treinado na Ucrânia, mas também se apresentaria “usando uma máscara de caveira muito popular entre neonazistas”. [60]Ver: Severo, 2020, “Perdedora Marisa Lobo adula Olavo de Carvalho enquanto Silas Malafaia denuncia o extremismo do astrólogo”, disponível em: … Continue reading

Neste sentido, em matéria intitulada “George Soros e Olavo de Carvalho, na visão de seus ex-alunos”, datada de 01/02/2017, Severo salienta que a “revolução ucraniana foi mais que uma revolução do povo”, tendo sido a “revolução de Soros e o seu troféu especial”, qual seja, a “sua coroa revolucionária”. Ele, então, pergunta por qual razão Olavo se diria contra Soros, mas apoiaria a sua maior revolução, respondendo que Olavo seria um “esotérico que disfarça muito bem as suas intenções reais”, onde “embora garanta que não é neocon”, as “suas atitudes garantem exatamente o contrário” – no que daria, até mesmo, para “enxergar a própria raiz do louvor apaixonado de Carvalho a revolução do neocon Soros na Ucrânia”. [61]Ver: Severo, 2017, “George Soros e Olavo de Carvalho, na visão de seus ex-alunos”, disponível em: … Continue reading

Em contrapartida, em matéria intitulada “Olavo de Carvalho e seus absurdos sobre Trump e a Rússia”, datada de 12/09/2016, Severo destaca que a acusação de que Trump seria um agente russo “não é conservadora”, mas sim “uma acusação neocon apontada contra todos os grupos ou indivíduos americanos que apreciam os aspectos positivos e conservadores da Rússia moderna”, e isso significaria, então, que o “candidato mais compatível para ativistas anti-Rússia, como Olavo, é a Hillary” – na medida em que “o bilionário esquerdista George Soros”, que “também apoia Hillary”, “é anti-Rússia”. Conforme Severo, enquanto “Trump elogia a Rússia” e os seus funcionários chegam, até mesmo, a “apoiarem forças pró-Rússia na Ucrânia”, Olavo estaria abertamente louvando a revolução ucraniana”, a qual “foi a maior revolução financiada por Soros”, como o “o melhor exemplo democrático contra uma ditadura”.

Severo, então, nos diz algo considerável: “Eu estava no encontro conservador mais importante da Rússia em 2014, com outro membro do Instituto Inter-Americano e muitos conservadores ortodoxos, católicos, protestantes e judeus internacionais […] Estou contente de ter cooperado com ambas as “estratégias” pró-vida deles, não porque eu seja um cristão ecumênico, mas porque seja o Vaticano ou a Igreja Ortodoxa Russa, as posturas pró-vida deles merecem nosso apoio”. [62] Ver: Severo, 2016, “Olavo de Carvalho e seus absurdos sobre Trump e a Rússia”, disponível em: http://juliosevero.blogspot.com/2016/09/olavo-de-carvalho-e-seus-absurdos-sobre.html

Isto posto, fica perceptível a construção argumentativa que Severo articula enquanto discurso observacional de Olavo: um neocon que, a serviço do globalista Soros, criaria um movimento esotérico neonazista, ao qual, infiltrando-se através de conflitos, promoveria revoluções anti-russas lucrativas, como, por exemplo, a ucraniana. Ademais, é relevante notar como, findado as eleições de 2018, com a então vitória de Jair Bolsonaro ao cargo de Presidente da República, o conhecido site Catraca Livre, em matéria intitulada “Conheça o evangélico que destruiu Olavo de Carvalho nos EUA”, datada de 04/12/2018, não só elogia Severo como um “adversário que venceu” Olavo e fez um “estrago na vida do filósofo”, mas também o apresenta como o “responsável por acabar com o Instituto criado por Olavo de Carvalho, ao denunciá-lo, com base em documentos, aos integrantes do board”. [63]  Ver: https://catracalivre.com.br/cidadania/conheca-o-evangelico-que-destruiu-olavo-de-carvalho-nos-eua/  

Já na matéria intitulada “Filme sobre Olavo de Carvalho não traduz bem ideias do filósofo”, datada de 05/06/2017, Araujo, fazendo uma espécie de ‘resenha’ do filme “O Jardim das Aflições”, ressalta que o Impeachment de Dilma não teria sido suficiente, e, por isso, Olavo desejaria “proibir o PT e a Folha” – fazendo com que, então, haja nele um “traço paranoico acentuado”, e, talvez, até mesmo, “totalitarista“. Assim, Araujo indica que Olavo tem um “ressentimento violento” contra os “usurpadores que tomaram para si o prestígio cultural”, ao qual “deveria ser dele”, e que “o marginalizam”. [64]Ver: Araujo, “Filme sobre Olavo de Carvalho não traduz bem ideias do filósofo”, 2017, disponível em: … Continue reading

Pois bem, 3 meses após a publicação do filme, assim como das matérias que o rodeiam, Heloisa de Carvalho, em matéria intitulada “Carta Aberta a Olavo de Carvalho, meu Pai”, datada de 17/09/2017, no Blog “Prometheo Liberto”, de Velasco, começa a fornecer, para as detrações, uma base discursiva-biográfica. A partir dos relatos biográficos, traçados por Heloísa, foi possível os detratores formularem uma análise discursiva mais ampla sobre quem é Olavo – de modo a atrelá-la na elaboração observacional dos coortes anteriores, conjuntamente com a base interpretante-significante, justificadas nas pesquisas de Barja e Patschiki.

