A cultura da leitura e a propagação de ideias: um outro olhar no problema do editorial da direita brasileira

  • Claudionor Batista
  • 22 set 2026

As ideias têm consequências [1] WEAVER JUNIOR, Richard Malcolm. As ideias tem consequências. 2. ed. São Paulo: É Realizações, 2016. é o título de um livro muito conhecido; porém, parece-me que a ideia do livro não é muito bem lembrada ou não se faz presente em alguns meios intelectuais, que não incitam pesquisas ou, até mesmo, a leitura das ideias que eles querem propagar.

Neste ensaio, tenta-se demonstrar como (i) a intelectualidade da direita brasileira, ao espelhar a direita americana, abriu um vácuo na sua formação intelectual (que acabou sendo ocupado por meros polemistas); enquanto isso, (ii) a esquerda brasileira, enclausurando-se nas faculdades, acabou formando um grupo que não sabe da existência dos intelectuais do outro lado — o que a levou a ter de enfrentar certos problemas internos, como, por exemplo, a tradição desconstrucionista. Assim, neste artigo, propõe-se formas de mudança dessa situação cultural em que ambos os lados intelectuais acabam não conversando com o público geral, nem tampouco travando um debate real de ideias.

Quando se lança uma obra no mercado é esperado algum tipo de contextualização dela — ainda mais se for ‘gringa’ —, o famoso “porque você deve ler este livro e o que ele fala (ou pode falar) de nossa realidade, sendo escrito por alguém do país ou não” em forma de prefácios/posfácios — e, se for uma obra acadêmica, alguma livestream com o autor ou tradutor, ou uma live em torno da obra com o prefaciador ou posfaciador ou algum grupo tratando de alguma linha de pesquisa da obra. Isso não é novidade para quem acompanha este Jornal há algum tempo. [2]Refiro-me, em especial, ao vídeo “As diferenças editoriais da Boitempo e Vide” postado no canal do YouTube do Jornal Cidadania Popular. Ver: MEDEIROS, Rodolfo Melo de. As diferenças editoriais … Continue reading

A falta de tais críticas e contextualizações abre uma janela de problemas, deturpações, descaracterização e, até mesmo, a falta de continuidade histórica — uma das coisas que mais destrói filosofias —, além da abertura para filodoxos e charlatães guiarem o rumo intelectual do povo para uma ideologia política. Podemos demonstrar isso dando uma olhada nos Estados Unidos, durante os anos de 1960-70 — “não imanetize o escathon, retirado da obra “A Nova Ciência Política” do filósofo Eric Voegelin (1901-1985), era um slogan utilizada pelos Young Americans for Freedom (YAF) popularizada pelo conservador, comentarista político e romancista William F. Buckley (1925-2008). [3] GOLDBERG, Jonah. Immanent Corrections. National Review, New York, 16 jan. 2002. Disponível em: https://www.nationalreview.com/2002/01/immanent-corrections-jonah-goldberg/ Acesso em: 04 abr. 2026. Enquanto isso, nas últimas eleições norte-americanas, Voegelin não apenas perdeu seu lugar, mas foi completamente esquecido pela direita eleita, sendo substituído não por outro filósofo de igual ou maior envergadura, mas para Jordan Peterson, Carl Tucker e Ben Shapiro — dois jornalistas e um psicólogo, além de outros não tão longe destes.

O que nos demonstra que pensadores de peso foram jogados de lado para colocar no lugar gente de segunda ou terceira classe, principalmente polemistas. Perceba, a direita ‘gringa’ não tem um filósofo, pensador ou literato para chamar de seu, pelo menos não no mainstream — as vezes, nem parece que eles existem no geral, especialmente se não souber onde procurar —, levando, assim, as massas para qualquer bobagem. Quem não lembra dos tempos de ‘woke’ (não estou dizendo que não existe, mas que é extremamente mal explicado, ao ponto de aparecer definições contraditórias) — os filmes da série Alien, possivelmente iam entrar nesta onda ou aquela antiga e famosa série Xena, a princesa guerreira ou o filme clássico de Tarantino Killbill, afinal, há mulheres fortes que resolveram seus problemas sozinhas, especialmente a protagonista.

