Uma Teoria Crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora (parte V)

  • Rodolfo Melo
  • 22 abr 2022

Queremos realçar alguns tópicos finais. Nesta propedêutica, fizemos alguns pareceres, comentários, e um esboço do problema Filosófico “Marxiano”. Contudo, cabe aqui ainda algumas ponderações. Construímos uma proposta de estudo; assim, em nossa coluna, a partir de então, sempre procederemos dos conceitos e temas que aqui foram abordados. Para tanto, usaremos as expressões “marxismo”, “marxianos”, ou “marxologos”, conforme estabelecido nesta propedêutica. Empregaremos a visão do Marx e dos “marxianos”, como Filósofos da História, Sociólogos dos Regimes-institucionais.

 

 

         Capítulo IV


E, por fim, diremos que a utilização do termo “marxismo cultural” sofrerá uma nova abordagem, qual seja: a tomaremos dizendo que ela nada mais é senão um sistema, uma Ontologia,“marxiano(a)”, em diferentes métodos. Explique-se: O Lukács assim nos diz: A crítica de Engels à contrariedade entre sistema e método indica corretamente o qual é a separação que deve ser feita nesse caso. No plano do sistema aparece uma harmonia lógico-ideal entre sociedade e Estado… No plano do método, isto é, do ponto de vista da dialética interna dos componentes essenciais dessa harmonia, temos, ao contrário, um nó de contradições inconciliáveis”. [1] Lukács, 2018, p.194

Pois bem, dissertamos que a Ontologia geral de Marx é senão o estudo da circunstância da  sociedade; a busca em desvendar a conduta da sociedade, a partir de seu Regime institucional. Ora, aplicando as palavras do Lukács ao nosso Programa Marxólogo, teremos o Marx, suas obras, suas ideias, como Sistema obrigatório de estudo, marco temporal, Ontologia geral – Materialismo-histórico como “Metafisica”.

Já o método, seriam as contradições dialéticas, próprias desta pesquisa Ontológica- marxiana. Dito de outro modo: o método é o meio pelo qual os marxianos analisam, cada um à sua maneira, a aplicação do materialismo-histórico na sua época. Desta investigação, surgirá a contradição entre os vários marxianos, que podem dar origem às subdivisões marxistas – ações políticas, lutas diárias-partidárias.

Citamos, mais uma vez, o marxiano Celso Frederico, que, corroborando com a nossa tese, diz: “Remoer os textos juvenis de Marx, portanto, não é atividade desinteressada de um arqueólogo do saber, de um historiador minucioso preocupado somente com a reconstituição tecnicamente correta e desapaixonada de um capítulo encerrado na história das ideias. Ao contrário: esta é uma viagem ao tempo presente e, portanto, obriga-nos a uma tomada de posição sobre os impasses teóricos em que estamos envolvidos. Essa viagem nunca termina e sempre traz novidades, já que as ideias do jovem Marx continuam acenando para nós e polarizando os debates da atualidade”. [2] Frederico, 2009, p.13

Isso quer dizer que sempre haverá um fenômeno social novo, uma nova causa social que se insinua, um novo contexto social. Interpretar o que institui, o que “racionaliza”, esse contexto – a partir de uma refundação do pensamento de Marx – é a atividade ontológica marxiana.

Quanto aos marxistas: “O caráter fragmentário dos manuscritos, como não poderia deixar de ser, convida os leitores a uma eterna montagem e remontagem de significados, ditados pelas modificações introduzidas incessantemente em nossa vida cultural e política. Também por isso o quebra-cabeça nunca se encerra”. [3] Ibidem Em suma: todo marxista terá de adentrar nesse estudo Ontológico de Marx, para aplicá-lo em sua realidade temporal – a época em que vive. Assim, todo marxista terá um método diferente (Stalinista, Trotskista, Leninista, Ambientalista, Feminista, etc), mas sempre terá de recorrer ao Sistema, a Ontologia de Marx.

Vamos aclarar um pouco mais essa questão. O marxiano Antonio Rago [4] No evento do Salão do livro político, já trabalhado por nós. Ver: https://jornalcidadaniapopular.com.br/salao-do-livro-politico-a-importancia-da-consciencia-historica-parte-i/ diz que: “… em um debate de Marx sobre as lutas de classe na Rússia, ele afirma que seu pensamento jamais será um passaporte universal que se aplica a qualquer realidade, sem buscar a particularidade, a singularidade dos processos”.

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References

References
1 Lukács, 2018, p.194
2 Frederico, 2009, p.13
3 Ibidem
4 No evento do Salão do livro político, já trabalhado por nós. Ver: https://jornalcidadaniapopular.com.br/salao-do-livro-politico-a-importancia-da-consciencia-historica-parte-i/
Rodolfo Melo

Rodolfo Melo nasceu em João Pessoa – PB; é Presidente e Editor Chefe do Jornal Cidadania Popular; aluno do COF desde 2016, tendo feito também o curso “PSICOLOGÍA DE LA TEMPLANZA”, com o Psicólogo Tomista Martin Echavarría.

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