Neste trecho da matéria, Heloísa deixa bem claro como, a partir de então, a vida biográfica de Olavo seria retratada: “[…] só não enxerga o que você está criando nas pessoas, usando o nome de Deus, quem é cego, pois eu vejo claramente, como já vi em outras épocas suas, um bando de pessoas insensatas, com ódio de tudo e de todos, que caem cegamente na sua pregação, criando um exército de intolerantes com seus semelhantes […]”. Um pouco antes, Heloísa enfatiza: “Não adianta mais o seu hábito de criar medo nas pessoas […] Na comunidade muçulmana que você criou em sua casa na Bela Vista, todos te apoiavam e te seguiam incondicionalmente. Na época, eu não sabia que aquilo era uma seita […]”. [65] Ver: Carvalho, H. “Carta Aberta a Olavo de Carvalho, meu Pai”, 2017, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2017/09/carta-aberta-um-pai.html 

Já no dia seguinte, Velasco escreve uma matéria, intitulada “Olavo de Carvalho com o rabinho entre as pernas”, onde é possível notar qual era a objetivação que o relato, elaborado por Heloisa, visava: fazer com que Olavo se declarasse um “fracassado, farsante”, e, então, “se retira-se da vida pública”. [66] Ver: Velasco, “Olavo de Carvalho com o rabinho entre as pernas”, 2017, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2017/09/olavo-de-carvalho-com-o-rabinho-entre.html Por sua vez, Heloisa de Carvalho, na data de 29/09/2017, volta a publicar uma matéria contra o pai, intitulada “Nova carta de Heloísa de Carvalho: Quem é quem!”, no Blog “Prometheo Liberto”, onde destaca que só havia publicado a carta anterior para “alertar as pessoas quanto ao caráter e vida podre do meu pai”, afirmando ainda que os filhos de Olavo “sempre foram seus seguidores tão fanáticos quantos seus alunos” – o que, então, faria dele um “guru”. [67] Ver: Carvalho, H. “Nova carta de Heloísa de Carvalho: Quem é quem!”, 2017, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2017/09/nova-carta-de-heloisa-de-carvalho-quem.html

O interessante desses relatos biográficos – construídos por Heloísa – sobre Olavo, é que eles não somente reaparecem, em outras matérias, como elaborações observacionais, mas também na publicação do livro de Bugalho e Heloisa. Assim, no que diz respeito ao discurso “quem é Olavo?”, os relatos constituem a fonte de citação de quase todas as detrações-acadêmicas. Isso pode ser percebido na matéria do jornalista Kiko Nogueira, intitulada “Olavo de Carvalho fomenta a sujeição mental de uma seita”: o relato de um ex-aluno do guru da direita brasileira”, datada de 18/09/2017, no site “Diário do Centro do Mundo”. Segundo Nogueira, Olavo é o “guru absoluto da direita brasileira” e “mentor intelectual de Jair Bolsonaro”. Utilizando o relato de Joel da Fonseca, ele destaca que Olavo tem um “método da loucura”, no que consistiria, dentre outras coisas, “vender a imagem de sábio e de bravo defensor do bem para jovens sedentos de certezas”. [68]Ver: Nogueira e Fonseca, “Olavo de Carvalho fomenta a sujeição mental de uma seita”: o relato de um ex-aluno do guru da direita brasileira”, 2017, disponível … Continue reading

Para Nogueira e Fonseca, isto faria do Olavo um “simulacro de religião que segrega seus adeptos do mundo”, religião a qual, por sua vez, seria “parasitária do cristianismo”. Ainda conforme Nogueira e Fonseca, Olavo “fomenta uma disciplina e uma sujeição mental” do tipo de uma “seita comandada por um guru”, ao qual “promove o misticismo” – uma vez que “coíbe“, até mesmo”, o “questionamento e a discordância“. Olavo, então, “destrói o senso crítico e a autoestima” de seus alunos, para substituí-los pela “devoção à sua pessoa”. O elemento comum, que identifica o grupo deste caso-coorte, pode ser notado também na matéria intitulada “Olavo de Carvalho, o guru da direita que rejeita o que dizem seus fãs”, datada de 13/10/2017, no site “Época”. Para Tavares, Olavo estaria “preso ao rótulo de guru da direita” pelo “paradoxo que ele próprio criou”, posto que “fala palavrão, tem obsessão por cu, é virulento em seus ataques, e acredita em teorias sem nenhuma preocupação com os fatos que as alicerçam”. [69]Ver: Tavares, “Olavo de Carvalho, o guru da direita que rejeita o que dizem seus fãs”, 2017, disponível em: … Continue reading

Olavo, então, seria um homem que “abriu mão do papel de observador científico e passou a ser agente político” que “dissemina pirações sem relação mínima com a realidade”, e as “replica para a sua bolha”. Decorrente disso, Tavares afirma que Olavo dá lugar a um “personagem com raciocínios anacrônicos”, que “duvida da Teoria da Evolução e de que o Petróleo é um combustível fóssil”, fazendo com que ele tenha “pensamentos descolados dos fatos” – na medida em que “suas fontes se baseiam tão somente no plano das ideias”.

Por conseguinte, fechando os nossos estudos de caso-coorte, a nossa investigação situa como experiência compartilhada do grupo coorte 5, a candidatura oficial, e a posterior eleição, de Jair Bolsonaro à presidência da República – levando, assim, a uma explosão das detrações, que têm, então, por seu por fator comum, a análise discursiva-observacional do chamado “bolsolavismo”. Esse discurso chave permite que se formulem as análises observacionais que colocam, oficialmente, o conhecimento de Olavo, a partir dos conceitos elaborados anteriormente – ou seja: “guru”, “extrema-direita”, fascista cultural”, “ultraconservador”, “místico de seita”, “fundamentalista”, etc. No caso coorte 5, há a produção desenfreada de detrações – sejam elas artigos acadêmicos, livros físicos, ebooks, matérias, vídeos, etc.

A conjuntura do coorte 5 pode ser respaldada por dois trabalhos de Calil. Em matéria intitulada “O astrólogo que inspira Jair Bolsonaro”, datada de 31/01/2020, na revista “Le Monde Diplomatique Brasil”, Calil acentua que a frase de Emir Sader – “Olavo de Carvalho não existe” – foi a “receptividade reservada”, no “meio progressista”, aos trabalhos de Olavo. Para Calil, as “teses reacionárias e panfletárias” de Olavo, que “também exercia função de astrólogo”, “inspirou o desprezo dos universitários“, posto que essas teses “pareciam distantes das preocupações do grande público”. Ainda conforme Calil, “muitos estavam convencidos” que Olavo “só existia para a ala minoritária mais radical da direita brasileira” – “nicho político”, onde, por sua vez, “muito se latia sem morder”. Quando, então, Jair Bolsonaro é eleito presidente do país, os que “viviam a margem tomaram o poder”, levando, assim, os intelectuais de esquerda adescobrirem que seu desdém”, a respeito de Olavo, os haviaimpedido de compreendercomo o “amontoado de erros factuais que caracterizam a sua obra” acabouparecendo coerente a uma parte da população”. [70] Ver: Calil, “O astrólogo que inspira Jair Bolsonaro”, 2020, disponível em: https://diplomatique.org.br/o-astrologo-que-inspira-jair-bolsonaro/ 