Como tal coisa aconteceu? Bom, no caso americano, diz o filósofo Olavo de Carvalho (1947-2022), no livro Apoteose da Vigarice, capítulo chamado de “Obviedades temíveis” que: “[…] a esquerda [americana] já dominava os círculos de elite, as universidades, as divisões públicas e a grande mídia desde os anos 30” [4] CARVALHO, Olavo de. Apoteose da Vigarice. 2. ed. Campinas: Vide Editorial, 2014, p.66. , o que significa que a “direita”, não trabalhava seus filósofos e pesquisadores, de modo que não havia uma corrente de estudo voegeliniana numa Oxford, por exemplo; na verdade, aconteceu outra coisa:

 

[…] Voegelin parecia um pouco frustrado que tamanha atenção tinha sido centralizada no gnosticismo em The New Science of Politics [A Nova Ciência da Politica]. Nesta conexão, é importante notar que ele parecia frustrado tanto com seus seguidores quanto seus detratores, porquê seus seguidores eram aqueles que estavam infernizando-o com perguntas feito; é o governo Soviético gnóstico”. [5] MCKNIGHT. Stephen A. Gnosticism and Modernity. VoegelinView, 29 dez. 2025. Disponível em: https://voegelinview.com/gnosticism-and-modernity/. Acesso em: 13 jun. 2026 [tradução nossa].

 

Vamos utilizar outro exemplo mais recente: a tradução do livro “Pastores à venda: Como líderes evangélicos negociaram a verdade pela agenda esquerdista”, de Megan Basham, um livro de crítica a alguns pastores norte-americanos, publicado aqui pela Editora Trinitas em 13 de março deste ano. O problema começa que não há contextualização nenhuma de quem são esses pastores — as próprias resenhas na Amazon não deixam mentir —, além de todo o problema metodológico e de veracidade que esse livro têm — para se ter uma noção do problema, é como se alguém se informasse acerca de Olavo de Carvalho partindo do livro de Benjamin Teitelbaum. [6]Refiro-me particularmente as acusações dela contra o pastor Gavin Ortlund. Ver: ORTLUND, Gavin. In: All Truth Unites. 31 jul. 2024, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-3ClEkfP8pM. … Continue reading

Essa perda de contato com a história, com a tradição filosófica e, de certa forma, com o público criou um vácuo que permitiu com que as ditas figuras supramencionadas aparecessem e fossem levadas a sério. Porém, ainda que tenhamos atualmente intelectuais como Charles Taylor e Patrick J. Deneen  — para citar apenas dois exemplos —, não os veremos sendo citados, nem mesmo sendo falados por aí, quer seja primeiramente nas mídias alternativas (ou principais mesmo) “de direita” ou principais “de esquerda” [7]Aviso que, neste ensaio, utilizo noções extremamente genéricas de “esquerda” e “direita”. Portanto, o termo aparece sob aspas, sem identificar as diversas diferenças entre a esquerda … Continue reading — às vezes, você pode achá-los em vídeos de faculdades, mas tenho a impressão que você precisa saber quem eles são primeiro para depois sair os pesquisando por aí. Isso também resvalou fortemente por aqui, quando, após as passeatas contra os cinquenta centavos que evoluíram para anticorrupção — noutras palavras o nascimento daquilo que veríamos a entender como “a nova direita” ou “a direita atual” —, a Editora Record publicava pensadores de direita, como Jordan Peterson [8]A quem interessar, minhas críticas ao Peterson se baseiam no vídeo de Jesus G. Maestro, assim como no texto de Ernesto Castro. Ver: CASTRO, Ernesto. Perogrulladas y contradicciones de Jordan B. … Continue reading, com o seu famigerado “12 Regras para a vida”, Roger Scruton, especialmente com sua obra “Como ser um Conservador?”, além da publicação de outros títulos e autores, como, por exemplo, Olavo de Carvalho, Francisco Razzo, Bruno Garschagen, Flávio Gordon, dentre ainda outros publicados após a eleição de Jair Bolsonaro, sendo a maioria ditos pensadores liberais da grande mídia — a exemplo de Rodrigo Constantino.