De acordo com Calil, Olavo é “nacionalmente conhecido desde o final dos anos de 1990”, mas até aeleição de Jair Bolsonaro, em 2018, eram raros os estudos acadêmicossobre a suainfluência política, ideológica e cultural”. Porém, “a partir da eleição”, os “impactos de sua obra” e a “sua projeção e influência”, “tornaram-se muito mais visíveis“, dando, então, “ensejoa umvolume considerável de reportagens”, as quais tratavam desta influência, assim como de seu “amplo círculo de seguidores”. Por isso, Calil salienta que o “destacado papel” de Olavo nadisseminação de uma visão reacionária“, assim como de “sua relação com a família Bolsonaro”, tem levado aamplificação de investigações críticas sobre sua trajetória” – reconhecendo, por sua vez, quesuas ideias devem ser levadas a sério“, e, portanto, “as pessoas interessadas em compreender os avanços das direitas radicais devem ler os seus livros”. [71] Ver: Calil, 2021, p.64-65 (p.1-2); In: Argum, Vitória, v.13, n° 2, p.64-82, maio/agosto. 2021

Bianchi, por sua vez, em entrevista ao “Instituto Humanitas Unisinos”, datada de 19/12/2018, fornece informações que são salutares para a nossa conjuntura dos casos-coortes. Ele assinala que “quem estuda o pensamento conservador”, “conhecia”, “há tempos”, Olavo, uma vez que, “sobre as suas ideias”, havia, já em 2012, a “pesquisa feita pela dissertação de Patschiki”. Sendo assim, o que “ninguém esperavaera que Olavo, “um personagem tão peculiar”, tivessese tornado uma pessoa politicamente influente em Brasília”, ao ponto de “influenciar os filhos de Jair Bolsonaro” e a “formação do ministério” – provocando, então, uma “estupefação”. Ainda conforme Bianchi, o novo ministério “encarna uma visão de mundo reacionária”, a qual “o pensamento de Olavo” seria o seu “importante ponto de convergência”. [72]  Ver: Bianchi, “Olavo de Carvalho é um efeito da nova direita e não sua causa”, 2018, disponível em: … Continue reading

 

Portanto, o que a nossa investigação revelou é que há uma intrínseca interpenetração e confluência das matérias difamatórias com os artigos acadêmicos-difamatórios, isto é: elas têm, nos dizeres de Mário Ferreira dos Santos, um dúplice vetor. Enquanto os artigos objetivam dar a conceitualização e justificação significante, as matérias têm por finalidade abrir o campo da análise observacional-discursiva. Estas passam a ser dados observacionais-biográficos, que são, então, usados como o discurso que responde a pergunta: “quem é Olavo de Carvalho?”; em contrapartida, aquelas conceitualizam uma interpretação de Olavo de Carvalho, que será utilizada como justificação e comprovação dos elementos da matéria. Assim, os artigos são citados, nas matérias, como conceitos significantes; por sua vez, as matérias são citadas, nos artigos, como observações analíticas do discurso-personagem.

Por fim, cabe-nos mostrar o porquê do Professor Olavo não ter chegado a esta mesma hipótese, mas, ao contrário: acreditar que as difamações da mídia, dos blogs, das redes sociais, eram as mais importantes. Nos dizeres de Olavo: “Eu tenho meios de sair pesquisando e procurando isto? Eu não sei como verificar essas coisas, eu não entendo desse negócio de internet. Eu sou um homem de 73 anos. Como é que um ‘veio’ pode estar tão atualizado… quer dizer: toda semana aparece um termo técnico que eu não tenho a menor ideia do que sejam. Eu sei analisar questões políticas, filosóficas, isto é tudo o que eu sei fazer”. [73] Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 521, 06 jun. 2020.

Olavo era um Filósofo que, em sua prática filosófica, investigava questões e problemas filosóficos. Consequentemente, era impossível exigir dele que soubesse rastrear e investigar os processos de pesquisa em andamento. Ele tinha acesso as detrações que estavam no seu meio de atuação diária, ou seja: as redes sociais, nas quais ele utilizava como um diário, e as manchetes das principais revistas e jornais midiáticos, aos quais ele conhecia muito bem – posto que, por décadas, trabalhou como jornalista. Assim, podemos dizer que a pesquisa do vetor dúplice das detrações, foi algo que escapou ao horizonte de consciência do Professor Olavo – e, sendo assim, cabe-nos, como alunos, seguir a pesquisa, a partir daquilo que ele não enxergou. 

 

 

II – Método de pesquisa


Esclarecido e justificado a nossa hipótese de abordagem, temos de explicitar qual o método de investigação. Para Lakatos, o método é um conjunto sistemático e racional de ações ou atividades que permitem alcançar o objetivo da pesquisa, qual seja: o conhecimento válido e verdadeiro. Portanto, o método é aquilo que traça o caminho e as decisões da pesquisa. [74] Ver: Lakatos, 2003, p.83-84 Ainda conforme Lakatos, a pesquisa parte da tentativa de definir, precisar e aclarar um problema. [75] Ver: Lakatos, 2003, p.159-161

Já para o Filósofo Mário Ferreira dos Santos, o método deriva da expressão “bom caminho”, isto é: um modo sistemático e geral de trabalho que, seguindo normas precisas, alcança a finalidade desejada. Segundo Santos, o método consiste numa orientação racional que funda as suas afirmações através da observação dos fatos da experiência. Por isso, o método, para poder observar os fatos, provoca o seu surgimento, no intuito de extrair as suas leis gerais. Como Santos destaca, o método é ativo, posto que procura “penetrar nos pormenores” do fato, para encontrar as “relações de causalidade que neles se manifestam”. [76] Santos, Mário Ferreira dos, 1964, p.938-939 Trazendo para o nosso próprio vocabulário, o objetivo da pesquisa é, como dizia o Professor Olavo, equacionar, montar, o problema. Por isso, é a caracterização do problema que define e identifica o método.