Uma vez que maioria dos livros publicados pelo campo da “direita” eram títulos jornalísticos sem grande ou nenhuma profundidade filosófica, obras cujo objeto se resumiam a contrapor o governo ou política da época — até Olavo de Carvalho foi trazido ao mainstream pelos seus textos jornalísticos, e não pela sua filosofia —, as obras de Joaquim Nabuco, Ernane Galvêas, André Rebouças ou Arlindo Veiga dos Santos (dentre outros) não foram publicadas, situação que criou um lugar fértil para a atuação dos ‘antiolavistas’ no espaço público. [9]Cabe abrir um parênteses: a antiga editora É Realizações (hoje, Iná Editora) publicava e ainda publica pensadores de direita: filósofos, como o próprio Voegelin, além de analistas políticos … Continue reading

Isso nos leva ao problema: o conservadorismo brasileiro é uma fusão de conservadorismo britânico com americano e altas doses de liberalismo, mas sem um pingo de algo brasileiro, porquê não conhece a sua própria história e pensadores deste ramo. Ora, como começamos a mudar isso? Fabricando leitores, ocupando espaços e fazendo as ideias circularem — é pela livre e total luta de ideias que se tem uma democracia, pois, do contrário, alguma corrente ideológica irá, invariavelmente, dominar, e não devemos ficar surpreso se ela acabar virando um tipo de “Imbecil Coletivo”. [10]Por exemplo, é só ver o que aconteceu com a esquerda — não me refiro apenas ao problema em si, já muito discutido por Olavo de Carvalho, mas ao seu efeito após tanto tempo. Atualmente, há nas … Continue reading Porém, a coisa não está muito melhor no lado da “direita”, afinal, como convencer liberais e conservadores a (i) ler livros de sua tradição no Brasil e (ii) como atrair novos leitores a essas tradições?

Um bom começo poderia ser encontrado nas festas do livro organizadas por faculdades pelo Brasil afora — a ideia é vender livros partindo de 50% de desconto, o que parece ser uma boa ideia para chamar novos leitores e fazer com que antigos estudantes ou praticantes destes pensamentos consigam comprar livros mais caros.  Após tantos anos com apenas uma única editora estando presente numa boa parte destes eventos — a Iná Editora —, o grupo CEDET — composto pela Vide, Kírion e Sétimo Selo, para citar algumas editoras dentro dele — finalmente se juntou ao hall das editoras presentes na festa das feira de livros da UNESP em 2026, o que é maravilhoso — provavelmente, o movimento na CEDET começou porque o quadro intelectual da Editora Real Politik, que faz parte do grupo BARCA, participou, em abril deste ano, da Bienal da Bahia, já que a feira da UNESP foi realizada no mês seguinte —, afinal, seria muito irônico se a Editora Islâmica Arresala [11] Ver: FEIRA DO LIVRO DA UNESP. Editora Islâmica Arresala, São Paulo, 2026. Disponível em: https://feiradolivrodaunesp.com.br/editora-islamica-arresala/. Acesso em: 05 maio. 2026. (ou outra islâmica qualquer) estivesse presente nesses eventos muito antes da editora que publica a obra “A Conquista do Ocidente”, e que tinha como filósofo principal (Olavo de Carvalho) um cara que estava sempre falando sobre o poder da cultura.

O mesmo não pode ser dito da Editora Monergismo — que podemos chamar “de direita” por algumas de sua publicações, como “Também eu vivi no comunismo”, além de ter publicado um dos poetas mais conhecidos destes tempos, a saber, Carlos Nejar, especialmente sua obra magna “A Terra dos Viventes”, assim como o seu ensaio em torno de Ariano Suassuna (“Ariano Suassuna, o poeta visionário e mágico do povo”) —, pois ela continua longe desses eventos, o que é muito estranho. [12] A Editora Monergismo tende a participar de feiras de livros de teologia, que é para um público específico que não estamos considerando neste ensaio. Assim, seria necessário criar um movimento de antropofagia de ideias, na qual elas são paridas pelos leitores e especialmente pelos intelectuais, mas como esperar que isso aconteça quando ‘se ejacula no ar’?