Portanto, expostas as problemáticas do inciso anterior, não faria sentido que esta pesquisa equacionasse as detrações, de maneira a “refutá-las”, “combatê-las”. Ora, sendo o objetivo da pesquisa aclarar e definir, vimos que o seu conjunto de atividades racionais, no qual direcionaria e validaria a investigação, não poderia ser o de uma refutação. Só é possível conhecer as detrações, a partir do momento em que o método da pesquisa traça a sua documentação. Sem a materialidade da pesquisa, sem a fonte documental, não há refutação, ou mesmo investigação. Neste sentido, o nosso trabalho visa, antes de tudo, ser um ponto de partida, entendido com uma base pela qual o estudioso possa ter um referencial compreensivo-investigativo da incompreensibilidade acadêmica, em sua crítica a Olavo de Carvalho. Sendo assim, a nossa pesquisa é um conjunto sistematizado e direcionado pelo método da meta-análise.

Segundo Luiz, o termo meta-análise originou-se em 1976, com o artigo de G.V. Glass, “Primary, secondary and meta-analysis of research”, na Revista Educational Research, volume 5. [77] Ver: Luiz, 2002, p.409 (p.3); In: Cadernos de Ciência e Tecnologia, v. 19, n° 3, p.407-428, set/dez. 2002 Para Bicudo, a meta-análise agrega os dados numa unidade de síntese, e, objetivando integrá-los, faz uma revisão sistemática deles – analisando também os seus métodos e conclusões. Bicudo salienta que a meta-análise é uma investigação analítica-comparativa – na qual o tema é enfocado de maneira a possibilitar uma abertura de caminhos para uma teorização. [78] Ver: Bicudo, 2014, p.8-10 (p.2-4) ; In: REVEMAT, v. 9, Ed.Temática (junho), p.07-20, 2014. Luiz acentua, então, que a meta-análise é um método pelo qual o pesquisador, “ao reunir resultados e conclusões alheias”, “adota um novo enfoque”. Por isso, ela visa, “através da união de resultados de diversos trabalhos”, “extrair informação adicional” dos dados – permitindo, então, “combinar os resultados” de diversos estudos realizados, de forma a “sintetizar as suas conclusões” ou a “extrair uma nova conclusão”. [79] Luiz – Op.cit

De acordo com Bicudo, uma meta-análise é uma ação contemplativa que reúne o total, a totalidade, do investigado, isto é: das análises individuais. Em vista disso, a meta-análise investiga a individualidade da pesquisa primária, assim como as descrições singulares fornecidas – analisando, então, a coerência e a consistência entre a “pergunta investigada e as interpretações efetuadas”. Para Bicudo, a meta-análise é um pensar sistemático que retoma, isto é, volta-se sobre a pesquisa realizada – buscando, assim, o resultado que foi efetuado por sua investigação. O seu método é, portanto, um movimento reflexivo sobre aquilo que foi investigado pela pesquisa – e, por sua vez, como ela conduziu uma resposta para a interrogação inicial que a gerou. [80] Ver: Bicudo, 2014, p.10-14  (p.4-8) – Op.cit

Consequentemente, Luiz destaca que a meta-análise é aquela que “muda ou transcende o resultado das análises anteriores”, de modo a fazer, a partir delas, uma reflexão crítica – posto que a meta-análise, em seu sentido literal, seria uma “análise de análises”. [81]  Ver: Luiz, 2002, p.410 (p.4) – Op.cit  A meta-análise tem, como ressalta Lovatto, a característica de, ao analisar os estudos, mudar o enfoque e direção dos seus efeitos. Segundo Lovatto, ela evidencia um efeito, no qual, por falta de potência analítica, não se permitiria que o estudo individual assim estabelecesse. Pelo seu “aumento de precisão analítica”, ela fornece uma “síntese do conhecimento adquirido”, reagrupando as várias temáticas dos estudos numa melhor avaliação e comparação de seus efeitos. [82]Lovatto, et al., “Meta-análise em pesquisas científicas: enfoque em metodologias”, 2007, p.4-5; In: Revista Brasileira de Zootecnia, V. 36, suplemento especial, p.285-294, 2007, jul 2007, … Continue reading

Neste sentido, o nosso estudo é um trabalho de meta-análise sobre as detrações-acadêmicas direcionadas ao Filósofo Olavo de Carvalho. Assim, trabalharemos com os casos-coortes 4 e 5 – conjugando-os com um artigo do coorte 3. Por conseguinte, a nossa análise centra-se, sobretudo, nos artigos acadêmicos dos anos de 2018-2022. Para esta reflexão analítica, foram investigados 24 artigos, na totalidade de 576 páginas, excluindo – por sua vez – da contagem, as páginas que, embora utilizadas na apresentação da hipótese de pesquisa, não dizem respeito a pesquisas difamatórias-acadêmicas. Portanto, a nossa intervenção crítica-analitica se dará nos momentos em que se apresentem lacunas expositivas nas intenções do detrator, ou seja: quando o artigo acadêmico induzir conclusões veladoras. Neste momento, extrairemos qual foi o enfoque de interpretação dado pelo detrator, assim como a sua consistência e suas contradições.

Outro ponto metodológico a se destacar é que consideramos, para fins deste trabalho, apenas os artigos acadêmicos que abordam, no seu corpo de texto ou título, uma crítica conceitual de Olavo. Como já demonstramos, as detrações acadêmicas a Olavo sofrem, a partir dos casos coortes 4 e 5, uma grande expansão. Isso significa que não somente Olavo é tomado como objeto de estudo direto, mas também como indireto. Dito de outro modo: há detrações que, embora Olavo não seja o enfoque principal da análise, elas, tangencialmente, abordam certos elementos seus (frases, participações em entrevistas, vídeos, etc) como forma de conceitualização de outra problemática. Assim, por exemplo, elementos de Olavo aparecem mencionados em diversos trabalhos que tem como abordagens críticas o “marxismo cultural”, o “bolsonarismo”, o “bolsolavismo” , as “novas direitas brasileiras”, etc. Neste sentido, em nossa metodologia de análise, esses trabalhos foram desconsiderados.