Explico: quando uma editora publica os livros, mas não há quem realize (em tom ou em ambiente acadêmico) críticas, resenhas ou trabalhos em torno deles. Não consigo encontrar amostra melhor dessa situação do que aquilo que o youtuber Redeemer Zoomer fez com as Igrejas Protestantes Presbiterianas nos EUA: a Operação Reconquista [13] OPERATION RECONQUISTA. Operation Reformation, 2023. Disponível em: https://www.operationreconquista.com/. Acesso em: 3 jun. 2026. , em que, ao invés de sair das igrejas liberais, os agentes buscaram assumir os postos entregues previamente aos ditos liberais. Muito bem, é necessário fazer  a mesma coisa aqui no Brasil, mas adentrando às faculdades, defendendo os pensadores que não seriam lidos sem alguém de outra linha de pensamento apresentá-los — diga-se de passagem, o manifesto pela pluralidade acadêmica é a chance de demonstrar que “a direita” também tem seus pensadores de peso, que precisam ser respeitados e lidos, afinal, ninguém quer que surja um novo “Dicionário Crítico da Direita[14]N.E. Ver: SILVA, Francisco Carlos Teixeira da; MEDEIROS, Sabrina Evangelista; VIANNA, Alexander Martins (orgs.). Dicionário crítico do pensamento da direita: idéias, instituições e personagens. … Continue reading por aí, não é ? —, ao invés de recusá-las em razão de um suposto “marxismo cultural”.

A melhor tentativa de tal iniciativa foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF), fundado por Miguel Reale, onde intelectuais, como o próprio Reale, Antônio Paim, Luís Washington Vita e diversos outros, estudavam e apresentam seus trabalhos — infelizmente, ninguém disponibilizou as antigas Revista de Filosofia na internet ou no próprio site da instituição, com a exceção de duas. O Instituto ainda está vivo atualmente publicando a famosa revista, mas alguém estudou algo deles ou alguma de suas obras? Pois é. Se, hoje em dia, o IBF não tem a mesma força intelectual do tempo em que Reale era vivo, a CEDET e a Monergismo teriam a possibilidade de formar uma nova força intelectual — caso seguissem um modelo próximo (ou copiado mesmo) da Editora Boitempo, como, por exemplo: os post de Instagram seriam escritos por intelectuais da casa (mestrandos), resumos ou convites a leitura de textos mais densos no site da editora, que estariam sendo orientados por intelectuais doutores, e aqueles estariam indicando algumas coisas num jornal eletrônico, tal qual a Gazeta do Povo e a Revista Oeste.

Digamos que Ana Campagnolo tivesse escrito seu livro sobre “Feminismo: perversão e subversão” [15] N.E. Ver: CAMPAGNOLO, ANA Caroline. Feminismo: perversão e subversão. Campinas: Vide Editorial, 2019. ano repassado; querendo se aprofundar na questão, um estudante seria orientado por ela durante um processo de pesquisa, escrevendo uma resenha sobre o livro dela ou um ensaio em torno do livro dela (a ser publicado nos jornais mencionados). Quando a pesquisa acabasse, ela seria publicada como livro, acrescido de prefácio ou posfácio escrito pela própria Campagnolo. Esse ciclo seria repetido cada vez mais, até que um pesquisador maior fosse formado (mais ou menos aquilo que o Jornal Cidadania Popular sempre bateu na tecla).

Basta ver a diferença de lançamento de alguns livros na antiga É Realizações — peguemos o Abismos da Leveza: por uma Filosofia Pluralista, de Rodrigo Petronio. A obra foi lançada numa live que contextualizou todo o livro e toda pesquisa; agora, comparemos com o lançamento do livro “A Sombra da Modernidade: Ensaios sobre os antimodernos”, de Fabrício Tavares de Moraes, publicado pela Editora Academia Monergismo, que só teve uma live no Instagram [16]MADUREIRA, Jonas. Bate-papo sobre o livro: “À sombra da modernidade: ensaios sobre antimodernos”. Instagram, 17 nov. 2023. Disponível em: < … Continue reading, a qual poderia ter sido publicada também no YouTube — bem, pelo menos isso foi melhor do que uma boa parte de seus lançamentos, que ganham apenas carroceis no Instagram, como, por exemplo, “O pensamento de Gottlob Frege”, tal como a Vide faz com a maioria de seus lançamentos.