Pois bem, o título deste trabalho se dá a partir de como, ao longo da investigação, fomos constatando que os detratores mostravam-se completamente ineptos e incapazes no que diz respeito ao entendimento básico, lógico e coerente, do pensamento e obra de Olavo de Carvalho. Para título de exemplificação, em um artigo, Olavo seria um fundamentalista católico de extrema-direita, mas, ao mesmo tempo, seria, em outro artigo, um tradicionalista-perenialista; em um artigo, Olavo seria o guru que distorce o filósofo Arthur Schopenhauer, no que, ao mesmo tempo, seria, em outro artigo, o representante erístico schopenhaueriano; para um artigo, Olavo seria um metafísico a-histórico e anti-hermenêutico, mas, ao mesmo tempo, seria, noutro artigo, o intuicionista-espiritualista de um ocultismo místico; Olavo seria ainda, segundo um artigo, o conservador ultraliberal, no que, ao mesmo tempo, seria, noutro artigo, um radical revolucionário antidemocrático.

Diante de tamanha salada mista, o investigador termina a sua investigação diante de duas alternativas: tomar os pesquisadores como loucos ou tomar a si mesmo como louco, já que não seria possível que tanta gente assim estivesse, ao mesmo tempo, louca – sobretudo quando isso diz respeito a acadêmicos que se arrogam ao prestígio de serem estudiosos sérios, com uma ampla gama de requisitos científicos, e uma abordagem metodológica e rigorosa de seu objeto. Infelizmente, quanto mais o investigador adentrar na reflexão analítica dos trabalhos acadêmicos – aos quais tomam como objetivação de estudo compreender e significar Olavo de Carvalho -, mais a sua conclusão será inequívoca: a crítica acadêmica que se direciona a compreender Olavo de Carvalho e sua obra, resulta num polo totalmente oposto, ou seja, numa incompreensibilidade absoluta – que chega, até mesmo, a beirar a insanidade mental.

Consequentemente, a proposta deste trabalho é expor essa incompreensibilidade, de maneira a documentar a incapacidade dos acadêmicos brasileiros para compreenderem a Filosofia de um Filósofo que os supera. Por isso, o nosso trabalho é um tratado que tem por finalidade ser similar a proposta do livro “Dicionário Crítico do Pensamento de Direita”, trabalho que o Professor Olavo não só criticava, como também – por se tratar de um trabalho feito por professores universitários que, embora proferindo terem a finalidade de apresentar o pensamento da direita, não citam autores conservadores – chamava os seus autores de “charlatões”. [83] Ver: https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/1195320380620034/?locale=pt_BR ; https://olavodecarvalho.org/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-a-direita-e-vai-continuar-nao-sabendo/ 

Segundo Silva, o “Dicionário” tem a proposta de “ratificar a importância da continuidade da existência dos campos direita/esquerda como espectros fundamentais dos debates políticos contemporâneos”, uma vez que, com a “queda da União Soviética em 1991”, “declarou-se também o fim da distinção entre direita e esquerda” – o que seria, então, “o fim das ideologias”. Silva destaca que, “mais do que o fim das ideologias”, o que se observa é, na verdade, “uma redefinição dos campos da esquerda e da direita”. Nos seus dizeres, a proposta do “Dicionário” é um “retorno ao estudo do pensamento conservador”, que é entendido como um “procedimento fundamental para a diferenciação dos campos políticos” – posto que “presenciamos a ressurgência do fascismo”. [84] Ver: Silva, et al., “Dicionário Crítico do Pensamento de Direita – Idéias, Instituições e Personagens”, 2000, p.6-19

Isto posto, a nossa proposta é um Tratado que investiga e expõe a crítica detratora-acadêmica a Olavo de Carvalho, de maneira a diferenciar dois campos distintos e excludentes: a incompreensibilidade dos detratores e o filosofar do Filósofo Olavo de Carvalho – onde este não corresponde, em nada, a aquele, e aquele não condiz, em nada, com este. Por isso, este Tratado será composto por capítulos que agrupam os mesmos elementos e características comuns que os identifiquem – assim, por exemplo, os críticos-difamadores gramscianos [85] Entendidos como os autores que fazem uso da conceitualização gramsciana enquanto repertorio analítico-verificativo. serão capitulados conjuntamente. Ademais, essas capitulações, em suas denominações, seguirão a proposta do Professor Olavo, a saber: ridicularizar, através do recurso irônico, o absurdo. Embora não sejamos adeptos à ridicularização do adversário, a investigação constatou algo inequívoco: os títulos e denominações dos artigos detratores são tão absurdos, que eles mesmos se ridicularizam. Portanto, seguindo a nossa metodologia de meta-análise, recorremos ao recurso interventivo-irônico para acentuar o absurdo e a ridicularidade da proposta de seus autores.

Por conseguinte, a nossa investigação revelou um resultado intrigante: apesar dos detratores partirem dos artigos-acadêmicos, como tentativa de significar a obra de Olavo de Carvalho, o Filósofo Olavo de Carvalho é completamente desconhecido – e isto se dá não somente na prática filosófica de Olavo sobre o seu próprio filosofar, mas também na sua obra filosófica. Dito de outro modo: nessas detrações, o Filósofo Olavo de Carvalho não é trabalhado ou mesmo estudado. Dos 24 artigos examinados, apenas 2 deles passam do nível de discurso retórico do Olavo. Destes, apenas 1 artigo chega a estudar o seu nível de discurso lógico. Nos demais trabalhos, as obras do Olavo citadas são, quando muito, do nível de discurso da ciência política e crítica cultural. [86] Para maior entendimento, ver: https://jornalcidadaniapopular.com.br/breve-itinerario-para-leitura-da-obra-de-olavo-de-carvalho/

Conquanto alguns trabalhos ainda cheguem a citar certas obras de nível dialético, esta citação não se faz acompanhada da paginação, o que vai frontalmente contra o rigor exigido em pesquisas de tipo acadêmicas – levando-nos, consequentemente, a exclusão, para fins de consideração, da bibliografia citada não-paginada. Mesmo nos trabalhos que passam do nível retórico de discurso, há obras que são citadas apenas como apud de outros autores – e, uma vez que não-paginam a fonte primária de estudo, também foram excluídas da consideração bibliográfica. Sendo assim, as obras do nível de discurso lógico do Olavo, como “Inteligência e verdade”, “A consciência da Imortalidade”, “Introdução à Filosofia de Louis Lavelle”, “O saber e o enigma”, “Ser e conhecer”, etc, não são estudadas ou mesmo conhecidas. [87]E é salutar destacar este ponto, posto que mesmo os nossos adversários têm o entendimento de que conhecer ou estudar 10% da obra de um autor não capacita-nos para discorrer sobre este autor. Nas … Continue reading

Pois bem, finalizando a explicitação de nossa metodologia, é pertinente explicar que, ao final de nossa pesquisa, pretendemos atender a outro pedido antigo do Professor Olavo, a saber: um estudo sobre qual o conteúdo que vem sendo aprovado nas teses universitárias brasileiras. Quando esta coluna foi criada, a nossa finalidade era pesquisar e documentar o que vinha acontecendo, ao longo dos últimos anos, dentro das pesquisas acadêmicas. Em vista disso, acreditamos que nada melhor do que começarmos esta investigação documentando os autores referenciais que subjazem às teses dos autores-detratores. Ora, em uma de suas diversas aulas, o Professor Olavo afirmava: “Há 20 anos eu estou pedindo: façam um estudo sobre as teses universitárias, porque quem controla a aprovação de teses determina o conteúdo da ideologia da próxima geração”. [88] Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 553, 2021.

Desta forma, o final deste artigo será dedicado a investigar o currículo teórico dos detratores, sejam como professores universitários – isto é: as dissertações que orientaram -, sejam como mestrandos ou doutorandos – ou seja: as dissertações e teses que defenderam. Contudo, mais uma vez, divergimos da proposta do Professor Olavo, visto que, enquanto ele pensava ser o crucial a documentação das teses anti-comunistas – ou, no caso, a falta delas -, o nosso trabalho parte noutra linha de defesa – entendendo que o crucial é documentar as influências teóricas que dão, aos detratores, o referencial e a metodologia da análise. Assim, na parte final, não pretendemos demonstrar a tese da predominância hegemônica do “marxismo cultural” na universidade, mas sim de uma ontologia, um sistema, marxiana(o). [89]Mais à frente, isso será demonstrado de maneira mais aprofundada. De antemão, para maior compreensão do porquê da nossa recusa ao termo “marxismo cultural”, ver: … Continue reading 

 

 