Óbvio, devemos notar que não são todos os livros que passam por esse processo — nem tampouco precisam —, assim como não devemos nos esquecer da situação cultural pela qual as faculdades passam — afinal, os filósofos de ambas as correntes são citados em trabalhos apresentados na academia ou continuamos com o nec nominetur, tanto de direita quanto de esquerda? Mais ainda, quantos dos que se denominam de direita estudaram, ou se quer leram, a obra de Karl Marx, Álvaro Vieira Pinto, José Paulo Netto, Daniel Tutt, Virginia Fontes ou Gabriel Rockhill? — e, do mesmo modo, alguém de esquerda teria se debruçado sobre os livros de José Camilo de Oliveira Torres, Ives Gandra Martins, Olavo de Carvalho, Eugen Rosenstock-Hussey, José Guilherme Merquior, Thomas Sowell ou J. O. de Meira Penna? Acredito que você e eu sabemos muito bem a infeliz resposta e, se os opostos não conseguem compreender as ideias que os outros falam, não há como ter algum tipo de debate de ideias, tampouco refutações de fato.

Seria extremamente importante termos mais iniciativas do tipo que, em 2022, o Jornal Cidadania Popular, com a publicação do artigo “Uma Teoria Crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora”, inaugurou no campo “de direita”. [17]N.E. Ver: MEDEIROS, Rodolfo Melo de. Uma teoria crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora. Jornal Cidadania Popular, João Pessoa, 20 dez. … Continue reading Devo abrir um espaço e parabenizar a Prof. Marize Schons e o “Seminário Enciclopédia das Ideologias”, a qual, além de sua incrível disposição e conversas para os liberais lerem os marxistas [18]Refiro-me a suas diversas lives, tanto no canal do YouTube Tapa da Mão Invisível quanto no Instituto Mises Brasil em torno do mesmo tema (i.e. “EP.241 – Uma introdução ao pensamento marxista, … Continue reading, escreveu o livreto “O mínimo sobre Marx, direcionado ao público geral.

Uma cultura de literatos e intelectuais verdadeiramente cosmopolita com diferentes ideias só pode nascer destes itens, elevando a cultura nacional sem pender a um lado da balança — “a direita” parece estar acordando para isso [19]Vejo, por parte da direita, uma leve movimentação nesse sentido, além do já citado seminário da Marize Schons e os diversos textos marxológicos do Jornal Cidadania Popular em torno de … Continue reading, embora ainda falte esse trabalho de leitura, crítica, resenha e continuação das pesquisas; lentamente, é possível que vejamos uma verdadeira muralha não só de livros, mas também de intelectuais (como, por exemplo, Fabrício Tavares de Moraes, Gilberto Callado de Oliveira, Paulo Cantarelli, Renato Alexandre (Kierkegaard), Hilton Buenos Aires, Jonas Madureira, etc) para retirar agentes intelectuais do tipo de Henry Bugalho e Jessé Souza do círculo da intelligentsia. O tempo dirá se essa nova “direita” parou de fugir do problema da cultura — sobre o qual Olavo de Carvalho tanto dizia. 