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References

References
1 Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 457, 20 jan. 2019; Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 521, 06 jun. 2020; Carvalho, Olavo de. Vídeo “SEGUNDO APELO”, 21 jun. 2020, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8ZEfmbk4VZs
2 Lakatos, 2003, p.126-132
3 Santos, Mário Ferreira dos, 2018, p.88-89
4 Santos, Mário Ferreira dos, 1964, p.940
5 Sendo também, segundo Barretto e Filho (2012), adotado em pesquisas demográficas de contingentes populacionais, unificados pelo ano de nascimento.
6 Barreto e Filho, 2012, p.170; “ESTUDOS DE COORTE”, p. 63-66, disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/59/o/Modulo4-Estudosdecoorte.pdf 
7 Ver: Barja, “A face obscura da política: governo e eleições no Mídia Sem Máscara”, 2009, p.153-154 (p.1-2)
8 Ver: Lungaretti, “Goebbels inspira direita e esquerda na internet”, 2007, disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/reportagem/goebbels-inspira-direita-e-esquerda-na-internet/ 
9 Todos os destaques são nossos.
10  Ver: Lungaretti, “O samba do Olavo doido”, 2007, disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/projeto-bula/reportagem/o-samba-do-olavo-doido/ 
11 Ver: Lungaretti, “Polêmica: Celso Lungaretti x Olavo de Carvalho”, 2010, disponível em: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/06/polemica-celso-lungaretti-x-olavo-de.html
12 Op.cit
13 Ver: Heidrich, “Mídia Com Dois Rostos”, 2008, disponível em: https://anselmoheidrich.wordpress.com/2020/02/20/midia-com-dois-rostos/ 
14 Hipótese que é central na significação conceitual dada por Barja.
15 Ver: Barja, “A face obscura da política: governo e eleições no Mídia Sem Máscara”, 2009, p.159  (p.7)
16 Ver: Barja, Op.cit, p.163-164 (p.11-12)
17 Ver: Cristaldo, “Quem financia o astrólogo?”, 2008, disponível em: http://cristaldo.blogspot.com/2008/01/quem-financia-o-astrlogo-anselmo.html 
18 Onde, diga-se de passagem, Frei Betto é um de seus colunistas.
19 Ver: Borges, “Fascista sem máscara na internet”, 2008, disponível em: https://www.correiocidadania.com.br/politica/1507-05-03-2008-fascista-sem-mascara-na-internet
20 Ver: Barja, Op.cit, p. 153-157 (p.1-5)
21 Ver: Barja, Op.cit, p. 159-160 (p.7-8)
22 Ver: Barja, Op.cit, p.163 (p.11)
23 Ver: Barja, Op.cit, p.165-168 (p.13-16)
24 Ver: Barja, Op.cit, p.169-176 (p.17-24)
25 Ver: Rosário, “Olavão foge do hospício e aparece na Folha”, 2011, disponível em: https://www.ocafezinho.com/2011/11/13/olavao-foge-do-hospicio-e-aparece-na-folha/
26 Não documentaremos, neste trabalho, todas as matérias difamatórias do Gustavo, que serão expostas em outra parte, mas sim as apresentaremos como justificação probante da experiência comum identificável no coorte 2.
27 Ver: Moreira, “Balelas de Olavo de Carvalho: árabes, africanos e europeus”, no Blog “História e Política”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/04/balelas-de-olavo-de-carvalho-arabes.html
28 E aqui, refere-se, portanto, a um post de Facebook.
29 Ver: Moreira, “Balelas sortidas de Olavo de Carvalho”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/04/balelas-sortidas-de-olavo-de-carvalho.html
30 Três meses após a publicação da pesquisa do Lucas Patschiki.
31 Martinho, “Guru ultraconservador, Olavo de Carvalho afirma que “homossexualismo”, 2012, disponível em: https://www.umoutroolhar.com.br/2012/07/guru-ultraconservador-olavo-de-carvalho.html?m=1
32 Ver: Moreira, “Imposturas de Olavo de Carvalho”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/07/imposturas-de-olavo-de-carvalho.html
33 Caso em que corrobora com a nossa hipótese-investigativa de que são as detrações-acadêmicas que fornecem a conceitualização-significante do conteúdo levantado e observado.
34 Ver: Moreira, “Tréplica ao True Outspeak de 25 de julho de 2012”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/07/treplica-ao-true-outspeak-de-25-de.html
35 Ver: Moreira, “Sobre os meus escassos minutos de fama: mais atos falhos de Olavo de Carvalho”, 2012, disponível em: https://gustavoacmoreira.blogspot.com/2012/07/sobre-os-meus-escassos-minutos-de-fama.html
36 E isso é de fundamental importância, uma vez que permite-nos compreender como os detratores partem das observações dos dados contextuais-discursivos, para, através de seu entendimento, construírem as hipóteses interpretantes-difamatórias.
37 Ver: Alencar, 2021, p.843-844 (p.3-4); In: Síntese, v. 48, n°152, p.841-872, Set/Dez, 2021.
38 Ver: Alves, 2022, p.139 (p.4); In: Faces da História, v. 9, n°2, p.136-163. jul-dez, 2022.
39 Ver: Paiva, 2020, p.3-4; In: Leviathan|Cadernos de Pesquisa Política, n°19, pp.1-20, 2020.
40 Ver: Paiva, 2020, p.4; In: Revista Brasileira de Ciências Sociais – vol. 36, n°107|2021, p.1-19.
41 Ver: Patschiki, “Os litores da nossa burguesia: o Mídia sem Máscara em atuação partidária (2002-2011)”, 2012, p.31-36
42 Frise-se que o próprio Calil, em seu artigo-detração, faz menção ao artigo de Barja, citando-a como fonte.
43 Ver: Patschiki, Op.cit – p.19
44 Ver: Patschiki, Op.cit – p.18-20
45 Com a exceção dos dois primeiros parágrafos desta matéria, ela reaparece, em sua literalidade, no Blog “Anarquista.Net”, datado de 22/12/2013, intitulada “[Olavo de Carvalho] Um “pseudo-filósofo” astrólogo para anencéfalos, racistas e idiotas” (Disponível em: https://www.anarquista.net/olavo-de-carvalho-um-pseudo-filosofo-astrologo-para-anencefalos-racistas-e-idiotas/ ) Comparando ambos os textos, resta claro que, embora a matéria esteja assinada com a denominação “Admin”, o texto de 06/07/2013, foi apenas reciclado e adaptado por Alves, com a finalidade de postá-lo em outro blog. Ademais, essa “reciclagem” da matéria, tendo sido feita 4 meses após a publicação do livro “O mínimo”, parece-nos salutar para a nossa hipótese do caso-coorte 3.
46 Ver: Alves, “BRASIL: Olavo de Carvalho, um filósofo para racistas e idiotas”, 2013, disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com/2013/07/brasil-olavo-de-carvalho-um-filosofo.html 
47 Ver: Alves, “Política: Direitismo, baixaria e coprolalia, o fascismo cultural de Olavo de Carvalho”, 2013, disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com/2013/11/politica-o-fascismo-cultural-de-olavo.html 
48 Ver: Alves,“TEORIA: Como refutar Olavo de Carvalho e seus asseclas”, 2013, disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com/2013/11/teoria-como-refutar-olavo-de-carvalho-e.html 
49 Admiração que facilmente pode ser percebida em sua matéria no “Diário do Centro do Mundo”, onde Velasco chega a chamar Dugin de “professor Dugin”, além de descrevê-lo como um “cientista político russo”. ( Disponível em: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/generalista-inculto-e-mentiroso-o-depoimento-de-um-ex-aluno-de-olavo-de-carvalho/ )  É de salientar também que esta matéria réplica elementos textuais da sua matéria de 21/02/2014, e da matéria “Respondendo em definitivo às calúnias do difamador – Parte 1”, datada de 22/02/2014.
50 Ver: Alves, “QUESTÕES IDEOLÓGICAS: Quem é Alexander Duguin e o que é sua “Quarta Teoria Política”, 2014, disponível em: http://apaginavermelha.blogspot.com/2014/09/questoes-ideologicas-quem-e-alexander.html