References

References
1 WEAVER JUNIOR, Richard Malcolm. As ideias tem consequências. 2. ed. São Paulo: É Realizações, 2016.
2 Refiro-me, em especial, ao vídeo “As diferenças editoriais da Boitempo e Vide” postado no canal do YouTube do Jornal Cidadania Popular. Ver: MEDEIROS, Rodolfo Melo de. As diferenças editoriais da Boitempo e Vide. 24 ago. 2024, Jornal Cidadania Popular. Disponível em: https://youtu.be/lolWrA6AvOc?si=5AiVRXCAuUwUTyBo. Acesso em: 30 abr. 2026.
3 GOLDBERG, Jonah. Immanent Corrections. National Review, New York, 16 jan. 2002. Disponível em: https://www.nationalreview.com/2002/01/immanent-corrections-jonah-goldberg/ Acesso em: 04 abr. 2026.
4 CARVALHO, Olavo de. Apoteose da Vigarice. 2. ed. Campinas: Vide Editorial, 2014, p.66.
5 MCKNIGHT. Stephen A. Gnosticism and Modernity. VoegelinView, 29 dez. 2025. Disponível em: https://voegelinview.com/gnosticism-and-modernity/. Acesso em: 13 jun. 2026 [tradução nossa].
6 Refiro-me particularmente as acusações dela contra o pastor Gavin Ortlund. Ver: ORTLUND, Gavin. In: All Truth Unites. 31 jul. 2024, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-3ClEkfP8pM. Acesso em: 13 jun. 2026.; ORTLUND, Gavin. Responding to Megan Basham’s latest claims. In: All Truth Unites. 02 ago. 2024. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=LPUlwF379yA. Caesso em: 13 jun. 2026. Ver também: BASHAM, Megan. Megan Basham responds to the debate about her new book ‘Shepherds for Sale. 07 ago. 2024, Cross Examined. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=eUu9IPzXC4g. Acesso em: 13 jun. 2026. Recomendo também o review de Joel Wentz ao livro, visto ele ter pesquisado e aprofundado sobre qual o problema geral da obra. ‬‬‬Ver: WENTZ, Joel. Well, I have thoughts: a review of shepherds for sale by Megan Basham. 01 out. 2024, Joel Wentz. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=nxLMw8zlasc. Acesso em: 13 jun. 2026.
7 Aviso que, neste ensaio, utilizo noções extremamente genéricas de “esquerda” e “direita”. Portanto, o termo aparece sob aspas, sem identificar as diversas diferenças entre a esquerda brasileira, americana e britânica, por exemplo. Entendam-no tal qual um exemplo geral da situação.
8 A quem interessar, minhas críticas ao Peterson se baseiam no vídeo de Jesus G. Maestro, assim como no texto de Ernesto Castro. Ver: CASTRO, Ernesto. Perogrulladas y contradicciones de Jordan B. Peterson. Ernesto Castro, [S.l.], 2018. Disponível em: https://ernestocastro.com/biblioteca/perogrulladas-y-contradicciones-de-jordan-b-peterson/. Acesso em: 04 maio. 2026 [CASTRO, Ernesto. El gran Pan ha muerto! Palimpsestos todológicos. Valência: Editorial La Caja Books, 2022. p. 189–220.].; MAESTRO, Jesus G. Había uma vez um circo: la presunta «filosofía» de Jordan Peterson y la autoayuda del siglo XXI. 27 out. 2023, Jesus G. Maestro. Disponível em: https://m.youtube.com/watch?v=52IoxAeR07A. Acesso em: 13 jun. 2026.
9 Cabe abrir um parênteses: a antiga editora É Realizações (hoje, Iná Editora) publicava e ainda publica pensadores de direita: filósofos, como o próprio Voegelin, além de analistas políticos e críticos sociais.
10 Por exemplo, é só ver o que aconteceu com a esquerda — não me refiro apenas ao problema em si, já muito discutido por Olavo de Carvalho, mas ao seu efeito após tanto tempo. Atualmente, há nas faculdades o problema do desconstrucionismo, muito embora não haja intelectuais capacitados para resolver o problema de soberania, pois como entregar soberania se a desconstrução acontece por meio de pensadores americanos e franceses? Cadê os estudos desse pessoal em torno de Câmara Cascudo ou Celso Furtado?
11 Ver: FEIRA DO LIVRO DA UNESP. Editora Islâmica Arresala, São Paulo, 2026. Disponível em: https://feiradolivrodaunesp.com.br/editora-islamica-arresala/. Acesso em: 05 maio. 2026.
12 A Editora Monergismo tende a participar de feiras de livros de teologia, que é para um público específico que não estamos considerando neste ensaio.
13 OPERATION RECONQUISTA. Operation Reformation, 2023. Disponível em: https://www.operationreconquista.com/. Acesso em: 3 jun. 2026.