51 Ver: Velasco, “Respondendo em definitivo às calúnias do difamador – Parte 1”, 2014, disponível em: http://libertoprometheo.blogspot.com/2014/02/respondendo-em-definitivo-as-calunias.html
52 Ver: Velasco, “Fechando o caso Olavogate e passando adiante”, 2014, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2014/03/fechando-o-caso-olavogate-e-passando.html 
53 Ver: MARCETIC, “A CIA está municiando o terror neonazista na Ucrânia”, 2022, disponível em: https://jacobin.com.br/2022/01/a-cia-esta-municiando-o-terror-neonazista-na-ucrania/ 
54 Ver: Velasco, “Globalismo: a cartada sionista”, 2014, disponível em: http://libertoprometheo.blogspot.com/2014/01/globalismo-cartada-sionista.html 
55 Ver: Fellet, “Olavo de Carvalho, o ‘parteiro’ da nova direita que diz ter dado à luz flores e lacraias”, 2016, disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-38282897 
56 Ver: Severo, 2016,  “Olavo de Carvalho na BBC é destacado como “adepto da teoria de que ‘a entidade chamada Inquisição é uma invenção ficcional de protestantes”, disponível em: https://juliosevero.wordpress.com/2016/12/16/olavo-de-carvalho-na-bbc-e-destacado-como-adepto-da-teoria-de-que-a-entidade-chamada-inquisicao-e-uma-invencao-ficcional-de-protestantes/
57 Ver: Severo, 2017, “O que atrai Olavo de Carvalho aos Estados Unidos?”, disponível em: https://juliosevero.wordpress.com/2017/06/08/o-que-atrai-olavo-de-carvalho-aos-estados-unidos/
58 Ver: Severo, 2016, “Um neocon brasileiro?”, disponível em: http://juliosevero.blogspot.com/2016/09/um-neocon-brasileiro.html?zx=aeaf8da310b31b12
59 Ver: Severo, 2017 – Op.cit; Severo, 2017, “Olavo de Carvalho, capitalismo, conservadorismo e protestantismo”, disponível em: https://juliosevero.wordpress.com/2017/04/30/olavo-de-carvalho-capitalismo-conservadorismo-e-protestantismo/ 
60 Ver: Severo, 2020, “Perdedora Marisa Lobo adula Olavo de Carvalho enquanto Silas Malafaia denuncia o extremismo do astrólogo”, disponível em: https://juliosevero.wordpress.com/2020/12/11/perdedora-marisa-lobo-adula-olavo-de-carvalho-enquanto-silas-malafaia-denuncia-o-extremismo-do-astrologo/
61 Ver: Severo, 2017, “George Soros e Olavo de Carvalho, na visão de seus ex-alunos”, disponível em: https://juliosevero.wordpress.com/2017/02/01/george-soros-e-olavo-de-carvalho-na-visao-de-seus-ex-alunos/
62 Ver: Severo, 2016, “Olavo de Carvalho e seus absurdos sobre Trump e a Rússia”, disponível em: http://juliosevero.blogspot.com/2016/09/olavo-de-carvalho-e-seus-absurdos-sobre.html
63  Ver: https://catracalivre.com.br/cidadania/conheca-o-evangelico-que-destruiu-olavo-de-carvalho-nos-eua/
64 Ver: Araujo, “Filme sobre Olavo de Carvalho não traduz bem ideias do filósofo”, 2017, disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/06/1890183-filme-sobre-olavo-de-carvalho-nao-traduz-bem-ideias-do-filosofo.shtml
65 Ver: Carvalho, H. “Carta Aberta a Olavo de Carvalho, meu Pai”, 2017, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2017/09/carta-aberta-um-pai.html 
66 Ver: Velasco, “Olavo de Carvalho com o rabinho entre as pernas”, 2017, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2017/09/olavo-de-carvalho-com-o-rabinho-entre.html
67 Ver: Carvalho, H. “Nova carta de Heloísa de Carvalho: Quem é quem!”, 2017, disponível em: https://libertoprometheo.blogspot.com/2017/09/nova-carta-de-heloisa-de-carvalho-quem.html
68 Ver: Nogueira e Fonseca, “Olavo de Carvalho fomenta a sujeição mental de uma seita”: o relato de um ex-aluno do guru da direita brasileira”, 2017, disponível em:https://www.diariodocentrodomundo.com.br/olavo-de-carvalho-fomenta-a-sujeicao-mental-de-uma-seita-o-relato-de-um-ex-aluno-do-guru-da-direita-brasileira/ 
69 Ver: Tavares, “Olavo de Carvalho, o guru da direita que rejeita o que dizem seus fãs”, 2017, disponível em: https://epoca.oglobo.globo.com/sociedade/noticia/2017/10/olavo-de-carvalho-o-guru-da-direita-que-rejeita-o-que-dizem-seus-fas.html
70 Ver: Calil, “O astrólogo que inspira Jair Bolsonaro”, 2020, disponível em: https://diplomatique.org.br/o-astrologo-que-inspira-jair-bolsonaro/ 
71 Ver: Calil, 2021, p.64-65 (p.1-2); In: Argum, Vitória, v.13, n° 2, p.64-82, maio/agosto. 2021
72   Ver: Bianchi, “Olavo de Carvalho é um efeito da nova direita e não sua causa”, 2018, disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/585547-olavo-de-carvalho-e-um-efeito-da-nova-direita-e-nao-sua-causa-entrevista-especial-com-alvaro-bianchi 
73 Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 521, 06 jun. 2020.
74 Ver: Lakatos, 2003, p.83-84
75 Ver: Lakatos, 2003, p.159-161
76 Santos, Mário Ferreira dos, 1964, p.938-939
77 Ver: Luiz, 2002, p.409 (p.3); In: Cadernos de Ciência e Tecnologia, v. 19, n° 3, p.407-428, set/dez. 2002
78 Ver: Bicudo, 2014, p.8-10 (p.2-4) ; In: REVEMAT, v. 9, Ed.Temática (junho), p.07-20, 2014.
79 Luiz – Op.cit
80 Ver: Bicudo, 2014, p.10-14  (p.4-8) – Op.cit
81  Ver: Luiz, 2002, p.410 (p.4) – Op.cit
82 Lovatto, et al., “Meta-análise em pesquisas científicas: enfoque em metodologias”, 2007, p.4-5; In: Revista Brasileira de Zootecnia, V. 36, suplemento especial, p.285-294, 2007, jul 2007, disponível em: https://www.scielo.br/j/rbz/a/TxB6XwXygrfKhPTmyyYMJrd/?format=pdf&lang=pt 
83 Ver: https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/1195320380620034/?locale=pt_BR ; https://olavodecarvalho.org/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-a-direita-e-vai-continuar-nao-sabendo/ 
84 Ver: Silva, et al., “Dicionário Crítico do Pensamento de Direita – Idéias, Instituições e Personagens”, 2000, p.6-19
85 Entendidos como os autores que fazem uso da conceitualização gramsciana enquanto repertorio analítico-verificativo.
86 Para maior entendimento, ver: https://jornalcidadaniapopular.com.br/breve-itinerario-para-leitura-da-obra-de-olavo-de-carvalho/
87 E é salutar destacar este ponto, posto que mesmo os nossos adversários têm o entendimento de que conhecer ou estudar 10% da obra de um autor não capacita-nos para discorrer sobre este autor. Nas palavras do marxiano Jones Manoel: “Eu não vou gravar um vídeo, por exemplo, sobre a obra de Milton Santos só tendo lido quatro livros dele. Quatro livros é pouco? É, para um cara que publicou mais de quarenta livros; eu li poucos livros do autor, poucos comentadores, eu não vou gravar um vídeo, eu vou ler mais”. Ver: Manoel, J. Video “Não idolatre influencers: internet e educação popular”, 6 abr. 2023, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QPXZJHn-hKg
88 Carvalho, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula 553, 2021.
89 Mais à frente, isso será demonstrado de maneira mais aprofundada. De antemão, para maior compreensão do porquê da nossa recusa ao termo “marxismo cultural”, ver: https://jornalcidadaniapopular.com.br/uma-teoria-critica-a-importancia-de-lermos-os-marxistas-o-problema-da-intelectualidade-conservadora-parte-v/
Rodolfo Melo

Rodolfo Melo nasceu em João Pessoa – PB; é Presidente e Editor Chefe do Jornal Cidadania Popular; aluno do COF desde 2016, tendo feito também o curso “PSICOLOGÍA DE LA TEMPLANZA”, com o Psicólogo Tomista Martin Echavarría.

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