14 N.E. Ver: SILVA, Francisco Carlos Teixeira da; MEDEIROS, Sabrina Evangelista; VIANNA, Alexander Martins (orgs.). Dicionário crítico do pensamento da direita: idéias, instituições e personagens. Rio de Janeiro: Mauad, 2000.
15 N.E. Ver: CAMPAGNOLO, ANA Caroline. Feminismo: perversão e subversão. Campinas: Vide Editorial, 2019.
16 MADUREIRA, Jonas. Bate-papo sobre o livro: “À sombra da modernidade: ensaios sobre antimodernos”. Instagram, 17 nov. 2023. Disponível em: < https://www.instagram.com/tv/CzxIEK8OnDz/?igsh=Z2VoODBqeGhjajVm >. Acesso em: 13 jun. 2026.
17 N.E. Ver: MEDEIROS, Rodolfo Melo de. Uma teoria crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora. Jornal Cidadania Popular, João Pessoa, 20 dez. 2021, p.1. Disponìvel em: https://jornalcidadaniapopular.com.br/uma-teoria-critica-a-importancia-de-lermos-os-marxistas-o-problema-da-intelectualidade-conservadora-parte-i/.; MEDEIROS, Rodolfo Melo de. Uma teoria crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora. Jornal Cidadania Popular, João Pessoa, 21 dez. 2021, p.2. Disponível em: https://jornalcidadaniapopular.com.br/uma-teoria-critica-a-importancia-de-lermos-os-marxistas-parte-ii/.; MEDEIROS, Rodolfo Melo de. Uma teoria crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora. Jornal Cidadania Popular, João Pessoa, 14 jan. 2022, p.3. Disponível em: https://jornalcidadaniapopular.com.br/uma-teoria-critica-a-importancia-de-lermos-os-marxistas-o-problema-da-intelectualidade-conservadora-parte-iii/.; MEDEIROS, Rodolfo Melo de. Uma teoria crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora. Jornal Cidadania Popular, João Pessoa, 17 fev. 2022, p.4. Disponível em: https://jornalcidadaniapopular.com.br/uma-teoria-critica-a-importancia-de-lermos-os-marxistas-o-problema-da-intelectualidade-conservadora-parte-iv/.; MEDEIROS, Rodolfo Melo de. Uma teoria crítica: a importância de lermos os “marxistas” – o problema da intelectualidade conservadora. Jornal Cidadania Popular, João Pessoa, 22 abr. 2022, p.5. Disponível em: https://jornalcidadaniapopular.com.br/uma-teoria-critica-a-importancia-de-lermos-os-marxistas-o-problema-da-intelectualidade-conservadora-parte-v/.
18 Refiro-me a suas diversas lives, tanto no canal do YouTube Tapa da Mão Invisível quanto no Instituto Mises Brasil em torno do mesmo tema (i.e. “EP.241 – Uma introdução ao pensamento marxista, com Marize Schons”, publicado em 17 de maio de 2023 e “Por que liberais devem estudar o marxismo”, publicado em 5 de maio de 2023).
19 Vejo, por parte da direita, uma leve movimentação nesse sentido, além do já citado seminário da Marize Schons e os diversos textos marxológicos do Jornal Cidadania Popular em torno de marxólogos e marxianos, há os livros de Fernando Senzala, Thomas Guilliano e os cursos da Isadora Milagres (“Isa livros pelo mundo”), alguns textos na Gazeta do Povo. Enquanto que Olavo de Carvalho está ganhando espaço em alguns setores de esquerda mais acadêmica, como, por exemplo, o Prof. Lucio Marques menciona que está orientando uma dissertação em torno dos Quatro Discursos Aristotélicos. Ver: MARQUES, Lucio. Lucio Marques fala sobre historiografia francesa no Brasil. In: Reunião Grupo Fibra. 23 nov. 2025, Grupo de Estudos de Filosofia no Brasil. Disponível em: https://youtu.be/AFPiGg0r3zw?si=UiTrwar2AwJn6Rh1.  Acesso em: 18 set. 2026. Ver também: RIBEIRO, Duane. Está morto, podemos chamá-lo de filósofo: sobre Olavo e outras questões. Revista Úrsula, São Paulo, n. 5, março–maio/2022. Disponível em: https://revistaursula.com.br/filosofia/esta-morto-podemos-chama-lo-de-filosofo-sobre-olavo-e-outras-questoes/. Acesso em: 18 set. 2026. Da mesma forma, a direita precisa aproveitar aqueles que querem ensinar de verdade, ao invés de marqueteiros que se vendem como donos da razão (para mais em torno disso, ver o podcast de Paulo Cantarelli chamado “F de Falsidade Intelectual”).
Claudionor Batista

  Claudionor Batista, vive atualmente em São Paulo-SP. Descobriu Olavo de Carvalho em um sebo com o prefácio de Admirável Mundo Novo, escrito por ele – e, por volta de 2018, teria um reencontro com seus escritos que o inclinaria a buscar a filosofia por meios autodidáticos, embora só começasse dedicar-se em 2022. Formado em […]

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